Stablecoins são ativos digitais desenvolvidos para manter seu valor associado a uma moeda ou outro ativo, sendo o dólar a principal referência. Utilizadas em pagamentos, transferências internacionais, negociação de criptomoedas e aplicações financeiras digitais, elas se tornaram parte importante da infraestrutura do mercado cripto. No Brasil, já representam cerca de 80% do volume declarado de criptoativos e estão inseridas no processo de regulamentação conduzido pelo Banco Central e em novas obrigações de informação à Receita Federal.
As stablecoins se tornaram uma das principais aplicações dos ativos digitais e da tecnologia blockchain. Diferentemente de criptomoedas como Bitcoin e Ether, cujo preço pode apresentar grandes oscilações em períodos relativamente curtos, as stablecoins são desenvolvidas para manter seu valor associado a outro ativo, geralmente uma moeda fiduciária como o dólar.
Na prática, uma stablecoin atrelada ao dólar busca manter seu preço próximo de US$ 1. Isso permite utilizar infraestruturas baseadas em blockchain para movimentar valores sem necessariamente assumir a volatilidade típica de outras criptomoedas.
Esse modelo fez com que as stablecoins ganhassem espaço em pagamentos, transferências internacionais, negociação de criptoativos, aplicações financeiras e diferentes serviços da economia digital.
No Brasil, sua relevância também aumentou de forma significativa. Dados divulgados pela Receita Federal em julho de 2026 mostram que as stablecoins já representam cerca de 80% do volume declarado de criptoativos no país.
Stablecoins são ativos digitais desenvolvidos para manter um valor relativamente estável em relação a um ativo de referência.
A referência mais comum é o dólar norte-americano. Nesse caso, o objetivo é que cada unidade da stablecoin mantenha uma cotação próxima de US$ 1.
Também podem existir stablecoins associadas a outras moedas, como euro ou real, além de estruturas vinculadas a diferentes tipos de ativos.
No Brasil, a regulamentação do Banco Central utiliza o conceito de “ativo virtual referenciado em moeda fiduciária” para definir stablecoins lastreadas em ativos de reserva e criadas com o propósito de manter seu valor vinculado a uma moeda fiduciária.
É importante observar que possuir uma stablecoin denominada em dólar não significa necessariamente possuir dólares depositados diretamente em uma conta bancária. O usuário possui um ativo digital emitido de acordo com as regras e a estrutura estabelecidas pelo emissor.
O funcionamento depende do modelo utilizado.
Nas stablecoins lastreadas em moeda fiduciária, o emissor mantém ativos de reserva que sustentam os tokens em circulação.
De maneira simplificada, quando novas unidades são emitidas, ativos equivalentes devem integrar as reservas utilizadas para sustentar aquela emissão. Quando os tokens são resgatados, eles podem ser retirados de circulação.
O objetivo desse mecanismo é preservar a relação entre o valor dos tokens emitidos e os ativos mantidos como reserva.
A composição, transparência e qualidade dessas reservas são, portanto, elementos importantes para avaliar uma stablecoin.
Entre as stablecoins mais conhecidas internacionalmente estão USDT, emitida pela Tether, e USDC, emitida pela Circle.
Ambas buscam manter paridade com o dólar norte-americano e circulam em diferentes redes blockchain.
Existem ainda stablecoins com outros modelos de funcionamento e diferentes estruturas de garantia.
Por isso, embora vários ativos sejam agrupados sob o termo “stablecoin”, eles não apresentam necessariamente o mesmo grau de liquidez, transparência, estrutura de reservas ou risco.
As stablecoins podem cumprir diferentes funções dentro do mercado de ativos digitais.
Uma de suas aplicações é a movimentação de recursos por meio de redes blockchain.
Dependendo da infraestrutura utilizada, uma pessoa ou empresa pode transferir stablecoins entre carteiras digitais sem utilizar diretamente os sistemas bancários tradicionais para cada etapa da operação.
Isso tornou esses ativos particularmente relevantes para operações internacionais.
Investidores também utilizam stablecoins para reduzir temporariamente sua exposição às oscilações de criptomoedas como Bitcoin e Ether.
Em vez de converter os recursos novamente para moeda fiduciária, o investidor pode movimentá-los para uma stablecoin.
Stablecoins funcionam como importantes pares de negociação nas exchanges.
Pares como BTC/USDT e ETH/USDT permitem negociar criptomoedas utilizando como referência um ativo que busca acompanhar o valor do dólar.
Outro caso de uso em expansão é o pagamento de produtos e serviços.
A capacidade de transferir valores digitalmente, inclusive entre países, colocou stablecoins no debate sobre a modernização dos meios de pagamento.
Stablecoins também são utilizadas em protocolos de finanças descentralizadas, empréstimos, operações de liquidez e outros serviços desenvolvidos sobre blockchain.
Nesse contexto, elas frequentemente funcionam como unidade de referência para diferentes operações financeiras.
Não exatamente.
Uma stablecoin vinculada ao dólar busca acompanhar o valor da moeda norte-americana, mas continua sendo um ativo digital emitido por uma entidade ou por um protocolo específico.
Sua segurança depende de fatores como reservas, governança, infraestrutura tecnológica, custódia e capacidade do emissor de honrar eventuais resgates.
Também existe uma diferença importante entre stablecoins privadas e moedas digitais emitidas por bancos centrais, conhecidas como CBDCs.
Uma CBDC representa uma forma digital da moeda oficial emitida ou garantida pela autoridade monetária. Uma stablecoin, por sua vez, normalmente é emitida por uma empresa ou estrutura privada.
