Web3 no Brasil: Os Destaques e Protagonistas de 2024
De inovações tecnológicas a grandes eventos, confira os marcos que moldaram o cenário da Web3 no país ao longo do ano
Salve, gente!
Feliz Ano Novo!
Como vocês estão?
Animados para 2025?
Por aqui estamos prontos para mais um ano, com certeza, inesquecível; e firmes na hercúlea missão de tentar resumir alguns dos muitos destaques positivos de 2024. Lembrando que nem adianta apelar pro ChatGPT, já que ele, coitado, só está alimentado até outubro de 2023. Então, vamos por nós mesmos!
ROLLERCOASTER
2024 foi aquela mistura de fear and greed, né?
Mas o bom foi ver a explosão de tudo um pouco nas tecnologias da Web3.
Dá pra dizer que foi o ano do crescimento dos RWAs? Dá.
Tivemos até a primeira vaca tokenizada do Brasil, a Valda, reportado aqui no Web3News.
Dá pra dizer que foi o ano do crescimento das temáticas de web3 nos grandes eventos? Dá.
Dá pra dizer que foi o ano dos airdrops? Dá.
E dá pra dizer que foi o ano das memecoins? Ô, se dá!
Sendo humanamente impossível elencar tudo que foi destaque ano passado, deixo aqui algumas coisas que me chamaram a atenção:
YTBR
Infelizmente o conteúdo de Web3 no YouTube permaneceu o trem-fantasma de sempre. Tem muita gente boa mas, infelizmente, o show de horrores de discursos preconceituosos, racistas, homofóbicos, misóginos, seguiu acontecendo. Lamentável ver influenciadores visivelmente descontrolados, berrando, assediando, xingando seus seguidores, divulgando fake news, sem falar na revolta que dá ver milhares de pessoas sendo enganadas por quem fica shillando tokens apenas para depois despejar na cabeça dos seguidores e encher cada vez mais suas bags a custa dos iniciantes no mercado.
Por isso, é com muita alegria que a gente tem que celebrar o bom conteúdo.
Porque se tem gente mau-caráter, tem também muita gente boa no cenário brasileiro que presta um excelente papel em divulgar conteúdo sério, não-criminoso, influenciadores que ajudam o mercado a crescer, pessoas com didáticas fantásticas e profundo conhecimento.
E é dessas pessoas que a gente tem que falar.
Se em 2023 a audiência brasileira pôde se beneficiar do trabalho fantástico de analistas como Rogério Menezes e Juan Lopes, destaques no Recap 2023; 2024 foi um ano de destaque para João Campos, do CriptoCampos. João é um expoente na análise on-chain. Como se não bastasse seu conhecimento fantástico, é dono também de uma didática extremamente eficaz. É mestre em usar o humor como ferramenta de aprendizagem. Suas lives são profundamente didáticas e divertidas ao mesmo tempo. Graças ao seu trabalho consistente, milhares de pessoas (seu canal já ultrapassa 15 mil seguidores) agregaram aos seus conhecimentos dados extraídos de indicadores como Short-Term Holder, MVRV, Puell Multiple, e muitos outros que ele domina com maestria. Aplausos.
EVENTOS
Foi muito bom ver em 2024 o fortalecimento dos eventos de Web3 no Brasil, sobretudo as iniciativas fora do eixo RJ-SP. Modular Crypto merece um salve por ter feito a Modular House, em Salvador, em abril. E para 2025 já damos parabéns ao time pelo Modular Carnival, que acontecerá de 25 de fevereiro a 1o de março, em Belo Horizonte. Nossa querida BH sediou também, em julho, um dos MeetUps regionais da Binance - que fez seu Bitcoin Pizza Day em Fortaleza e teve encontros ano passado em Florianópolis e Curitiba.
Em 2024, foi igualmente positivo ver o crescimento das nossas temáticas de Web3 nos grandes eventos do país.
