Bitcoin cai abaixo de US$ 60 mil e amplia volatilidade em meio a temores de liquidez

Relatório da Binance Research aponta venda em pânico e alerta para fragilidade da recuperação

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O Bitcoin aprofundou as perdas nesta quinta-feira, 6 de fevereiro, e chegou a ser negociado próximo de US$ 59.800, ampliando a pressão sobre o mercado de criptomoedas. O movimento ocorre após uma sequência de vendas intensas iniciada ainda na faixa entre US$ 90 mil e US$ 95 mil, em um recuo marcado por liquidações rápidas e comportamento de pânico, segundo leituras recentes do mercado.

A queda levou o ativo para uma zona de demanda relevante entre US$ 60 mil e US$ 65 mil, nível onde compradores voltaram a atuar. Após atingir uma mínima próxima de US$ 59.850, o preço reagiu no curto prazo, sinalizando defesa dessa região. Indicadores de sentimento mostram medo extremo entre investidores, acompanhado por aumento de volume nas vendas e forte volatilidade intradiária, sinais típicos de exaustão dos vendedores, ainda que sem confirmação de reversão de tendência.

O movimento ocorre em um contexto mais amplo de preocupação com a liquidez global. Conforme apontado em relatório recente da Binance Research, o mercado cripto passou a precificar um possível aperto monetário nos Estados Unidos após a nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve. A expectativa de uma redução mais agressiva do balanço do banco central elevou a aversão ao risco, pressionando ativos mais líquidos, como as criptomoedas.

Do ponto de vista estrutural, o Bitcoin segue em tendência de baixa no horizonte mais amplo. O preço permanece abaixo das principais médias móveis e de antigas zonas de valor, o que reforça a leitura de que eventuais altas no curto prazo tendem a ser interpretadas como movimentos de alívio, e não como uma retomada consistente do mercado.

No curto prazo, o comportamento do preço gira em torno de uma zona decisiva. A manutenção acima da faixa entre US$ 63.500 e US$ 64.000 mantém viva a tentativa de recuperação. Por outro lado, uma perda consistente desse patamar pode abrir espaço para novos testes da região entre US$ 60.000 e US$ 59.000, considerada uma área de demanda mais ampla.

Dados recentes também mostram que o processo de desalavancagem segue em curso. O índice agregado de alavancagem do Bitcoin permanece acima da média histórica, enquanto o volume de contratos em aberto de derivativos recuou de forma significativa nas últimas semanas, interrompendo o movimento de realavancagem observado no início de 2026.

O relatório da Binance Research destaca ainda que, no fim de janeiro, as liquidações diárias de contratos futuros de criptomoedas atingiram US$ 2,56 bilhões, um evento raro. A análise de episódios semelhantes sugere que movimentos desse tipo nem sempre marcam o fundo do mercado e, historicamente, são seguidos por períodos de consolidação ou enfraquecimento adicional dos preços.

Apesar da instabilidade, alguns fatores de alívio seguem no radar. O fim da paralisação parcial do governo dos Estados Unidos e a aprovação do orçamento federal até setembro de 2026 reduziram incertezas institucionais, embora o mercado permaneça atento aos próximos dados econômicos, especialmente o relatório de empregos, que pode influenciar as expectativas sobre a política monetária e a liquidez global.