A Atlas Inc., plataforma brasileira de infraestrutura financeira voltada a mercados privados fundada por ex-executivos do Mercado Bitcoin, integrou sua esteira de tokenização de ativos reais (RWA) ao XRP Ledger (XRPL).
Como parte do acordo, a empresa foi selecionada para receber suporte técnico e acesso à infraestrutura do ecossistema, incluindo uma bolsa dedicada ao financiamento do projeto.
O anúncio da Atlas Inc. ocorre na mesma semana em que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) formalizou a criação de uma divisão dedicada a tecnologias financeiras emergentes. Em depoimento exclusivo ao WB3News, Felipe Siqueira, cofundador e co-CEO da Atlas Inc., é natural que o mercado avance à frente da regulação:
"Entendemos que o regulador trabalha sempre após a inovação. E nunca antes. O que é ótimo. E a CVM tem feito isso muito bem. Então a Atlas trabalha como o player de inovação, zelando pelo compliance, e cada vez mais próximo do regulador para que este regule o mercado da melhor forma possível."
A plataforma da Atlas Inc. oferecerá um pipeline completo para emissão, gestão e negociação de ativos tokenizados. Segundo a Atlas, a tecnologia do XRP Ledger viabiliza a emissão, transferência e liquidação de ativos digitais de forma eficiente, contribuindo para simplificar processos regulatórios, operacionais e tecnológicos de empresas, instituições financeiras e gestoras que queiram operar nesse mercado.
Ao integrar o ecossistema XRPL, a companhia amplia sua capacidade de originar e estruturar ativos alternativos, conectando gestores, instituições financeiras e investidores por meio da tecnologia blockchain e da inteligência artificial (IA). Os primeiros pilotos e entregas da plataforma no XRPL estão previstos para os próximos meses.
"Acreditamos que a tokenização será um dos maiores movimentos de transformação da economia global nas próximas décadas. Desenvolver sobre o XRP Ledger acelera nossa capacidade de construir uma infraestrutura robusta e escalável, projetada para conectar ativos do mundo real ao ambiente digital", diz Siqueira.
O perfil inicial de clientes da Atlas Inc. é composto por empresas de supply-chain financing, com alta demanda de capital de giro. Para esse público, a tokenização endereça um problema específico: a possibilidade de captar recursos de forma mais pulverizada — por canais distintos do mercado institucional — e em escala global, ampliando o potencial de atração de investidores.
Nos primeiros meses de operação, a Atlas Inc. já estruturou aproximadamente R$ 300 milhões em operações. Siqueira estima que há no mínimo U$ 5 bilhões em oportunidades nos segmentos de crédito estruturado, infraestrutura, telecomunicações, imóveis e operações internacionais.
Enquanto isso, a Resolução CVM nº 246, de 30 de julho de 2026, determinou a criação da Divisão de Tecnologia Financeira (DITEC) dentro da estrutura do órgão regulador. A norma foi aprovada em reunião do Colegiado em 28 de julho e assinada pelo presidente da CVM, Otto Eduardo Fonseca de Albuquerque Lobo.
Cabe à DITEC prestar assessoria técnica interna sobre "tecnologias financeiras emergentes aplicadas ao mercado de valores mobiliários", avaliar suas implicações para agentes regulados e para o mercado, elaborar estudos sobre os riscos associados e interagir com instituições externas sobre o tema.
O escopo da nova divisão é amplo e não se restringe à tokenização. A mesma resolução também reitera as atribuições da CVM em governança de dados e uso ético de inteligência artificial.
Com um histórico de colaboração com reguladores, os fundadores da Atlas Inc. pretendem atuar em interlocução direta com a autarquia, inclusive provendo soluções que contribuam para o ordenamento do mercado. Um dos produtos de inteligência artificial da Atlas, batizado de Spectra, funciona como agente de monitoramento das operações da própria empresa e de terceiros.
"Nosso trabalho é dar visibilidade total para o investidor e regulador para termos o melhor mercado possível", afirma Siqueira.