Em abril, a segunda edição do Web Summit Rio reuniu mais de 34 mil pessoas (61% a mais do que em 2023.).
Em junho, o Rio2C, que se posiciona como o maior encontro de criatividade da América Latina, reuniu 50.561 pessoas em seis dias e bateu seu recorde de projetos inscritos - foram 1.533 pitchings.
Em agosto, foi a vez da Rio Innovation Week reunir incríveis 185 mil pessoas!
Foram muitas as participações de expoentes da Web3 brasileira nesses grandes eventos que citei acima. E é uma felicidade ver a cada ano nosso universo chegando a mais pessoas e a outros públicos de outras áreas e de outros mercados. Não dá para citar tudo, mas vale registrar a emoção de ver um projeto Web3 tirar o 1º lugar no pitch Competition do Rio2C. Já já vou falar mais sobre ele. E vale muito dar parabéns para Priscila Baeta e Tony Marcelo, do Node Hub, e para Rafael Castaneda, o Casta. Juntos, o trio produziu na Rio Innovation Week um palco chamado Node Summit com 26 painéis sobre Web3. Arrasaram.
Blockchainrio 2024 foi sensacional. O evento, em julho, foi enorme, se posicionando como um interessante agregador de players internacionais de infraestrutura em blockchain. Uma programação gigantesca dividida em diferentes trilhas reuniu especialistas, investidores, desenvolvedores de diferentes áreas como arte, agronegócio, fintechs, CBDCs. Foi também uma excelente oportunidade para networking com iniciativas internacionais. A presença na abertura do então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, mostrou a relevância do segmento. E a de Charles Hoskinson, co-fundador da Ethereum e fundador da Cardano, no encerramento, fechou o segundo dia com chave de ouro. Você pode assistir ao talk dele aqui. Também vale destacar o Rio Digital Arts Festival, evento que pelo segundo ano consecutivo, aconteceu dentro do Blockchainrio. A exposição das obras digitais foi linda, em uma curadoria que reuniu grandes artistas como Lilli Kessler, Rxbisco, Talita Persi, Costa JPeg, Hifa Cybe, Igor 0x7RJ, Cety Soledad, Klara Kopi e Becopro, entre outros. O metaverso da exposição, criado pelo coletivo 2050, ficou impressionante. E no palco do RDA muitos painéis interessantes, entre eles o talk de Conrado de Sá, o Condz, da MegaDAO BR, sobre como lançar um projeto de web3 e fazê-lo crescer no Twitter/X. Dá pra assistir aqui. A Blockchainrio 2025 já tem data. Serão 3 dias em agosto (05, 06 e 07).
O NFTBrasil foi igualmente fantástico. Esse ano foram 150 artistas e 400 obras expostas novamente no lindo Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em SP. Mais uma vez a parceria com a Secretaria de Educação funcionou bem e tivemos mais que o dobro de alunos do que em 2023 visitando o evento. Os palcos trouxeram um grande volume de debates. Parabéns para Helena Freitas, que montou uma trilha muito interessante sobre o cross de Inteligência Artificial com as tecnologias em blockchain. E mais uma vez o uso dos fones bluetooth elevaram a qualidade do som para quem estava assistindo. O NFT Brasil também foi parceiro de uma outra iniciativa fantástica que foi o uso de NFTs nos ingressos do show da Lauryn Hill, no festival Chic Show, em São Paulo, em julho. Os NFTs, desenvolvidos pelo Gotas.Social, foram divididos em dois níveis de acesso, cada um com seus benefícios. O primeiro nível de NFT custava 350 reais e dava direito à Pista Premium do festival. O segundo nível custava 440 reais e incluiu os benefícios do primeiro nível mais o acesso antecipado ao evento e outros itens colecionáveis digitais. Muito legal.
