SEC elege modelo de blockchain à prova de ataques quânticos para proteger trilhões em cripto

Documento inédito apresentado à agência reguladora dos EUA traça roteiro de migração para nova infraestrutura de segurança e cita protocolo específico como referência

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Sede da Securities and Exchange Commission (SEC) — Foto: Tierney L. Cross/Bloomberg

A segurança do sistema financeiro digital, que movimenta trilhões de dólares, acaba de ganhar um novo capítulo regulatorio nos Estados Unidos. Uma pesquisa independente submetida à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês) estabeleceu o primeiro roteiro formal para proteger o mercado de uma ameaça ainda incipiente, porém catastrófica: a computação quântica.
O estudo, vinculado ao Marco de Infraestrutura Financeira Pós-Quântica (PQFIF), sinaliza uma mudança de patamar na abordagem regulatória: da simples advertência sobre o risco à definição de um caminho tecnológico concreto. O documento não apenas elege o blockchain pós-quântico como padrão de segurança futuro, mas, de forma incomum para um texto desse nível, chega a citar em seu corpo um protocolo específico — o Naoris Protocol — como referência para a proteção do mercado. 

A pesquisa foi encaminhada ao Grupo de Trabalho sobre Ativos Cripto dos EUA, sinalizando que a adaptação à chamada "era pós-quântica" migrou da esfera teórica para a prática regulatória. A urgência, segundo especialistas, se deve ao fato de que os computadores quânticos, quando se tornarem viáveis, poderão quebrar a criptografia que protege carteiras, exchanges e transações blockchain atuais, colocando em risco todo o ecossistema.
Os Pilares da Solução Apontada pela SEC
O documento não se limita a indicar uma tecnologia, mas detalha os critérios que a tornam adequada para o ambiente financeiro regulado. A solução referenciada é validada por três características principais:
Privacidade e Conformidade: A arquitetura do protocolo integra zero-knowledge proofs (provas de conhecimento zero), garantindo a privacidade dos dados em sintonia com regras rígidas como GDPR (Europa) e CCPA (Califórnia). 
Transição Gradual: Sua implementação em ambientes de teste reais é comparada ao Projeto Agorá do Banco de Compensações Internacionais (BIS), facilitando uma migração suave para instituições financeiras tradicionais, sem rupturas bruscas. 
Robustez Comprovada: O estudo recomenda a adoção desta abordagem como uma "solução comprovada", em detrimento de alternativas ainda teóricas, para acelerar a transição de segurança.
Mercado Bilionário e Corrida Contra o Relógio
A migração para a criptografia pós-quântica já é um mercado em ascensão, avaliado em mais de US$ 7,1 bilhões. A expectativa é que até 20 bilhões de dispositivos em todo o mundo precisem ser atualizados para os novos padrões de segurança nas próximas duas décadas – uma janela de tempo que, embora pareça longa, exige planejamento imediato devido à complexidade da transição.
"Nossa citação nesta pesquisa reflete nosso trabalho em construir uma infraestrutura segura para uma nova era", afirmou David Carvalho, fundador e CEO da Naoris.
A rede do protocolo, que opera sob um consenso batizado de "Prova de Segurança Descentralizada", já demonstrou sua capacidade em escala. Desde o lançamento de sua rede de testes em janeiro, a empresa relata ter processado mais de 98 milhões de transações com criptografia pós-quântica e mitigado 463 milhões de ameaças cibernéticas.
A liderança da Naoris chama a atenção pelo peso de seus integrantes, que inclui desde David Holtzman, ex-CTO da IBM, até Mick Mulvaney, ex-chefe de gabinete da Casa Branca, indicando uma estratégia que mescla expertise técnica de alto nível com conhecimento em regulação e políticas públicas. 
A validação de um modelo específico por um estudo apresentado à SEC marca um passo significativo na maturação do setor, indicando que a proteção contra ameaças futuras é, agora, uma prioridade regulatória presente.