EverValue transforma mineração de Bitcoin em reserva on-chain para resgate de token
Operação no Paraguai alimenta cofres na Arbitrum, mas os 421 WBTC acumulados não vêm apenas da mineração e não equivalem ao preço de mercado da EVA
- Mais de 3 mil máquinas produzem Bitcoin no Paraguai; parte do BTC é convertida em WBTC e enviada diariamente aos Burn Vaults.
- Os cofres somam 421,32 WBTC, mas também receberam recursos da venda pública inicial, de uma parceria e de taxas de liquidez.
A EverValue está usando uma operação física de mineração de Bitcoin no Paraguai para alimentar uma estrutura financeira executada na Arbitrum. Parte do BTC produzido por mais de 3 mil máquinas é convertida em Wrapped Bitcoin (WBTC) e enviada a contratos que permitem ao detentor de EVA queimar seus tokens e receber Bitcoin tokenizado em troca.
Os cofres somam atualmente 421,32 WBTC, distribuídos entre o Burn Vault Core, com cerca de 389,5 WBTC, e o Burn Vault Boost, com aproximadamente 31,8 WBTC. Esse saldo, porém, não veio apenas da mineração. A documentação do protocolo informa aportes anteriores provenientes da venda pública inicial, de uma parceria e de taxas de liquidez.
A mudança está na função atribuída à mineração. Em vez de apenas gerar BTC para a operação da empresa, parte da produção passa a alimentar diretamente um mecanismo de reserva e resgate programado por contratos inteligentes.
“A expansão da mineração aumenta nossa capacidade de gerar Bitcoin e alimentar de forma recorrente as reservas do protocolo. O objetivo é fazer com que esse crescimento da infraestrutura física tenha um reflexo verificável on-chain, mantendo a relação entre a operação, os cofres e o funcionamento da EVA acessível a qualquer pessoa”, afirma Flor Ayala, CEO da EverValue.
Como a mineração chega aos cofres
A EverValue afirma operar mais de 3 mil máquinas próprias distribuídas em seis instalações no Paraguai. Segundo a documentação da empresa, parte do BTC produzido é convertida em WBTC e passa por um contrato intermediário, chamado Payer Contract, responsável por distribuir os recursos entre o Burn Vault Core e o Burn Vault Boost.
As transferências ficam registradas na blockchain e podem ser acompanhadas publicamente.
Entre 28 e 31 de agosto, os depósitos diários ficaram entre aproximadamente 0,37 e 0,38 WBTC. A EverValue também informa ter produzido 6,87 BTC nos últimos 30 dias, média de 0,229 BTC por dia.
Nem todo o saldo atual dos cofres, porém, veio dessa produção. A documentação do protocolo informa que o Burn Vault também recebeu aproximadamente 75 WBTC provenientes da venda pública inicial, cerca de 60 WBTC de uma parceria e recursos vindos de taxas de liquidez.
Dois cofres, dois valores de resgate
O mecanismo é dividido em dois contratos.
O Burn Vault Core usa o saldo em WBTC e a oferta de EVA considerada pelo contrato para calcular o chamado Burn Price, valor de resgate expresso em Bitcoin.
Na consulta realizada em 2 de setembro, o Core mantinha cerca de 389,5 WBTC para aproximadamente 18,51 milhões de EVA, o equivalente a cerca de 2.105 satoshis por token.
O Burn Vault Boost funciona separadamente e concentra sua reserva em uma quantidade menor de EVA elegíveis. Com aproximadamente 31,8 WBTC para cerca de 59,8 mil tokens, o valor de resgate estava em torno de 53,2 mil satoshis por EVA elegível.
Esses valores não correspondem ao preço de mercado da EVA nas exchanges. Eles determinam quanto WBTC pode ser retirado dos contratos mediante a queima de tokens, segundo as regras de cada cofre.
Queimas já retiraram 2,49 milhões de EVA de circulação
A EVA foi criada com oferta máxima de 21 milhões de tokens e, segundo os contratos do protocolo, não permite novas emissões. Cerca de 18,51 milhões permanecem em circulação e aproximadamente 2,49 milhões já foram queimados.
Quando ocorre um resgate, EVA e WBTC são retirados na proporção determinada pelo contrato. Por isso, a queima, isoladamente, não aumenta o valor de resgate do Core naquele momento.
O efeito aparece nos depósitos seguintes. Como novos WBTC entram no cofre sem emissão adicional de EVA, o saldo passa a ser distribuído por uma oferta menor de tokens.
Reserva pode subir e cair
O saldo de 421,32 WBTC não deve ser lido como uma tesouraria que cresce necessariamente de forma linear.
Os depósitos provenientes da mineração aumentam os cofres, mas usuários também podem retirar WBTC ao queimarem EVA. Segundo a documentação do protocolo, a saída de WBTC prevista pelo contrato ocorre por meio do mecanismo de resgate associado à queima dos tokens correspondentes.
Com isso, duas variáveis podem ser acompanhadas separadamente: quanto Bitcoin entra por meio dos depósitos e quanto sai em resgates. Depósitos, saldos, oferta circulante e queimas ficam registrados na Arbitrum e podem ser consultados nos contratos.
Segundo a EverValue, os contratos do ecossistema passaram por auditorias independentes da Hacken e da CertiK.
Paraguai concentra a infraestrutura física
A EverValue distribui sua operação de mineração por seis instalações no Paraguai, país com ampla disponibilidade de geração hidrelétrica e presença relevante de atividades intensivas em energia.
No modelo da empresa, parte do Bitcoin produzido nessas instalações é convertida em WBTC e enviada aos contratos na Arbitrum. Com isso, a operação física de mineração passa a alimentar diretamente o mecanismo que determina quanto Bitcoin tokenizado pode ser retirado mediante a queima de EVA.
O saldo dos cofres, porém, não depende apenas da produção das máquinas. Depósitos de outras origens, novos resgates, a quantidade de EVA em circulação e as regras de cada contrato também alteram a relação entre as reservas em WBTC e os tokens cobertos pelo protocolo.