Debêntures brasileiras chegam à blockchain e avançam na tokenização da renda fixa

VERT tokeniza debêntures da Mottu e do Banco Pine na XDC Network, somando US$ 375 milhões e ampliando transparência no mercado de renda fixa

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A integração entre blockchain pública e mercado tradicional de capitais começa a ganhar escala no Brasil. A VERT Capital anunciou a tokenização de debêntures emitidas pela empresa de mobilidade urbana Mottu e pelo Banco Pine na XDC Network, elevando para cerca de US$ 375 milhões o volume total de ativos registrados na rede.

O movimento reforça uma tendência crescente no setor financeiro: o uso da tecnologia como infraestrutura complementar para ampliar transparência e visibilidade global de ativos de renda fixa, sem substituir os sistemas regulatórios existentes.

Infraestrutura híbrida ganha espaço no mercado financeiro

Diferentemente das primeiras iniciativas associadas ao universo cripto, focadas na criação de ativos totalmente digitais, o modelo adotado nas operações mantém os títulos registrados em estruturas centralizadas sob responsabilidade de intermediários tradicionais.

A blockchain passa a funcionar como uma camada adicional de registro e acompanhamento.

Nesta etapa, o objetivo principal é permitir maior transparência e monitoramento quase em tempo real por investidores locais e internacionais.

Segundo Diego Consimo, Head de LATAM da XDC Network, a tokenização amplia o alcance dos ativos brasileiros sem alterar sua base regulatória.

“A tokenização amplia a transparência, a rastreabilidade e a visibilidade global dos ativos brasileiros, sem substituir os sistemas existentes ou comprometer o alinhamento regulatório”, afirma.

Debêntures conectam logística urbana e crédito corporativo à Web3

Entre as operações anunciadas está a debênture da Mottu, empresa focada na locação de motocicletas para logística de última milha. Aproximadamente US$ 60 milhões já foram tokenizados dentro de uma emissão total prevista de cerca de US$ 93 milhões.

A companhia vem ampliando suas operações na América Latina, atendendo principalmente serviços ligados à entrega urbana.

Já a emissão do Banco Pine soma aproximadamente US$ 268 milhões tokenizados. A instituição atua no financiamento de empresas de médio e grande porte e possui trajetória consolidada no crédito corporativo brasileiro.

A escolha por ativos de dívida corporativa reforça o avanço da tokenização para além de projetos experimentais, aproximando a tecnologia de instrumentos amplamente utilizados no financiamento empresarial.

Blockchain pública como infraestrutura neutra

Para Gabriel Braga, diretor de Ativos Digitais da VERT Capital, o uso de redes públicas tende a ganhar relevância justamente por permitir inovação mantendo mecanismos tradicionais de proteção ao investidor.

“Esse modelo permite inovação aberta, redução de fricções operacionais e maior interoperabilidade, ao mesmo tempo em que mantém mecanismos de proteção ao investidor por meio de regras de governança e permissionamento nos contratos inteligentes”, explica.

A meta da companhia é alcançar US$ 1 bilhão em ativos tokenizados dentro da XDC Network até o final de 2026.

Tokenização avança como ponte entre finanças tradicionais e ativos digitais

Especializada em finanças estruturadas e emissão de ativos digitais em conformidade regulatória, a VERT aposta na tokenização como ferramenta para ampliar o acesso global a ativos do mundo real.

A XDC Network atua como blockchain pública de camada 1 voltada a aplicações institucionais, incluindo tokenização de ativos reais, pagamentos internacionais e soluções em finanças descentralizadas.

O avanço das debêntures tokenizadas sinaliza uma etapa mais pragmática da adoção da Web3 no sistema financeiro: menos ruptura e mais integração.

À medida que títulos tradicionais passam a incorporar registros distribuídos como infraestrutura adicional, a tokenização começa a migrar do campo experimental para o cotidiano do mercado de capitais.