A OpenAssets, provedora de infraestrutura para tokenização de ativos digitais, e o Itaú, maior instituição financeira da América Latina, anunciaram nesta terça-feira, 11, uma colaboração estruturada no âmbito do piloto de tokenização conduzido pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Segundo o comunicado oficial divulgado à imprensa, a iniciativa une a infraestrutura da OpenAssets à expertise de mercado do Itaú para tirar a tokenização da fase experimental e implementá-la em casos de uso reais.
O piloto da Anbima tem o objetivo de padronizar o ciclo de vida completo — emissão, negociação e liquidação — de instrumentos de mercado de capitais, como debêntures e fundos de investimento, em redes de Tecnologia de Registro Distribuído (DLT). No escopo do piloto, a colaboração entre a OpenAssets e o Itaú tem foco específico na tokenização de instrumentos de renda fixa e fundos de investimento.
A iniciativa inclui o desenvolvimento de provas de conceito técnicas, consultoria sobre arquitetura e padrões de tokenização, e a avaliação de frameworks operacionais e de compliance para sustentar a evolução da infraestrutura de mercado digital.
"A iniciativa da OpenAssets e do Itaú é desenhada para explorar como ativos tokenizados podem ser emitidos, liquidados e geridos dentro dos frameworks e padrões que as instituições financeiras exigem. O Brasil tem sido um dos mercados financeiros mais visionários, e é um lugar natural para levar a tokenização da exploração à produção", afirmou Gabor Gurbacs, Chairman e CEO da OpenAssets.
Para Gurbacs, a OpenAssets atua com base no princípio de que mercados tokenizados avançam por meio de pilotos práticos e infraestrutura compartilhada, não de experimentos isolados. Testar casos de uso concretos com as instituições que operam em mercados consolidados e relevantes faz parte dos procedimentos necessários para transformar a tokenização em infraestrutura financeira confiável.
A OpenAssets é uma provedora de infraestrutura para sistemas financeiros digitais que atua em colaboração com instituições, governos e empresas de tecnologia com a missão de modernizar a infraestrutura de mercados de capitais, com foco em tokenização de ativos do mundo real e em moeda digital soberana.
Uma rodada de captação liderada pelo Valor Capital Group em janeiro deste ano contou com a participação de investidores como a Tether, empresa líder do mercado de stablecoins, membros da família fundadora do Itaú Unibanco, o cofundador do Nubank, além de SNZ, Credit Saison, K2 Integrity, Citrino e sócios da Dynamo.
Também em janeiro de 2026, a empresa passou a integrar a Linux Foundation Decentralized Trust, que explora padrões abertos de tokenização, e Gurbacs assumiu assento no conselho de governança da entidade, ao lado de representantes da DTCC, da Hedera e da Shielded Technologies.
A OpenAssets mantém parcerias técnicas com a Chainlink, plataforma de oráculos utilizada para viabilizar a emissão e a distribuição de ativos tokenizados institucionais; em maio, ingressou na rede de parceiros da AWS (Amazon Web Services) para fornecer soluções de tokenização em escala empresarial. Sua rede de clientes conta com a própria Chainlink, a Tether e a Mysten Labs, entre outros.
Em julho, a empresa concluiu com a Partior — infraestrutura global de liquidação apoiada por DBS Bank, JPMorgan, Standard Chartered, Temasek, Peak XV, Valor Capital Group, Deutsche Bank e Emirates NBD — uma prova de conceito de liquidação atômica delivery-versus-payment (DvP) entre ativos digitais, stablecoins reguladas e depósitos tokenizados.
"Instituições precisavam de uma forma de liquidar ativos tokenizados contra caixa sem abandonar a infraestrutura que já usam. Com a Partior, mostramos como isso funciona: liquidando ativos digitais, stablecoins e depósitos tokenizados juntos, sobre a infraestrutura existente", afirmou Gurbacs na ocasião.
O Itaú está entre as mais de 50 organizações do mercado financeiro e de capitais brasileiro que vem testando aplicações práticas de blockchain na emissão, negociação e gestão de ativos financeiros tokenizados no piloto conduzido pela Anbima. A iniciativa visa mapear oportunidades, desafios e ganhos de eficiência para justificar a adoção da tokenização no ecossistema financeiro do país.