"Mesmo livro, mesma liquidez": B3 vai negociar token e ações lado a lado

B3 vai permitir, por exemplo, a troca de um token da Petrobras por uma ação convencional no mesmo ambiente de negociação, mas nova plataforma ainda não tem prazo para o lançamento.

Por

 

  • Tokenização é parte de uma modernização mais ampla: bolsa brasileira já migra sua central depositária para blockchain desde o fim de 2025.
  • A B3 também quer usar a tokenização para viabilizar pagamentos a investidores estrangeiros 24 horas por dia, sete dias por semana.

A B3 quer tokenizar as próprias ações listadas na bolsa e negociá-las lado a lado com o papel original, no mesmo livro de ordens e com a mesma liquidez, afirmaram Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da bolsa, e Marcos Vanderlei Belini, diretor da Trillia — parceira de tecnologia no projeto —, durante painel no Febraban Tech 2026.

A dupla citou como exemplo a negociação de papéis da Petrobras: na futura plataforma da bolsa brasileira, o investidor poderia comprar ou vender uma ação tokenizada da estatal, sem sair do ambiente da B3 nem perder a profundidade do mercado tradicional. O início das operações da B3 sob essa nova infraestrutura de negociação deve ocorrer "nos próximos meses", ainda sem uma data fixada.

Token e ação no mesmo livro de ordens

Em um primeiro momento, os ativos tradicionais já listados na bolsa brasileira serão emitidos sob a representação de tokens digitais, a começar pelas ações. A nova infraestrutura funcionará como uma ponte direta entre o mercado tradicional e o digital: mesmo livro, mesma liquidez, sem fricção para o investidor trocar um formato pelo outro.

A B3 também pretende ampliar o uso de stablecoins dentro do mercado regulado, viabilizando pagamentos 24 horas por dia, sete dias por semana, a investidores estrangeiros. Hoje, este tipo de operação está limitada ao horário comercial da B3. Para viabilizar esse plano, a bolsa brasileira deve lançar uma stablecoin própria atrelada ao real. A B3RL também permitirá liquidações instantâneas de outros ativos tokenizados, como instrumentos de renda fixa, por exemplo.

Ações tokenizadas ainda não têm aval regulatório no Brasil

Além das limitações tecnológicas a serem superadas, a tokenização de ações no Brasil esbarra na regulação do mercado de ativos digitais caracterizados como valores mobiliários. A Resolução CVM nº 88 — hoje a principal base regulatória para tokenização no país — foi estruturada como um modelo de representação digital de ativos, não para a emissão de ativos nativos on-chain.

A própria B3 deve adotar um modelo baseado em representações digitais de ações enquanto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) atualiza a regulação do setor no Brasil. Desde o ano passado, a B3 já vem trabalhando na migração de sua central depositária de renda variável para tecnologia de razão distribuída (DLT).

O movimento da B3 coincide com o crescimento do mercado de ativos tokenizados no Brasil e no mundo.

O mercado global de ações tokenizadas triplicou de tamanho em 2026 e já responde por 15% de todos os ativos do mundo real, com capitalização que já soma US$ 2,8 bilhões. No Brasil, o mercado de ativos tokenizados soma R$ 12,13 bilhões efetivamente captados, distribuídos entre 5.734 ativos de 14 emissoras, de acordo com dados do RWA Monitor, conforme relatou o WB3News.

Leia Também

Tags »
Notícias Relacionadas »