A B3 quer tokenizar as próprias ações listadas na bolsa e negociá-las lado a lado com o papel original, no mesmo livro de ordens e com a mesma liquidez, afirmaram Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da bolsa, e Marcos Vanderlei Belini, diretor da Trillia — parceira de tecnologia no projeto —, durante painel no Febraban Tech 2026.
A dupla citou como exemplo a negociação de papéis da Petrobras: na futura plataforma da bolsa brasileira, o investidor poderia comprar ou vender uma ação tokenizada da estatal, sem sair do ambiente da B3 nem perder a profundidade do mercado tradicional. O início das operações da B3 sob essa nova infraestrutura de negociação deve ocorrer "nos próximos meses", ainda sem uma data fixada.
Em um primeiro momento, os ativos tradicionais já listados na bolsa brasileira serão emitidos sob a representação de tokens digitais, a começar pelas ações. A nova infraestrutura funcionará como uma ponte direta entre o mercado tradicional e o digital: mesmo livro, mesma liquidez, sem fricção para o investidor trocar um formato pelo outro.
A B3 também pretende ampliar o uso de stablecoins dentro do mercado regulado, viabilizando pagamentos 24 horas por dia, sete dias por semana, a investidores estrangeiros. Hoje, este tipo de operação está limitada ao horário comercial da B3. Para viabilizar esse plano, a bolsa brasileira deve lançar uma stablecoin própria atrelada ao real. A B3RL também permitirá liquidações instantâneas de outros ativos tokenizados, como instrumentos de renda fixa, por exemplo.
Além das limitações tecnológicas a serem superadas, a tokenização de ações no Brasil esbarra na regulação do mercado de ativos digitais caracterizados como valores mobiliários. A Resolução CVM nº 88 — hoje a principal base regulatória para tokenização no país — foi estruturada como um modelo de representação digital de ativos, não para a emissão de ativos nativos on-chain.
A própria B3 deve adotar um modelo baseado em representações digitais de ações enquanto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) atualiza a regulação do setor no Brasil. Desde o ano passado, a B3 já vem trabalhando na migração de sua central depositária de renda variável para tecnologia de razão distribuída (DLT).
O movimento da B3 coincide com o crescimento do mercado de ativos tokenizados no Brasil e no mundo.
O mercado global de ações tokenizadas triplicou de tamanho em 2026 e já responde por 15% de todos os ativos do mundo real, com capitalização que já soma US$ 2,8 bilhões. No Brasil, o mercado de ativos tokenizados soma R$ 12,13 bilhões efetivamente captados, distribuídos entre 5.734 ativos de 14 emissoras, de acordo com dados do RWA Monitor, conforme relatou o WB3News.