Projeto vencedor do UNICEF vai testar blockchain para rastrear recursos da reciclagem

Raízes do Futuro prevê coletar 12 toneladas de resíduos em seis meses e direcionar recursos a 30 famílias e ações de saúde e educação infantil em Boipeba

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  • Projeto criado por quatro jovens venceu a primeira edição do Youth Challenge Blockchain, realizado pelo UNICEF em parceria com o Blockchain.RIO
  • Blockchain e dinheiro programável serão usados para registrar o fluxo dos recursos; metas de alcançar 30 famílias e 60 crianças ainda dependem da execução do projeto.


Um projeto que pretende conectar a reciclagem de resíduos à geração de renda para famílias e ao financiamento de ações de saúde e educação infantil venceu a primeira edição do Youth Challenge Blockchain, promovido pelo UNICEF em parceria com o Blockchain.RIO. Batizado de Raízes do Futuro, o modelo será testado em Boipeba, no sul da Bahia, com uso de blockchain e dinheiro programável para rastrear o fluxo dos recursos gerados pela reciclagem.

Nos próximos seis meses, o projeto prevê coletar e validar mais de 12 toneladas de resíduos, com potencial de beneficiar 30 famílias e alcançar 60 crianças. A proposta foi desenvolvida por Maria Clara Bastos, Milena Calasans, Amanda Folly e Thaly.

A tecnologia entra no caminho do dinheiro. A proposta é que o valor gerado pela reciclagem seja registrado e direcionado de forma rastreável para a comunidade, ligando a atividade ambiental à geração de renda e às ações voltadas às crianças.

A próxima etapa será mostrar se o modelo consegue sair do papel e funcionar na prática em Boipeba.

“Agradeço à UNICEF, Superteam Brasil e Blockchain.RIO pela oportunidade e por acreditarem no potencial de projetos que unem tecnologia e impacto social”, disse Maria Clara Bastos em declaração nas redes sociais.

Do resíduo ao dinheiro rastreável

Boipeba, no município de Cairu, enfrenta desafios na gestão de resíduos agravados pelo fluxo turístico. É a partir desse problema local que o Raízes do Futuro pretende estruturar sua operação: coletar e validar os materiais, encaminhá-los à reciclagem e acompanhar o valor gerado a partir desse processo.

Blockchain e dinheiro programável entram na etapa financeira. Segundo a proposta, as tecnologias serão usadas para criar um fluxo rastreável dos recursos e acompanhar sua destinação à comunidade. O valor nasce da reciclagem; a blockchain entra para registrar o caminho percorrido pelo dinheiro.

Por que o projeto foi escolhido

Para o UNICEF Brasil, um dos principais diferenciais do Raízes do Futuro foi a capacidade das jovens de partir de uma necessidade concreta de Boipeba e utilizar a tecnologia como ferramenta para enfrentá-la.

“No Youth Challenge, acreditamos na potência criativa dos jovens, na inovação que eles produzem todos os dias, muitas vezes por necessidade, para resolver problemas reais. O que falta não é criatividade, é equidade no acesso à tecnologia e a iniciativas que impulsionem essas soluções. É assim que ideias promissoras ganham escala e se transformam em impacto social”, diz Felipe Gonzalez, oficial de inovação do UNICEF Brasil.

Da competição para a próxima etapa

A primeira edição do Youth Challenge reuniu mais de 200 jovens de 18 a 24 anos em uma jornada de formação, mentorias e desenvolvimento de propostas ligadas aos direitos de crianças e adolescentes.

Dez equipes chegaram à fase final. O Raízes do Futuro ficou em primeiro lugar, recebeu US$ 1 mil e será indicado ao imaGen Ventures Global Challenge, iniciativa internacional ligada ao ecossistema de inovação do UNICEF.

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Segunda edição confirmada para 2027

O UNICEF Brasil confirmou uma segunda edição do Youth Challenge Blockchain para 2027. Os detalhes ainda serão anunciados. Os vencedores da primeira edição foram apresentados durante o Blockchain.RIO 2026, realizado entre 11 e 13 de agosto no Rio de Janeiro.

Para o Raízes do Futuro, porém, o próximo passo está em Boipeba. Nos próximos seis meses, a proposta começará a ser testada fora da competição, conectando coleta e reciclagem de resíduos ao fluxo de recursos previsto pelo projeto.

É nessa etapa que será possível avaliar se a rastreabilidade proposta consegue acompanhar, na prática, o caminho entre o valor gerado pela reciclagem e sua destinação à comunidade.