Ainda sobre NFTs, vale destacar a sensacional mostra que o Museu do Amanhã, no RJ, exibiu de julho a dezembro, a CyberFunk: Tecnologias de uma Cidade Ritmada. Curada pelo artista Pedro Pessanha, a mostra reuniu artistas como Africanoise, bernardo pormenor e Vicxs, entre outros, com belos textos de Obirin Odara, Rachel Oliveira Vieira e GG Albuquerque. Entre as instalações, destaque para a maravilhosa obra do artista carioca Gean Guilherme, o Gean CG. Intitulada “Quando a liberdade cantar”, o trabalho reunia projeções de beija-flores presos em gaiolas recolhidas no Morro Santo Amaro.
Outra obra impactante foi “Coragem”, da Lilli Kessler, exibida na mostra do Rio Digital Arts, que citei aí acima. Em 2014, a artista fez um exame chamado angiotomografia digital. Em 2024, resolveu pegar a imagem 3D do seu coração e transformá-la em arte. Ficou lindo demais.
Todo o processo foi interessantíssimo, conforme ela conta:
“Texturizei o vídeo, pois a imagem original é toda branca, gravei o som do meu próprio coração usando um aparelho que comprei na internet que era pra escutar o barulho do batimento cardíaco do bebê na barriga da mãe. E quase que literalmente estava nascendo um novo coração, porque eu também imprimi em 3D essa imagem.
Também tirei um molde desse coração e comecei a reproduzir em vários outros materiais. Fiz três corações em alumínio maciço, um deles tem banho de ouro e outro de cobre. Também fiz um em vidro artesanal, vazado dentro, que quero um dia exibir com meu próprio sangue dentro.
Só que naquela época o mercado de arte ainda era tradicional, e não conseguia nem entender o que eu estava fazendo. Não existia ainda essa cena de Arte digital que explodiu nos últimos anos. E também trabalhar com 3D era muito mais complicado, difícil, caro, exigia máquinas mais potentes. Então eu deixei esse trabalho guardado todo esse tempo e agora eu resolvi ressuscitá-lo. Usei inteligência artificial pra trabalhar a imagem do meu coração e fazer ele passar por várias coisas enquanto bate, quase que como uma poesia visual.”
Aqui no Instagram dela dá para ver as imagens e saber mais sobre o processo artístico.
Tanto “Coragem”, de Lilli Kessler, quanto “Quando a liberdade cantar”, de Gean CG, mostram a potência dos nossos artistas digitais e a beleza do que é produzido aqui no Brasil. De dar orgulho.
RA / RV / FOOH / CGI
Outro evento fantástico foi a 5a edição da BRIFW - a comunidade brasileira liderada por Olivia Merquior, que reúne tecnologia, moda, beleza e cultura. Incubada na Rio Innovation Week, a edição 2024, além de muitos painéis interessantes, apresentou também o The Line-up, uma seleção de 14 trabalhos de artistas, estilistas e criadores digitais. Você consegue vê-los aqui.
Na Rio Innovation Week, pude ver também o filme Amazônia Viva. Lançado em 2022, esse ano, em janeiro, ele foi o vencedor do Melhor Filme de Realidade Virtual 360° no Barcelona Planet Film Festival. O primeiro filme em RV de Estevão Ciavatta é uma experiência imersiva no coração da floresta amazônica. Tem 10 minutos de duração e faz parte da Iniciativa Inter-Religiosas pelas Florestas Tropicais (IRI Brasil), uma plataforma de ação colaborativa criada pela ONU para que líderes e comunidades religiosas possam contribuir para preservar as florestas e a biodiversidade. O resultado foi incrível. É absolutamente deslumbrante ver um bioma tão lindo numa viagem virtual. Guiados pela cacica Raquel Tupinambá, a gente fica com a sensação de estar fisicamente na floresta, vendo as belezas, como o nascer do sol, o balançar das folhas, o movimento das águas do rio, e ouvindo os sons, como o cantar dos pássaros. Todas as sensações maravilhosas que uma experiência 3D pode proporcionar, numa captação belíssima realizada pelo Studio KsO XR, referência em scan 3D, fotogrametria e captura de movimentos. Tinha fila todos os dias no evento para colocar os óculos de RV e se encantar.