A maioria das stablecoins circula em redes blockchain.
Essas redes registram as transferências entre endereços digitais e permitem que os tokens sejam utilizados em carteiras, exchanges, aplicativos e contratos inteligentes.
Uma mesma stablecoin pode inclusive existir em diferentes blockchains.
O usuário precisa observar qual rede está utilizando ao realizar uma transferência, pois enviar ativos utilizando uma infraestrutura incompatível pode provocar perda ou indisponibilidade dos recursos.
O termo “stablecoin” descreve o objetivo de estabilidade do ativo, mas não significa ausência de risco.
Entre os principais pontos estão:
A capacidade de uma stablecoin manter seu valor depende, em muitos modelos, dos ativos utilizados como garantia.
Problemas relacionados à qualidade, disponibilidade ou transparência das reservas podem afetar a confiança no ativo.
Uma stablecoin pode deixar temporariamente de acompanhar o ativo que deveria representar.
Esse fenômeno é conhecido no mercado como “depeg”.
Em situações extremas, a perda de paridade pode se tornar permanente.
Stablecoins centralizadas dependem das empresas responsáveis por sua emissão e administração.
Problemas financeiros, jurídicos ou operacionais envolvendo essas companhias podem repercutir sobre os tokens.
Falhas em contratos inteligentes, redes blockchain, carteiras ou plataformas utilizadas para armazenar e transferir os ativos também representam riscos.
Stablecoins estão no centro das discussões regulatórias em diferentes países.
Mudanças nas regras relacionadas a reservas, emissão, circulação, prevenção à lavagem de dinheiro, câmbio e identificação dos usuários podem alterar a forma como esses ativos são oferecidos e utilizados.
O Brasil avançou na regulamentação do mercado de ativos virtuais nos últimos anos.
O Banco Central é responsável por regular, autorizar e supervisionar as prestadoras de serviços de ativos virtuais dentro das competências definidas pela legislação.
A Resolução BCB nº 520, de 2025, passou a tratar expressamente dos ativos virtuais referenciados em moeda fiduciária e das reservas relacionadas a esses instrumentos.
O assunto também possui implicações cambiais, fiscais e de prevenção à lavagem de dinheiro.
Desde julho de 2026, as operações com criptoativos passaram a integrar a nova estrutura de prestação de informações à Receita Federal por meio da DeCripto.
O avanço regulatório ocorre justamente em um momento de forte utilização desses ativos no país.
Segundo a Receita Federal, as stablecoins representam aproximadamente 80% do volume declarado de criptoativos no Brasil.
Stablecoins fazem parte do universo dos criptoativos, mas possuem uma característica que as diferencia de ativos como Bitcoin.
Enquanto o preço do Bitcoin é determinado principalmente pela oferta e demanda no mercado, uma stablecoin é construída com o objetivo explícito de acompanhar o valor de outro ativo.
Essa diferença faz com que seus casos de uso também sejam distintos.
Bitcoin pode ser utilizado como ativo de investimento, reserva de valor ou meio de transferência. Stablecoins são frequentemente utilizadas como instrumento de liquidação, pagamento e movimentação de valores dentro da economia digital.
Não.
A tokenização é o processo de representar digitalmente determinados ativos ou direitos.
Uma stablecoin é um tipo específico de token cujo objetivo é manter seu valor referenciado em outro ativo, normalmente uma moeda fiduciária.
As duas tecnologias, entretanto, podem funcionar de forma complementar.
Mercados de ativos tokenizados precisam de mecanismos para realizar pagamentos e liquidação das operações. Stablecoins podem exercer justamente essa função em determinadas infraestruturas.
As stablecoins ajudam a conectar dois ambientes que historicamente funcionavam de maneira separada: o sistema financeiro tradicional e as redes blockchain.
Ao representar digitalmente valores vinculados a moedas fiduciárias, elas permitem utilizar características das redes de ativos digitais — como transferências programáveis e integração com contratos inteligentes — sem necessariamente assumir a mesma volatilidade de outras criptomoedas.
Essa combinação colocou as stablecoins no centro das discussões sobre pagamentos internacionais, tokenização, infraestrutura financeira e regulação de ativos digitais.
À medida que bancos, fintechs, empresas de tecnologia e autoridades monetárias ampliam suas iniciativas nesse mercado, compreender como esses ativos funcionam se torna cada vez mais relevante para entender a transformação da infraestrutura financeira.
Nenhuma stablecoin é totalmente livre de riscos. É necessário avaliar o emissor, as reservas, a liquidez, a infraestrutura utilizada e os mecanismos de custódia.
As stablecoins vinculadas ao dólar buscam manter esse valor, mas a cotação pode apresentar pequenas variações e, em situações de estresse, perder temporária ou definitivamente a paridade.
Sim. USDT e USDC estão entre as maiores stablecoins vinculadas ao dólar em circulação no mercado.
Não. Uma stablecoin vinculada ao dólar é um ativo digital criado para acompanhar o valor da moeda norte-americana. Sua estrutura jurídica e financeira não é necessariamente equivalente à posse direta de dólares.
O uso de ativos virtuais não é proibido no Brasil. O mercado está sujeito a regras específicas e a regulamentação de prestadores de serviços pelo Banco Central, além de obrigações fiscais e outras normas aplicáveis.
Entre seus principais usos estão transferências de valores, pagamentos, negociação de criptomoedas, liquidação de operações, aplicações financeiras digitais e exposição ao valor de moedas como o dólar.