​G20 cria força-tarefa para discutir o futuro da inteligência artificial

Líderes do grupo das 19 maiores economias do mundo destacam riscos e oportunidades da IA e preveem medidas para inclusão digital

Por

Chefes de Estado se reúnem para foto oficial da Aliança Global contra a Fome e Pobreza após reunião do G20 — Foto: Ricardo Stuckert/PR

O G20, grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo, mais a União Europeia e a União Africana, anunciou a criação de uma força-tarefa para discutir o uso da inteligência artificial (IA). O grupo, que se encontra no Rio de Janeiro para sua cúpula, enfatizou a necessidade de criar diretrizes para o desenvolvimento e a implementação da tecnologia. A presidência da África do Sul, que assume o comando do G20 nesta terça-feira (19), será responsável por coordenar as discussões sobre o tema. O comunicado oficial, divulgado nesta segunda-feira (18), afirma que a iniciativa de alto nível será uma continuidade do grupo de trabalho de economia digital do G20, criado durante a presidência brasileira. Naquela ocasião, ministros do Trabalho e Emprego do G20 já haviam concordado em estabelecer diretrizes para o uso responsável da IA. Embora o texto final do encontro não mencione diretamente a palavra "regulação", ele destaca preocupações éticas e riscos relacionados à tecnologia. Segundo o comunicado, o avanço da IA traz tanto oportunidades para os trabalhadores quanto desafios para a proteção dos direitos e bem-estar das pessoas.
Desafios e preocupações com a IA Entre os pontos discutidos, o G20 levantou o risco de que o desenvolvimento desigual das capacidades digitais entre os países possa aumentar a desigualdade global. Além disso, o grupo ressaltou a importância de reduzir a desigualdade digital de gênero, estabelecendo como meta a redução dessa disparidade até 2030. A inclusão de trabalhadores em situação de vulnerabilidade também foi um tema central nas discussões. O G20 destacou a necessidade de assegurar que os avanços da IA não deixem para trás grupos sociais e regiões com menos acesso à tecnologia. Outro aspecto importante abordado no comunicado é a privacidade e a segurança dos dados. O G20 ressaltou que é essencial garantir a proteção da propriedade intelectual e a segurança das informações pessoais enquanto as tecnologias digitais evoluem.
Preocupações com a desinformação e o discurso de ódio Além das questões sobre a IA e a inclusão digital, o G20 também manifestou preocupação com os impactos negativos das novas tecnologias. De acordo com o texto final da cúpula, a digitalização da informação e a evolução acelerada de tecnologias como a IA contribuíram de forma "dramática" para o aumento da desinformação e do discurso de ódio nas plataformas digitais. O documento alerta para a velocidade e o alcance dessas questões, tanto intencionais quanto não intencionais, que se espalham de maneira acelerada. Os líderes do G20 destacaram a responsabilidade das plataformas digitais em combater esses problemas. O grupo pediu maior transparência e responsabilidade das empresas de tecnologia para garantir a criação de “ecossistemas de informação saudáveis”. No entanto, também reconheceram o potencial das tecnologias digitais para diminuir desigualdades e facilitar a disseminação de informações de forma mais democrática, tanto dentro quanto fora das fronteiras geográficas.
Próximos passos
O próximo passo será definir como essas questões serão tratadas nas agendas políticas e econômicas internacionais. A África do Sul terá o desafio de liderar essas discussões, buscando um equilíbrio entre inovação tecnológica e proteção dos direitos humanos e sociais.