Ainda na BRIFW desse ano tive o prazer de mediar um painel sobre Carreiras Tech, onde além de conversar com as artistas Janice Mascarenhas e Je Kos, pude ouvir mais sobre o trabalho de Jeferson Araújo, artista gaúcho especializado em RA e 3D. Jeph tem no seu portfólio clientes como Disney, Amazon, Meta e L’Oreal, entre muitos outros, e uma visão peculiar sobre a incorporação de elementos imperfeitos em seus trabalhos, que você pode ver em @jepharaujo.
2024 foi também um ano de ver muitos FOOHs incríveis da ConexHub, empresa brasileira criada por Mauren Motta. Entre os destaques, os trabalhos para Colcci, RedBull e ESPM, que dá pra ver aqui.
GAMES
Na seara dos games em Web3, 2024 foi ano de bons airdrops de games como o de Pixels e o do Pirate Nation. Tivemos também o lançamento do Sparklet, o token do Upland. Aqui no Brasil, o grande destaque foi o lançamento da eNations. Uma plataforma para atuar no cenário dos eSports, integrando os clubes tradicionais com a economia web3. Em uma coletiva realizada em outubro, o CEO Thiago Buozzi, anunciou a criação do token NTX. “O uso de blockchain e a tokenização de ativos é o futuro dos eSports”, afirmou ele. “Com o NTX, estamos abrindo novas oportunidades econômicas para todos os envolvidos, desde os clubes até os jogadores e patrocinadores”. LitePaper do projeto aqui.
FLOP DO ANO
O documentário Money Electric: The Bitcoin Mystery, da HBO, prometeu identificar a identidade de Satoshi Nakamoto. Apontou para um canadense ainda vivo; para Peter Todd, criptógrafo que nega ser o criador; para Craig Wright, aquele que já foi até condenado judicialmente por sair dizendo por aí que é o Satoshi; para Leonard Harris, que morreu em 2011; para a CIA. Ou seja, apontou para tudo e todos e não convenceu ninguém. 2024 nem tinha acabado ainda e o filme já tinha caído no esquecimento da comunidade cripto aqui e no mundo todo.
QUEM BRILHOU
Mas, para não terminar a coluna com um flop, vamos encerrar com quem brilhou em 2024 na Web3 brasileira. E mais uma vez aplaudimos Helô Passos e sua Trexx. Lembram quando eu falei ali em cima da emoção de ver um projeto Web3 vencer um pitching no Rio2C? Pois foi ela, que competiu na Pitch Competition com startups e projetos de outras naturezas não Web3. Venceu todos com seu ecossistema de monetização e retenção de jogadores, que envolve loyalty, marketplace, carteira e microcrédito. Como se não bastasse, Helô foi eleita MIT Innovator Under 35. Ser reconhecida pelo MIT é um feito internacional de imenso valor para qualquer pessoa no planeta que trabalhe com inovação. Ainda na seara internacional, ela foi eleita Women in Tech Global (e Latam) na categoria Web3. E também faturou::
- 1º Lugar no Visa Everywhere Initiative LATAM e finalista Global
- 2º Lugar no Pitch Competition do Superteam Brasil no Colosseum
- Aceleração pela Fenasbac através do Next com o Mercado Bitcoin e no Missão Creative SP Gamescom com o governo de São Paulo.
Como se vê, a Web3 brasileira teve muitas pessoas e muitos projetos legais em 2024.
Que em 2025 a gente celebre muito mais!
Beijos, um ótimo início de ano e um super bull run pra todos,
Guta
Guta Nascimento é jornalista especializada em tecnologias emergentes e trabalha com onboarding por meio de palestras, lives, aulas, talks e painéis. Para saber mais, leia Web3 Para Todos.