Cripto avança para fase institucional no Brasil com nova regulação

MERGE São Paulo 2026 reúne reguladores, bancos e empresas de Web3 para debater regulação de cripto e integração dos ativos digitais ao sistema financeiro

Por

O World Trade Center São Paulo recebe a edição 2026 do MERGE, conferência dedicada ao ecossistema de ativos digitais e Web3

O avanço da regulação de criptoativos no Brasil e na América Latina tem acelerado a entrada de instituições financeiras no setor e ampliado o debate sobre o papel dos ativos digitais no sistema financeiro. O tema estará no centro das discussões do MERGE São Paulo 2026, conferência internacional dedicada ao ecossistema de Web3 e blockchain que ocorre entre 17 e 19 de março na capital paulista.

O evento terá início com um Institutional Summit, no dia 17 de março, no Theatro Municipal de São Paulo, reunindo reguladores, executivos de instituições financeiras e lideranças do setor para mesas-redondas e debates sobre a evolução do mercado de ativos digitais. A conferência principal acontece nos dias 18 e 19 de março no World Trade Center São Paulo.

A programação inclui conferências, painéis, trilhas para startups, áreas de exposição e sessões de networking. O encontro deve reunir mais de 300 palestrantes, mais de 40 expositores e milhares de participantes do ecossistema global de ativos digitais.

Na agenda do evento estão temas como tokenização de ativos do mundo real, uso de stablecoins, identidade digital, finanças descentralizadas (DeFi) e inovação regulada.

A lista de palestrantes inclui representantes de autoridades monetárias, bancos e empresas globais do setor, como Monica Long, presidente da Ripple; Fabio Araujo, economista do Banco Central do Brasil; Coty de Monteverde, responsável global por cripto e ativos digitais no Banco Santander; Jonathan Levin, CEO da Chainalysis; Luis Ayala, da BitGo; Stijn Vander Straeten, da Crypto Finance Group; além de executivos de bancos e instituições financeiras da região.

Autoridades monetárias e regulatórias da região também participam do encontro, refletindo o avanço do debate institucional sobre o tema. Estão previstos representantes seniores do Banco Central do Brasil, do Banco Central do Uruguai e do Banco Central do Chile, além de reguladores como a Comisión Nacional de Valores da Argentina e a Comisión Nacional de Activos Digitales de El Salvador.

A presença dessas instituições indica uma mudança no tratamento dado aos ativos digitais. O que antes era visto como uma fronteira experimental passa a integrar discussões relacionadas à estabilidade financeira e ao desenvolvimento do sistema financeiro.

No setor bancário, grandes instituições da região já desenvolvem iniciativas ligadas a ativos digitais. Executivos de Itaú Unibanco, Bradesco, Santander Brasil, BTG Pactual, Banco do Brasil, Banco BV e BNDES participam de projetos envolvendo valores mobiliários tokenizados, infraestrutura baseada em blockchain e serviços de custódia digital. A B3, operadora da bolsa brasileira, também estuda o uso de registros distribuídos em aplicações nos mercados de capitais.

Regulação amplia interesse de empresas globais

O avanço regulatório no Brasil tem sido apontado como um fator decisivo para o crescimento do mercado. Historicamente marcado pela forte adoção de criptoativos entre investidores de varejo, o país passa a consolidar um ambiente capaz de sustentar operações em escala institucional.

Para empresas que operam sob padrões internacionais de compliance, a clareza regulatória é considerada um pré-requisito para expansão. Nesse contexto, mudanças legais recentes aumentaram o interesse de provedores globais de liquidez, empresas de custódia de ativos digitais, exchanges e companhias de infraestrutura blockchain em ampliar presença no país.

“O Brasil se destaca como um dos destinos mais atraentes para empresas globais de ativos digitais: mercados de capitais profundos, participantes financeiros sofisticados e uma base crescente de usuários criptonativos”, afirma Luis Ayala, managing director da BitGo LatAm. Segundo ele, a evolução regulatória transforma o país de um mercado de “alto potencial” em um ambiente de “alta convicção” para investimentos.

Para Felipe Maurano, head de regional growth da Kraken no Brasil, o país ocupa posição estratégica na expansão do setor na região. “O mercado cripto brasileiro representa mais do que uma oportunidade; é uma prioridade. Com mais de 200 milhões de pessoas e uma das bases de usuários cripto que mais crescem no mundo, o Brasil reúne tudo o que buscamos ao entrar em um novo mercado”, afirma.

Marco Antongiovanni, country manager da B2C2 no Brasil, observa que o país ocupa a quinta posição no Global Crypto Adoption Index, impulsionado pela forte demanda de varejo e pelo uso de stablecoins. Segundo ele, a maior segurança jurídica tem incentivado a entrada de instituições financeiras e gestores de ativos no mercado.

Stijn Vander Straeten, CEO da Crypto Finance Group, afirma que a evolução do mercado brasileiro aumenta a demanda por estruturas compatíveis com padrões institucionais. “O mercado cripto brasileiro alcançou um novo nível de maturidade. Estamos vendo uma demanda forte e concreta de instituições por ofertas cripto bem estruturadas e em conformidade”, diz.

Brasil ganha protagonismo regional

A América Latina tem se destacado no cenário global de criptoativos pela elevada adoção entre usuários individuais, fenômeno associado a fatores como volatilidade cambial, remessas internacionais e forte digitalização da população. O movimento recente indica uma aproximação mais acelerada entre essa base de usuários e o sistema financeiro tradicional.

Nesse contexto, o Brasil ocupa posição estratégica por ser a maior economia da região e possuir um sistema bancário considerado sofisticado. A combinação de um setor financeiro tecnologicamente avançado, um ecossistema fintech desenvolvido e reguladores abertos ao diálogo cria condições favoráveis para a integração da tecnologia blockchain em larga escala.

Esse cenário também reforça o papel de São Paulo como ponto de conexão entre o mercado latino-americano e o ecossistema global de ativos digitais. O debate passa a se concentrar menos na ideia de disrupção e mais na integração entre finanças tradicionais e infraestrutura digital.

“A América Latina, e o Brasil em particular, emergiu como um dos mercados mais estratégicos para o ecossistema global de cripto”, afirma Paula Pascual, CEO do MERGE. Segundo ela, o avanço regulatório liderado pelo Banco Central do Brasil cria as condições para acelerar a participação corporativa no setor.

Com maior clareza regulatória e crescente participação de instituições financeiras, o mercado brasileiro de criptoativos passa a uma nova fase, marcada pela integração progressiva desses ativos ao sistema financeiro.

Serviço

MERGE São Paulo 2026 Data: 17 a 19 de março de 2026 Institutional Summit: 17 de março — Theatro Municipal de São Paulo Conferência principal: 18 e 19 de março — World Trade Center São Paulo
Cidade: São Paulo (SP)