Bitso amplia rede de pagamentos com stablecoins na América Latina em acordo com MB

Exchange transfere clientes pessoa física ao MB, mas mantém operação institucional no Brasil e conecta empresas a pagamentos em cinco moedas

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  • Parceria prevê contas em real, dólar, peso mexicano, peso colombiano e peso argentino, além de transferências internacionais com stablecoins.

  • Bitso afirma ter mais de 2 mil clientes institucionais e gerenciar cerca de 10% das transações entre Estados Unidos e México.


A Bitso vai deixar o varejo cripto no Brasil e transferir seus clientes pessoa física para o Mercado Bitcoin. A exchange mexicana seguirá operando no país com foco em clientes institucionais e pagamentos para empresas.

Para empresas, o acordo prevê contas em real, dólar, peso mexicano, colombiano e argentino, além de pagamentos internacionais e transferências com stablecoins. A estrutura combina a operação brasileira do Mercado Bitcoin com a presença da Bitso em mercados como México, Argentina e Colômbia.

Com a mudança, o Mercado Bitcoin incorpora a base de varejo da Bitso no país, enquanto as duas empresas passam a atuar juntas na frente de pagamentos. O acordo é comercial e não envolve participação societária.

Varejo passa ao Mercado Bitcoin

Os clientes pessoa física da Bitso poderão migrar seus ativos para o Mercado Bitcoin nos próximos dias. A partir de 1º de outubro, quem fizer a transição terá acesso a período ampliado de taxa zero na negociação de criptoativos, condições diferenciadas em produtos de renda fixa digital e staking, além de atendimento dedicado para clientes com maior volume sob custódia.

A Bitso deixa de atender diretamente o varejo brasileiro, mas mantém a operação institucional no país. A empresa afirma ter mais de 2 mil clientes institucionais e gerenciar cerca de 10% das transações entre Estados Unidos e México.

“Há mais de uma década, a Bitso vem co-liderando ativamente a evolução do setor financeiro na América Latina, oferecendo tecnologia para habilitar pessoas e empresas a mover dinheiro de forma mais eficiente e confiável. Temos mais de 2.000 clientes institucionais e gerenciamos cerca de 10% de todas as transações dos EUA ao México, que é o principal corredor de remessas do mundo”, afirma Nicolás Alonso, diretor regional da Bitso Brasil, em comunicado.

Pagamentos ganham peso na operação brasileira

Para empresas brasileiras, a parceria prevê pagamentos internacionais em moedas locais e estrangeiras, abertura de contas em real, dólar, peso mexicano, peso colombiano e peso argentino e transferências internacionais com stablecoins.

O acordo conecta a operação local do Mercado Bitcoin à infraestrutura que a Bitso já mantém em outros mercados da região.

Esse tipo de operação faz parte do negócio institucional da exchange. Em uma rota descrita pela Bitso Business entre Brasil e México, valores recebidos em reais podem ser convertidos em USDC, transferidos on-chain e depois convertidos em pesos mexicanos para liquidação via SPEI. Nesse fluxo, a stablecoin é usada como ponte entre moedas e sistemas de pagamento.

Em comunicado, Roberto Dagnoni, chairman e CEO do Mercado Bitcoin, destacou o papel da infraestrutura da Bitso na operação:

“O MB é hoje um dos maiores provedores de pagamentos com stablecoins do Brasil e passa a suportar também os fluxos dos clientes da Bitso no país, apoiado na infraestrutura dela nos demais mercados da América Latina.”

Bitso e MB já compartilhavam infraestrutura em stablecoins

A relação entre as duas empresas não começa com a transferência dos clientes de varejo. Bitso e Mercado Bitcoin já integram, ao lado de Foxbit e Cainvest, o consórcio responsável pela BRL1, stablecoin pareada ao real e emitida na rede Polygon.

Segundo a Bitso, a BRL1 pode ser usada para movimentar reais em infraestrutura blockchain.

A nova parceria amplia essa relação para outra frente. Além de participarem do mesmo consórcio, Bitso e MB passam a conectar suas operações em pagamentos empresariais entre diferentes países da América Latina.

Stablecoins entram na infraestrutura de pagamentos

O acordo também reforça o uso de stablecoins nos pagamentos internacionais. Em vez de aparecer apenas como ativo negociado dentro de uma plataforma, passam a funcionar como ponte entre moedas e sistemas locais de liquidação.

Esse movimento já aparece em outras operações na região. No LATAM Ramp, da Pods, por exemplo, sistemas como Pix, SPEI e PSE são conectados a ativos on-chain, permitindo a entrada e saída entre moedas locais e stablecoins por uma única integração.

Na parceria entre Bitso e Mercado Bitcoin, a lógica é semelhante: stablecoins entram como uma das ferramentas usadas para movimentar recursos entre diferentes moedas e países.

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Regulação está no pano de fundo, mas empresas não ligam acordo às novas regras

A saída da Bitso do varejo ocorre em meio à adaptação do setor às novas exigências do Banco Central para prestadoras de serviços de ativos virtuais. Neste ano, outras plataformas também reduziram ou transferiram operações de varejo no país, entre elas NovaDAX e Digitra.

Bitso e Mercado Bitcoin, porém, não atribuem a parceria às mudanças regulatórias. O acordo também não envolve aquisição ou participação societária entre as empresas.

Com a transferência dos clientes pessoa física, a Bitso deixa de disputar diretamente o varejo brasileiro, mas mantém no país as operações voltadas a clientes institucionais e pagamentos para empresas.


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