O retorno do fluxo para os ETFs de bitcoin nos Estados Unidos ainda não foi suficiente para recolocar a maior criptomoeda do mercado em trajetória de alta. Enquanto os fundos registraram a maior captação desde abril, investidores de longo prazo continuam reduzindo posições, mantendo o ativo negociado próximo dos US$ 64 mil.
Os ETFs spot listados nos Estados Unidos receberam US$ 244 milhões em entradas líquidas na quarta-feira (5), elevando a captação acumulada da semana para aproximadamente US$ 626 milhões, o maior fluxo semanal desde o fim de abril.
Os dados on-chain mostram um movimento na direção oposta.
Levantamento divulgado pelo Mercado Bitcoin aponta que, entre 30 de julho e 5 de agosto, investidores classificados como detentores de longo prazo reduziram suas posições em aproximadamente 210 mil bitcoins. Ainda não há consenso sobre a origem desse movimento. Parte dos analistas atribui a redução à realização de lucros após a recuperação recente dos preços. Outra hipótese é a reorganização de custódias após mudanças envolvendo a fabricante de carteiras Coldcard.
Seja por realização de lucros ou reorganização de custódia, o resultado foi o aumento da oferta disponível justamente no momento em que os ETFs voltaram a comprar.
Os ETFs voltaram às compras.
Os holders continuaram vendendo.
Essa combinação ajuda a explicar por que o bitcoin permanece sem força para romper a faixa dos US$ 64 mil, apesar da retomada da demanda institucional.
Nos ciclos anteriores de valorização, investidores institucionais e holders costumavam ampliar posições ao mesmo tempo, reduzindo a oferta disponível no mercado. Agora, o movimento ocorre em direções opostas. Enquanto o capital novo entra pelos ETFs, parte dos investidores que atravessou a forte valorização de 2025 aproveita a recuperação para reduzir exposição.
O bitcoin segue negociado próximo da média móvel de 50 dias, uma das principais referências técnicas do curto prazo. A pressão vendedora perdeu intensidade desde a correção registrada em junho, mas os indicadores ainda não confirmam uma reversão consistente da tendência.
No ambiente macroeconômico, o mercado continua acompanhando os próximos indicadores da economia americana, que podem alterar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve. Também permanecem no radar os desdobramentos das negociações envolvendo o Estreito de Ormuz, com potencial para influenciar o preço do petróleo e o apetite global por ativos de risco.
O fluxo para os ETFs mostrou que o investidor institucional voltou ao mercado. A reação dos preços indica que isso, sozinho, ainda não basta. Enquanto a realização dos holders continuar compensando a entrada de capital novo, o bitcoin tende a permanecer negociando dentro de uma faixa estreita, à espera de um desequilíbrio entre oferta e demanda capaz de definir seu próximo movimento.