"Bancarização cripto": 83% dos brasileiros que investem em ativos digitais usam aplicativos de banco
Pesquisa nacional da Paradigma em parceria com o Datafolha mostra que a população cripto do país já soma 29 milhões de pessoas.
- 83% dos investidores brasileiros acessa o mercado cripto por aplicativos de bancos, enquanto 26% usa carteiras autocustodiais, 20% via corretoras cripto e 18% via fundos negociados em bolsa (ETFs).
- A 2ª edição da Pesquisa Nacional das Criptomoedas ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios de todo o país entre 11 e 14 de maio de 2026.
A 2ª edição da Pesquisa Nacional das Criptomoedas, idealizada pela Paradigma em parceria com o Datafolha, revela que os brasileiros que investem em criptoativos não utiliza carteiras de autocustódia ou corretoras especializadas para negociação e custódia: a maioria recorre aos bancos para comprar e vender ativos digitais.
Segundo o levantamento divulgado nesta terça-feira, 18, 83% dos entrevistados que já investiram em criptoativos optaram por instituições financeiras tradicionais para acessar o mercado — mais que o triplo dos 26% que afirmaram ter carteiras próprias, e mais que o dobro da fatia que utilizou corretoras cripto (20%) ou ETFs temáticos (18%). A pergunta permitia múltiplas respostas.
Ao reunir mais de quatro em cada cinco investidores cripto dentro do próprio aplicativo do banco, as instituições financeiras consolidam sua posição como a principal via de entrada da população a bitcoin, ether e demais criptomoedas — à frente de empresas especializadas do setor e da autocustódia, historicamente associada aos investidores mais experientes.
O dado reforça um movimento de concentração do acesso a criptoativos dentro do sistema financeiro tradicional no Brasil que tende a se acelerar ainda mais com a regulação patrocinada pelo Banco Central.
Cripto é o 5º investimento mais popular do paísA pesquisa também revela que o total de usuários de criptoativos cresceu nos últimos dois anos, apesar do atual ciclo de baixa do mercado: 17,2% dos brasileiros com mais de 16 anos afirmam possuir ou ter possuído ativos digitais em algum momento de suas vidas. O percentual equivale a cerca de 29 milhões de pessoas.
Na primeira edição da pesquisa, realizada no segundo semestre de 2024, eram 16%, ou 25 milhões. A oscilação ficou dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Esse número mantém os criptoativos na quinta colocação entre as modalidades de investimento mais populares do Brasil, atrás da caderneta de poupança, de imóveis , de dinheiro guardado em casa e de fundos de investimento, e à frente de títulos públicos ou CDBs, dólar e outras moedas, ouro e ações.
A proporção de brasileiros que investe em cripto é 2,3 vezes maior que a de operadores da bolsa de valores.
Conhecimento sobre cripto cresce mesmo durante bear marketA expansão dos usuários de cripto nos últimos dois anos ocorreu em meio a um ciclo de euforia e depressão no setor. O Bitcoin atingiu a máxima histórica de US$ 126 mil em outubro de 2025. Desde então, devolveu grande parte dos ganhos e atualmente é negociado em torno de US$ 65 mil — 50% abaixo do topo.
Ainda assim, o conhecimento da população sobre criptoativos cresceu no período: 66,4% dos brasileiros dizem conhecer o setor, ante 56,3% na edição anterior da pesquisa.
Os números da pesquisa- Renda: entre quem já investiu em cripto, 77,6% dos investidores ganham até três salários mínimos e 89,4% ganham até cinco salários mínimos. Ou seja, é uma modalidade de investimento popular entre a população de baixa renda.
- Gênero: 74,6% dos homens afirmam conhecer criptoativos, contra 58,9% das mulheres; entre quem conhece e efetivamente investe, os homens somam 23,6% e as mulheres, 11,3%.
- Ativos mais populares: bitcoin lidera com 60,7% das menções, seguido por ether (11,1%), Drex (10,3%), USDC (5,5%), XRP (5,4%), dogecoin (5,3%), solana (5,2%) e a stablecoin tether (2,7%).
- Distribuição regional: o maior salto no conhecimento sobre cripto foi no Centro-Oeste, de 47% para 72,8% — crescimento 2,6 vezes maior que a média nacional. O Nordeste subiu 12,5 pontos percentuais; o Sul, 12; e o Sudeste, 7,5. O Norte foi a única região que registrou queda, de 2,9 pontos percentuais.
- Escolaridade: o maior crescimento no conhecimento sobre cripto foi entre quem tem apenas o ensino fundamental completo, de 25,9% para 38%. Entre quem tem ensino médio completo, o conhecimento foi de 65,4% para 76%; entre quem tem ensino superior, de 84,1% para 89,7%.
- Percepção de risco: 77% dos que conhecem cripto consideram a tecnologia complexa. Mesmo assim, 59% dos que conhecem os criptoativos os encaram como uma boa alternativa de diversificação de investimentos — proporção que sobe a 78% entre jovens de 16 a 24 anos.
- Perfil político: 22,3% dos investidores cripto se declaram de direita e 21,6%, de centro — fatia de centristas bem acima dos 15,5% registrados na população em geral. Cerca de dois terços (65,8%) consideram importante votar em candidatos comprometidos a defender os direitos de quem tem cripto. Entre os brasileiros que preferem manter os próprios ativos em carteiras de autocustódia, fora de corretoras ou bancos, o engajamento político é mais alto: 89,6% consideram importante eleger parlamentares comprometidos em defender os direitos de quem tem criptomoedas.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios de todas as regiões do país, presencialmente, entre 11 e 14 de maio de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi patrocinado pela corretora Coinbase e pela gestora de ativos digitais Hashdex, com apoio da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto).