Google une Gemini, Android e ChromeOS com o Googlebook, notebook otimizado para IA

Nova categoria de notebooks do Google chega às lojas dos EUA em 4 de outubro, com preço mínimo de US$ 899, ainda sem previsão de lançamento no Brasil.

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  • O Googlebook integra o Gemini ao cursor (Magic Pointer), ao ditado de voz (Rambler) e à criação de widgets. Todos os modelos trazem NPUs acima de 45 TOPS, marca que supera a exigência de 40 TOPS dos Copilot+ PCs da Microsoft.
  • Entre o anúncio de maio e a pré-venda, o Google deslocou a ênfase do Gemini para a integração com o celular Android.

O Google abriu em 21 de setembro de 2026 a pré-venda do Googlebook, nova categoria de notebooks com o Gemini integrado ao sistema operacional, com preços a partir de US$ 899. Os primeiros modelos estão sendo fabricados por Acer, ASUS, Dell, HP e Lenovo, com processadores Intel e Qualcomm e unidades de processamento neural (NPUs), chips dedicados a executar tarefas de IA, capazes de processar mais de 45 TOPS (trilhões de operações por segundo), segundo o o comunicado assinado por John Solomon, vice-presidente e gerente-geral de Laptops, Tablets e Android Enterprise do Google.

Os aparelhos chegam às lojas dos Estados Unidos em 4 de outubro e, em 5 de outubro, a Canadá, Reino Unido, Irlanda, França, Alemanha e Austrália. O Brasil está fora da primeira leva. O Google informou à Forbes Brasil que ainda não há previsão de comercialização no mercado brasileiro, e não há, portanto, preço em reais.

O Googlebook roda o Googlebook OS, construído sobre as camadas do Android e com propriedades de desktop herdados do ChromeOS. O aparelho substitui o Chromebook, lançado há mais de 15 anos. Alex Kuscher, diretor sênior de Laptops e Tablets do Google, justificou a renovação da categoria no primeiro anúncio do produto, digulgado em maio:

"Há mais de 15 anos, apresentamos o Chromebook, um notebook criado para um mundo centrado na nuvem. Agora, à medida que passamos de um sistema operacional para um sistema de inteligência, vemos uma oportunidade de repensar os notebooks novamente."

Gemini está integrado no sistema operacional do Googlebook

O primeiro ponto de contato com o Gemini é o cursor. O Magic Pointer, desenvolvido com a equipe do Google DeepMind, é acionado com uma mexida do ponteiro e oferece sugestões contextuais sobre o que é visto na tela. No comunicado de 21 de setembro sobre os recursos de IA do novo notebook, Kuscher descreve apresentou três casos de uso: transformar um plano de treino publicado numa página da web em eventos no Google Calendar, pedir ao Gemini que analise se um e-mail é spam e combinar imagens selecionadas numa única visualização.

O Rambler fica ao lado da tecla Quick Insert e converte ditado de voz em texto organizado, com títulos, listas de tarefas e troca de idioma no meio da frase. O Create My Widget gera widgets a partir de descrições em linguagem natural e, segundo o anúncio , pode se conectar ao Gmail e ao Google Calendar. O Gemini Spark continua processando tarefas em segundo plano depois que o notebook é fechado.

O Magic Pointer só é ativado pelo próprio usuário. A privacidade é um princípio fundamental tanto da função como do produto, afirma Kuscher:

"Desde o primeiro dia, construímos o Magic Pointer com a privacidade no centro. Ele só entra em ação quando é chamado por uma sacudida do cursor e fica desligado quando você não o está usando".

Snapdragon X Elite nos modelos da Dell e da HP

A Qualcomm e a Intel são os fornecedores dos processadores da primeira geração de Googlebooks. Os modelos da Dell, que leva ao Googlebook a marca XPS, e da HP, batizado de HP Googlebook 14, usam o Snapdragon X Elite, da Qualcomm. A fabricante de chips divulgou um comunicado compartilhado com o WB3News em que Solomon enfatiza o papel do processador no sistema:

"Por meio do nosso trabalho com a Qualcomm Technologies, o Snapdragon X Elite oferece o desempenho incrível, a duração da bateria durante todo o dia e a eficiência da NPU necessários para dar vida a esse ecossistema — possibilitando aplicativos Android nativos, conectividade fluida entre dispositivos e recursos intuitivos de inteligência Gemini que mantêm os usuários produtivos e em seu fluxo."

