A Coopfy, empresa de infraestrutura para ativos digitais fundada por Fernando Zanatta, executivo com passagens por Netshoes, Dafiti, Buscapé e ZAX, projeta processar mais de R$ 5 bilhões em operações até o fim de 2026. A companhia desenvolveu uma plataforma que reúne serviços bancários, gestão de ativos, pagamentos, compliance e monitoramento transacional em um único ambiente, com foco em bancos, fintechs e empresas do setor.
Desde o início das operações, a empresa afirma ter analisado mais de 2 milhões de transações e atender clientes em processo de autorização como Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs), além de instituições de pagamento já integradas à plataforma, como a Pagsmile. A Coopfy também conta com o Finservices como banco parceiro, responsável pela camada bancária das operações.
A plataforma realiza processos de KYC (Know Your Customer), KYB (Know Your Business) e KYT (Know Your Transaction), permitindo a validação de usuários, empresas e transações antes da conversão dos recursos em ativos digitais. Segundo a empresa, o sistema foi desenvolvido para realizar análises em tempo real e identificar inconsistências e padrões de risco antes da efetivação das operações.
De acordo com a empresa, transações classificadas como suspeitas podem ser bloqueadas em poucos segundos, reduzindo a exposição de instituições financeiras e empresas de ativos digitais a fraudes e movimentações potencialmente de risco.
A solução reúne, em uma única infraestrutura, serviços de banco, monitoramento blockchain, gestão de carteiras digitais, pagamentos e obrigações regulatórias. O modelo também permite integração com fornecedores já utilizados pelos clientes, mantendo a operação existente.
O principal diferencial da plataforma está no compliance incorporado à própria infraestrutura. As operações, desde movimentações bancárias até transações em blockchain e conversões de ativos digitais, passam por mecanismos de validação, monitoramento e prevenção a ilícitos durante sua execução.
Disponível em modelo white label, a plataforma reúne gestão de wallets multiblockchain, gestão bancária multibancos, swap de saldos na rede Tron, processamento de pagamentos com conversão automática de ativos, emissão de contratos digitais, emissão de notas fiscais, processos integrados de KYC, KYB e KYT, além da geração de relatórios regulatórios e obrigações de compliance, como Decripto, ACAM 220, informe de clientes e informe de saldos.
Segundo Fernando Zanatta, a solução busca reduzir o tempo e os custos necessários para que instituições desenvolvam internamente uma infraestrutura compatível com as exigências regulatórias do mercado de ativos digitais.
"Grande parte do mercado opera com soluções fragmentadas. Uma empresa contrata um fornecedor para banco, outro para compliance, outro para monitoramento blockchain e outro para gestão de ativos digitais. Nossa proposta é reunir toda essa infraestrutura em um único ambiente, onde a conformidade já faz parte da operação desde o primeiro momento", afirma.
A empresa avalia que a construção de uma estrutura própria com esse nível de integração pode demandar investimentos elevados e meses de desenvolvimento, especialmente diante das novas exigências regulatórias do setor.
Regulamentação impulsiona demanda por infraestrutura
Além do monitoramento transacional, a plataforma foi desenvolvida para facilitar o relacionamento entre empresas de ativos digitais e instituições financeiras, um dos desafios enfrentados pelo setor nos últimos anos.
De acordo com o comunicado enviado à redação do Web3News, os mecanismos de validação, rastreabilidade e gestão de riscos permitem que bancos e fintechs tenham maior visibilidade sobre as operações realizadas por empresas do segmento. A empresa avalia que essa camada de monitoramento tende a se tornar um requisito para ampliar a integração entre companhias de ativos digitais e instituições financeiras tradicionais.
O movimento ocorre em meio ao avanço do marco regulatório brasileiro. Com as Resoluções nº 519, 520 e 521 do Banco Central, em vigor desde fevereiro de 2026, as Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs) passaram a operar sob autorização e supervisão direta da autoridade monetária, com prazo até 30 de outubro de 2026 para protocolar seus pedidos de autorização.
Na avaliação da empresa, a regulamentação deve ampliar a participação de instituições financeiras tradicionais no mercado e aumentar a demanda por ferramentas voltadas à gestão de riscos, monitoramento de operações, integração bancária e conformidade regulatória.
"Durante muito tempo a inovação esteve concentrada na criação de ativos, plataformas e novos produtos. Agora começamos a ver uma preocupação crescente com processos, governança, monitoramento e segurança. Esse movimento deve acelerar à medida que o mercado amadurece e a regulação avança", afirma Zanatta.
Para a empresa, o mercado de ativos digitais entrou em uma fase de consolidação na qual a infraestrutura passa a desempenhar papel central para o desenvolvimento do setor.
"O futuro do setor depende da capacidade de construir infraestrutura capaz de conectar inovação e conformidade. É isso que permitirá que o mercado cresça de forma sustentável nos próximos anos", conclui.