Siga o dinheiro: BC testa sistema de alertas para monitorar fluxo entre bancos e cripto

BC utilizará ferramenta Hypernative, startup israelense de segurança que salvaguarda mais de US$ 100 bilhões em ativos digitais e tem Coinbase e Cricle como clientes.

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  • Regina Pedroso, diretora-executiva da ABToken, diz que a preocupação central do BC é a rastreabilidade do dinheiro que sai do sistema bancário tradicional para as carteiras cripto.
  • Sistema já foi testado com bancos e corretoras e deve ser adotado oficialmente nas próximas duas semanas.

 O Banco Central prepara a implementação de um sistema de monitoramento e compartilhamento de alertas sobre atividades suspeitas envolvendo criptoativos, apurou reportagem do Valor Econômico. A ferramenta desenvolvida pela startup israelense de cibersegurança Hypernative já passou por testes que envolveram o próprio BC e corretoras como Mercado Bitcoin e Foxbit, segundo Regina Pedroso, diretora-executiva da Associação Brasileira de Tokenização (ABToken).

Sediada em Tel Aviv, a Hypernative diz manter a salvaguarda de mais de US$ 100 bilhões em ativos digitais para clientes como Coinbase, Circle e OKX. Em junho de 2025, a startup levantou US$ 40 milhões em uma rodada de financiamento Série B de US$ 40 milhões, liderada pela Ten Eleven Ventures e pela Ballistic Ventures, elevando o total captado a pelo menos US$ 56 milhões.

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Rastreabilidade do dinheiro é a prioridade do BC

A discussão sobre a adoção de um sistema para identificar transações suspeitas começou no fim de 2025, quando o Banco Central procurou associações e entidades do mercado para formar um grupo de trabalho dedicado ao monitoramento e alerta de ataques cibernéticos envolvendo criptoativos. A ABToken foi uma das entidades que participaram das primeiras reuniões para discutir a iniciativa, segundo Pedroso.

Pedroso explicou que a lógica por trás da iniciativa passa pela necessidade de o BC acompanhar o fluxo de recursos que sai das instituições financeiras tradicionais para o mercado cripto:

"Uma preocupação grande do Banco Central é a rastreabilidade do dinheiro quando sai dos bancos tradicionais para o setor cripto, para as carteiras cripto."

A expectativa é que o sistema comece a ser implementado pelas associações do setor nas próximas duas semanas. As entidades receberão os alertas emitidos pelo Banco Central e ficarão responsáveis por repassá-los aos próprios associados. Segundo Pedroso, todos os associados das entidades participantes deverão ter acesso às notificações.

O próximo passo, segundo a executiva, é processual, uma vez que as questões técnicas já foram testadas. As associações estão se estruturando para operar como elo de distribuição entre o Banco Central e os agentes do mercado:

"O desafio agora é de implantação da ferramenta. Já foi testada pelo Banco Central, já emitiram alguns boletins e agora as associações têm que se adequar para receber e distribuir entre os associados o alerta."


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