Base integra ações tokenizadas a DeFi em mercado que já soma US$ 2,8 bilhões

O mercado de ações tokenizadas triplicou de tamanho em 2026 e já representa 15% de todos os ativos do mundo real (RWA) on-chain.

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  • Usuários da Base já podem negociar frações de ações da Apple, Nvidia e outras empresas 24 horas por dia, com autocustódia e acesso a ecossistema DeFi.
  • Ações tokenizadas na Base podem ser utilizadas como garantia para tomada de empréstimos em stablecoins, além de gerar dividendos aos investidores.

A Base, blockchain construída pela corretora cripto Coinbase, anunciou a integração de ações tokenizadas ao seu ecossistema de finanças descentralizadas (DeFi). De acordo com o comunicado, a partir de agora os usuários da solução de camada 2 da Ethereum podem comprar, vender e utilizar ações tokenizadas em operações estruturadas 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem abrir mão da posse dos ativos.

“Bilhões de dólares em ativos tradicionais já migraram para o ambiente onchain — de moedas fiduciárias a títulos públicos — porque essa tecnologia oferece mais velocidade e menor custo”, afirmou Guilherme Bettanin, líder da Base na América Latina. “As ações são o próximo passo dessa evolução e temos muito orgulho de auxiliar usuários em todo o mundo a terem esse acesso.”

As ações tokenizadas negociadas na Base são garantidas pela Coinbase e ampliam o acesso a liquidez e geração de renda via protocolos DeFi, como destaca o comunicado:

“Ações geram rendimento: elas pagam dividendos, e o empréstimo de ações a outros investidores é uma das atividades de geração de rendimento mais antigas e de maior escala no setor financeiro. As ações também podem ser utilizadas como garantia superior para a obtenção de empréstimos. Isso amplia significativamente a gama de produtos que os protocolos de empréstimo podem oferecer.”

Stani Kulechov, fundador da Aave, o maior protocolo de empréstimos de DeFi em valor total bloqueado, afirmou em uma publicação no X que as ações tokenizadas serão incorporadas à plataforma:

“A Aave será o primeiro protocolo de empréstimos onde os usuários poderão utilizar ações tokenizadas como garantia para tomar empréstimos em stablecoins, criando uma linha de crédito on-chain garantida pela Coinbase.”

O comunicado afirma que o portfólio de ações tokenizadas oferecidas na Base será expandido nas próximas semanas, junto com outros ativos do mundo real. O desenvolvimento da economia agêntica no ecossistema da Base tende a se expandir com a integração de novas classes de ativos. Segundo o comunicado, protocolos focados em soluções de inteligência artificial (IA) para finanças como Virtuals e Treasures já integram ativos tokenizados a estratégias de negociação conduzidas por agentes autônomos.

A integração de IA e ativos do mundo real com outros protocolos do ecossistema visa aprofundar a integração entre a criptoeconomia e o mercado de ações, como destacou Bettanin:

“O sistema financeiro está sendo reconstruído no ambiente on-chain, e os desenvolvedores que constroem na Base estão liderando essa transformação.”

A Base movimentou mais de US$ 17 trilhões em stablecoins em 2025. Esse volume não se limitou a stablecoins atreladas ao dólar, mas a 26 moedas locais.
 

Ações on-chain: o setor que mais cresce no mercado RWA
 

O anúncio da Base ocorre em um momento de expansão acelerada do mercado de ações tokenizadas. Segundo dados do The Block, a participação das ações tokenizadas triplicou desde o começo do ano e já corresponde a 15% do mercado RWA. A capitalização de mercado do setor se aproxima dos US$ 3 bilhões.

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Apesar de ainda representar uma fatia relativamente pequena do mercado total de RWA, as ações tokenizadas são o setor que mais atrai atenção de investidores de varejo e funciona como porta de entrada para outras aplicações on-chain, segundo a análise do The Block.

Atualmente, três plataformas concentram a maior parte do mercado de ações tokenizadas: Ondo Finance, Binance e xStocks respondem, juntos, por 77% do total do mercado. A Ondo lidera com US$ 957 milhões, seguida por bStock (Binance), com US$ 622 milhões, e xStocks, com US$ 600 milhões.

As três plataformas operam com representações sintéticas da ação subjacente: replicam o desempenho do ativo correspondente e oferecem ao investidor um derivativo para negociação, mas sem os mesmos direitos da ação real.

Outras empresas, como a Securitize e a Superstate, estão desenvolvendo uma infraestrutura para integrar a própria ação para o ambiente on-chain, de forma que os papéis negociados ofereçam aos investidores os mesmos direitos das ações convencionais.

Segundo um levantamento da a16z, mais da metade da capitalização total de mercado está concentrada em ativos que não estavam acessíveis on-chain há um ano, o que indica que o crescimento vem principalmente de emissão de novos tokens, e não da valorização das ações subjacentes.

A composição do mercado também mudou. As ações atreladas a empresas criptonativas respondiam por 79% da capitalização há um ano. Em junho, caíram para 21%. A categoria "outros", que abriga empresas de diferentes setores da economia, assumiu a liderança, subindo de 15% para 35% no período. Big techs também ganharam espaço, saltando de 0,6% para 10,6% da capitalização, enquanto ETFs e índices cresceram de 4,5% para 17,3%.

No entanto, a categoria que mais avançou foi a de IA e chips: saltou de menos de US$ 1 milhão (0,3% do mercado) em junho de 2025 para 15,5% da capitalização um ano depois.

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O volume mensal de transferência de ações tokenizadas seguiu a mesma curva: atingiu US$ 9,22 bilhões em junho, ante US$ 53 milhões no mesmo mês do ano anterior — um salto de mais de 170 vezes, segundo a a16z.

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Wall Street também está migrando on-chain

O movimento de tokenização de ações não se restringe a plataformas focadas em ativos digitais. Segundo a a16z, a DTCC já testou a negociação de Treasuries e ações tokenizadas na rede Canton. O lançamento do serviço completo está programado para outubro e deve dar a Wall Street acesso direto a cerca de US$ 114 trilhões em ativos hoje custodiados pela DTCC. Recentemente, a Robinhood também lançou sua própria blockchain, integrando mercados tradicionais, cripto e RWA em uma rede aberta.

A capitalização das ações tokenizadas ainda é pequena perto do mercado de ações tradicional, que movimenta dezenas de trilhões de dólares por mês. Mas a tendência é que mais emissores e plataformas passem a oferecer esses ativos on-chain, segundo a análise da a16z.

O lançamento das ações tokenizadas na Base oferece aos investidores brasileiros mais uma via de acesso ao mercado global de ações. Conforme noticiado pelo WB3News, no início deste mês a Chainless anunciou a integração da Ondo Capital Markets à sua plataforma.