Mapa de stablecoins revela 150 operadores na América Latina

Plataforma colaborativa organiza empresas do setor em 14 categorias e evidencia disputa por infraestrutura no mercado de stablecoins na região

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O mercado de stablecoins da América Latina ganhou nesta semana uma nova ferramenta de monitoramento e visibilidade. Lançado durante a Stable Conference, realizada na Cidade do México, o Stable Operator Map reúne mais de 150 operadores distribuídos em oito países e organizados em 14 categorias, em um banco de dados colaborativo que busca mapear a infraestrutura por trás da expansão desses ativos digitais na região.

A iniciativa, desenvolvida pela Lumx e apresentada no evento anual da Bitso, surge em um momento de crescimento acelerado do setor e ajuda a evidenciar onde está concentrada a disputa entre empresas: a maior categoria do mapa é a de agregação, orquestração e on/off ramps, com 36 operadores, indicando que a batalha por infraestrutura de entrada e saída de capital é hoje o principal campo competitivo.

Diferentemente dos tradicionais relatórios fechados do setor, o Stable Operator Map adota um modelo aberto de participação, com submissão pública e critérios transparentes de inclusão. Para integrar a base, as empresas precisam comprovar operação ativa na América Latina, produto funcional há pelo menos seis meses e evidências públicas de atuação, como integrações e parcerias.

"Toda vez que um novo landscape saía, faltavam empresas que estavam fazendo a coisa certa. Já ficamos de fora, já vimos parceiros sérios ficarem de fora. Decidimos criar um formato em que os critérios são públicos e a comunidade é quem constrói." afirma Caio Barbosa, founder e co-CEO da Lumx.

O mapa organiza o ecossistema em camadas que vão de exchanges e emissores de stablecoins até neobancos, provedores de liquidez, infraestrutura de carteiras, payroll e pagamentos P2P, além de incluir a camada de blockchains utilizadas — como Ethereum, Solana e Polygon — evidenciando o papel da interoperabilidade na expansão do setor.

A presença simultânea de empresas nativas de cripto e instituições financeiras tradicionais, incluindo bancos, fintechs e grandes plataformas de pagamento, indica um avanço na institucionalização do mercado na região. Entre os operadores listados estão nomes como Bitso, Binance, Mercado Pago, BTG Pactual e Circle, além de uma série de startups especializadas em infraestrutura.

Outro diferencial é a inclusão de casos reais de operação. Empresas aprovadas podem publicar detalhes sobre corredores de pagamento, desafios enfrentados e soluções implementadas, transformando o mapa em uma base prática de conhecimento sobre o uso de stablecoins na América Latina.

"Não é um ranking, é um mapa. Ele mostra todas as empresas que atendem aos critérios, inclusive concorrentes diretos da Lumx. É colaboração, não competição: a categoria cresce quando a comunidade se enxerga", reforça Amanda Marques, CMO da Lumx.

"Passamos um bom tempo construindo um produto sério e entendendo as responsabilidades legais de operar em um mercado que atravessa um momento regulatório decisivo no Brasil. É preciso reconhecer quem está fazendo a coisa certa, com resiliência. E, em nível LATAM, queremos que essa visibilidade gere conexões entre empresas e fornecedores”, completa.

O lançamento ocorre em meio à consolidação do mercado de stablecoins na América Latina, que já movimentou mais de US$ 300 bilhões em 2025, segundo estimativas do setor. A expectativa é que esses ativos superem operadores tradicionais de remessas até 2027, impulsionados por custos mais baixos, liquidação em tempo real e crescente adoção em economias com instabilidade cambial.

Com o Stable Operator Map, a Lumx tenta ocupar uma posição estratégica além da infraestrutura técnica, atuando como organizadora de um ecossistema ainda fragmentado — e criando uma camada de inteligência em um momento em que regulação, escala e integração passam a definir os vencedores do setor.