No segundo e último dia do Ethereum Brasil 2025, realizado nesta quinta-feira (11) no estádio do MorumBIS, em São Paulo, um dos debates de maior destaque foi o painel “Oportunidade Brasil: como stablecoins podem impulsionar startups e exportações”. A discussão reuniu especialistas para analisar o papel estratégico de ativos digitais na competitividade global do país e contou com a participação de Alessandro Cecere, cofundador e CMO da fintech El Dorado.
A trajetória de Cecere confere peso único à discussão. Sua experiência começou em 2013, quando utilizou a mineração de Bitcoin para proteger sua família da hiperinflação na Venezuela e viabilizar importações diante das barreiras do sistema financeiro tradicional. Desde então, liderou projetos pioneiros em custódia de criptoativos, empréstimos digitais e infraestrutura de blockchain, e hoje conduz a expansão de mais de um milhão de usuários da El Dorado na América Latina.
O debate ocorreu em um momento estratégico. Um estudo recente da Chainalysis posicionou o Brasil como o 5º maior país em adoção de blockchain no mundo, com stablecoins desempenhando papel central nesse avanço. O painel buscou demonstrar como esses ativos digitais podem transcender a função de reserva de valor, servindo como infraestrutura financeira para startups e exportadores brasileiros.
Para empresas que atuam no comércio internacional, a adoção de stablecoins significa substituir a lentidão e o custo do sistema SWIFT por pagamentos em USDT ou USDC em tempo real. O impacto direto se traduz em fluxo de caixa mais ágil, redução de custos operacionais e aumento da competitividade global. Para startups, significa operar desde o início em uma economia globalizada sem fricções cambiais.
"O Brasil já é um dos líderes globais na adoção de blockchain, e as stablecoins estão no centro dessa transformação. No painel, falamos como esses ativos vão além da proteção de patrimônio, resolvendo problemas reais para empresas e pessoas — desde agilizar pagamentos internacionais e reduzir custos para exportadores, até oferecer soluções P2P que aumentam inclusão e resistência à censura. Também exploramos o papel de stablecoins locais, como BRZ e BRLA, e como o equilíbrio entre inovação e regulação é essencial para que essa infraestrutura financeira se consolide e permita que startups e negócios brasileiros operem de forma global e competitiva", explica Alessandro Cecere.
A El Dorado materializa essa visão, combinando marketplace P2P, carteira digital e conta de rendimentos com integração a métodos de pagamento locais, como o Pix, e custódia garantida pela BitGo. A fintech planeja ainda lançar contas virtuais em dólar, oferecendo a empresas, profissionais autônomos e prestadores de serviços brasileiros uma conexão direta com mercados internacionais.
O painel também abordou os desafios do ecossistema, como construção de liquidez e regulação, considerando as recentes consultas públicas do Banco Central do Brasil sobre stablecoins. Especialistas veem esses movimentos como sinais de amadurecimento do setor, onde inovação e segurança jurídica precisam caminhar lado a lado.
A participação de Alessandro Cecere no Ethereum Brasil 2025 marcou um ponto de inflexão para o mercado: as stablecoins deixam de ser ativos de nicho e passam a ocupar posição central na infraestrutura financeira do país, com potencial para transformar comércio, empreendedorismo e a inserção do Brasil na economia digital global.