"O resultado é um laptop premium construído especificamente para usuários do Google e Android", afirma Konstantin Tuv, chefe de Produtos para Consumidores e Jogos da Dell Technologies, sobre o Googlebook da linha XPS.

A eficiência da NPU citada por Solomon é o que permite executar a inferência de modelos de IA no próprio aparelho, sem depender de acesso à nuvem. A Microsoft fixou a régua do mercado ao definir os Copilot+ PCs como "uma nova classe de hardware Windows 11" equipada com NPU capaz de "mais de 40 trilhões de operações por segundo". Os Googlebooks superam essa marca.

O Google não apresentou detalhes sobre a divisão entre processamento local e na nuvem, no entanto. Michael Crider, redator da PCWorld que testou os aparelhos no evento de lançamento, relata que a NPU de aproximadamente 45 TOPS executa localmente "algumas poucas coisas", com destaque para o Rambler, e que os demais recursos recorrem ao Gemini:

"Embora a integração com a interface seja impressionante, a capacidade real dessas ferramentas não foi muito além do Circle to Search do Google no Android. E ainda há muito pouco que você possa fazer com um Googlebook que não possa também ser feito numa aba do ChatGPT."

Agentes de IA e ambiente Linux isolado

O Googlebook também oferece recursos específicos para desenvolvedores. Todos os modelos incluem o Antigravity, plataforma de desenvolvimento de agentes de IA do Google, e um terminal completo para rodar ferramentas como Claude Code e Antigravity CLI.

O terminal funciona num ambiente Linux isolado por um hipervisor pKVM com certificação de segurança de nível 5, recurso que, segundo o Google é inédito na categoria de notebooks. Esse isolamento permite a execução de agentes autônomos com segurança. A arquitetura de segurança é a mesma do ChromeOS.

O anúncio divulgado em maio apresentava o Googlebook como a primeira linha de notebooks "projetada do zero para o Gemini Intelligence". No anúncio de pré-venda, divulgado na segunda-feira, 21, o destaque foi deslocado para a integração entre celular e notebook: "Googlebook: o notebook que o seu celular Android estava esperando".

Os recursos de integração ganharam maior destaque. O Continue On é capaz de retomar no notebook uma tarefa iniciada no celular, o Files dá acesso aos arquivos do telefone e o Cast My Apps transmite aplicativos do celular para uma janela na área de trabalho.

"O Googlebook é uma nova categoria de laptops projetados para funcionar perfeitamente com os dispositivos Android dos quais nossos usuários já dependem todos os dias", afirma Solomon no comunicado divulgado pela Qualcomm.

A mudança de posicionamento foi registrada por Crider, que esperava encontrar uma plataforma inteiramente dedicada ao Gemini:

"O posicionamento dos Googlebooks parece ter mudado. Este não é um aparelho dedicado ao Gemini. É um notebook que funciona com o seu celular Android e, em muitos aspectos, fica em segundo plano em relação a ele."

O preço é outra ressalva do redator da PCWorld. O modelo da Acer custa US$ 899, e os demais sobem para a faixa de US$ 1.100 a US$ 1.300, pressionados pela escassez de memória RAM e de chips. Crider aponta a ironia de que a IA, argumento central da plataforma, é também o que encarece o produto.

Google investe no mercado educacional

Todas as diferentes versões do Googlebook incluem 12 meses do plano Google AI Pro, que inclui 5 TB de armazenamento em nuvem e as ferramentas avançadas do Gemini, além de atualizações por até dez anos. No entanto, o Google informou em maio que os Chromebooks atuais continuarão recebendo suporte e que muitos poderão migrar para a experiência do Googlebook. Nas salas de aula, 50 milhões de estudantes e educadores usam Chromebooks, segundo dado divulgado pelo próprio Google em setembro de 2024. Perez destaca que aí reside o dado fundamental sobre o alcance do lançamento:

"O que é mais interessante no Googlebook é como ele parece fazer parte de um plano de longo prazo do Google para capturar uma grande parcela do mercado de ensino básico que hoje depende dos Chromebooks e levá-la em direção ao Gemini, a plataforma de IA da empresa."


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