IA criada no Brasil quer transformar dados ESG em decisões estratégicas nas empresas
Ferramenta desenvolvida pelo CESAR com a ESG Now usa base de 200 mil relatórios para apoiar decisões estratégicas em sustentabilidade
Augusto Galvão, diretor executivo do CESAR_Divulgação.
A pressão por práticas ambientais, sociais e de governança mais consistentes vem crescendo, mas muitas empresas ainda enfrentam um problema básico: transformar grandes volumes de dados em decisões concretas. É nesse cenário que surge a Lumina, uma inteligência artificial desenvolvida no Brasil com foco exclusivo em ESG.
O projeto reúne o CESAR, um dos principais centros de inovação do país, e a startup ESG Now. A proposta não é apenas organizar informações ou automatizar relatórios, mas ajudar companhias a usar esses dados de forma mais estratégica.
A ferramenta foi treinada com mais de 200 mil relatórios reais de sustentabilidade, o que permite análises comparativas em escala. Com isso, empresas conseguem entender melhor seu posicionamento em relação ao mercado e identificar caminhos possíveis de evolução.
Esse movimento aponta para uma mudança no papel do ESG dentro das organizações. Por muito tempo, o tema ficou restrito a exigências regulatórias e prestação de contas. Agora, começa a ganhar espaço como um fator que influencia decisões de negócio.
“A agenda ESG só ganha escala quando passa a orientar decisões de negócio”, afirma Augusto Galvão, diretor executivo do CESAR.
Outro desafio comum nesse tipo de análise é a dependência de referências internacionais, que nem sempre refletem o contexto brasileiro. A Lumina tenta contornar essa limitação ao oferecer comparações mais alinhadas à realidade local.
O avanço da inteligência artificial tem ampliado as possibilidades de uso de dados complexos dentro das empresas. No caso do ESG, isso pode marcar uma transição mais clara: sair de processos operacionais e avançar para decisões orientadas por análise mais estruturada.
Ainda é cedo para medir o impacto desse tipo de solução no mercado. Mas iniciativas como a Lumina indicam que o uso de IA na agenda de sustentabilidade começa a entrar em uma fase mais prática, ligada diretamente à estratégia das empresas.