Liquidação financeira em tempo real entra no radar das empresas com avanço das stablecoins

Empresas começam a testar modelos de liquidação direta em blockchain, com transações em tempo real e controle operacional do caixa digital

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O mercado de pagamentos digitais começa a evoluir para modelos com maior eficiência operacional e liquidação em tempo real. Com o avanço das stablecoins, empresas globais de tecnologia e pagamentos aceleram modelos em blockchain que permitem recebimento instantâneo e operação direta do caixa corporativo e ampliando as possibilidades de gestão financeira digital.
 
O movimento já mobiliza gigantes globais de pagamentos e infraestrutura financeira. Nos últimos meses, Visa ampliou operações de liquidação em stablecoins para emissores e adquirentes, enquanto a Stripe acelerou sua estratégia de pagamentos programáveis após a aquisição da Bridge. Em março, a Mastercard anunciou a compra da empresa de infraestrutura em stablecoins BVNK por até US$ 1,8 bilhão, numa sinalização do avanço da liquidação digital em blockchain no mercado global de pagamentos.
 
Em 2026, stablecoins já movimentam trilhões de dólares anualmente e passaram a ocupar o centro das discussões globais sobre liquidação digital, tesouraria corporativa e pagamentos programáveis. No Brasil, segundo declarações recentes do Banco Central, cerca de 90% do fluxo de ativos digitais no país já está concentrado em stablecoins.
 
A LiberPay, plataforma de pagamentos em stablecoins lançada no Brasil, aposta em um modelo baseado em liquidação direta via blockchain Polygon, em que empresas passam a operar seus próprios gateways financeiros, com recebimento instantâneo e autocustódia dos recursos.
 
Durante décadas, o sistema financeiro evoluiu em torno de modelos de adquirência, distribuição bancária e meios de pagamento. Agora, novas tecnologias começam a ampliar as possibilidades de liquidação e gestão do caixa digital.
 
Hoje, grande parte do varejo ainda opera sob um modelo em que o valor de uma venda permanece temporariamente sob controle de terceiros. Entre adquirência, antecipação de recebíveis, spreads operacionais e liquidação em D+30, parte relevante da rentabilidade do sistema financeiro continua associada à retenção temporária do caixa corporativo.
 
Com stablecoins, novas possibilidades operacionais começam a surgir.
 
Na prática, comerciantes e empresas podem receber pagamentos em stablecoins como USDC e USDT diretamente em suas próprias carteiras digitais, com liquidação direta em blockchain, registro das transações e controle operacional dos ativos. 

“O dinheiro sempre mudou de forma. Já foi sal, ouro, papel, cartão e Pix. As stablecoins unem a estabilidade do dólar com a velocidade da blockchain e começam a transformar a forma como o dinheiro circula na internet”, afirma Nicolas Carreiro, country manager da LiberPay no Brasil. 

O que começa a surgir é uma nova lógica operacional para empresas: uma infraestrutura financeira mais integrada, que amplia autonomia sobre recebimento, liquidação e reconciliação financeira.
 
O modelo aproxima o dinheiro da lógica operacional da internet: transações contínuas, liquidação em tempo real e funcionamento global sem as limitações tradicionais de horário bancário, fronteira ou múltiplas etapas de compensação. Em vez de depender exclusivamente de sistemas tradicionais de liquidação, empresas começam a acessar estruturas financeiras baseadas em blockchain para executar pagamentos e transferências de forma direta.
 
“Até agora, a internet funcionava em tempo real, mas o dinheiro não. As stablecoins começam a aproximar a infraestrutura financeira da velocidade da internet”, afirma Carreiro.
 
Na infraestrutura da LiberPay, transações ocorrem diretamente entre carteiras digitais via blockchain Polygon, com liquidação instantânea e taxas de rede inferiores a um centavo de dólar. Para contas empresariais, a cobrança é de 0,3% por transação ou teto de US$ 0,50.
 
A estrutura permite que empresas operem sistemas próprios de recebimento e liquidação em blockchain, mantendo maior autonomia operacional sobre os recursos. 

“Não estamos tentando criar um novo banco ou competir com o Pix. O que começa a mudar é a camada abaixo disso: a forma como o dinheiro é liquidado, registrado e controlado pelas empresas”, afirma Carreiro. 

O avanço das stablecoins começa a aproximar a infraestrutura financeira da lógica operacional da internet: liquidação contínua, transferências instantâneas e movimentação global de recursos sem parte das limitações tradicionais do sistema bancário.
 
A escolha do Brasil como ponto de partida da operação acompanha características específicas do mercado local, como alta digitalização financeira, liderança global em pagamentos instantâneos e avanço regulatório em torno dos ativos digitais.
 
O Pix digitalizou a transferência bancária. As stablecoins começam a digitalizar o próprio dinheiro”, afirma Carreiro.
 
Para o executivo, o avanço desses ativos aproxima a infraestrutura financeira da lógica operacional da internet, com liquidação contínua e movimentação global de recursos em tempo real.
 
Se ganhar escala, o modelo pode acelerar a evolução de parte da infraestrutura tradicional de pagamentos e liquidação financeira.

 


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