Autocustódia é o modelo em que o próprio usuário controla as chaves necessárias para movimentar seus criptoativos, sem depender de um banco, corretora ou outra instituição para autorizar as transações.
O modelo amplia a autonomia sobre os ativos, mas também transfere ao usuário responsabilidades relacionadas à segurança, backup e recuperação de acesso. No Brasil, as carteiras autocustodiadas já aparecem expressamente na regulamentação do Banco Central, e novas regras para transferências destinadas a essas carteiras entram em vigor em 2027.
A possibilidade de possuir e movimentar um ativo digital sem depender diretamente de um banco ou corretora é uma das características que diferenciam as criptomoedas de grande parte dos ativos financeiros tradicionais.
É nesse contexto que aparece a autocustódia de criptomoedas.
Em vez de uma instituição manter o controle técnico dos ativos em nome do cliente, o próprio usuário passa a controlar as credenciais criptográficas necessárias para movimentá-los.
Na prática, isso muda principalmente uma coisa: quem possui o poder de autorizar uma transação.
Se os criptoativos estão sob custódia de uma corretora, banco ou outra plataforma, essa instituição controla a infraestrutura utilizada para movimentá-los. Na autocustódia, esse controle fica com o próprio usuário.
Mas maior autonomia também significa maior responsabilidade.
Perder as credenciais de acesso, expor uma chave privada ou aprovar uma transação maliciosa pode resultar na perda dos ativos sem existir uma instituição capaz de simplesmente cancelar a operação.
Por isso, entender autocustódia exige compreender não apenas carteiras de criptomoedas, mas também conceitos como chave privada, endereço, seed phrase, hardware wallet e custódia.
Autocustódia é o modelo no qual o próprio proprietário mantém o controle das credenciais criptográficas necessárias para movimentar seus ativos digitais.
No Brasil, o Banco Central define carteira autocustodiada como aquela em que o proprietário controla a respectiva chave privada e consegue movimentá-la sem precisar da participação de uma prestadora de serviços de ativos virtuais.
Isso significa que uma corretora, banco ou custodiante não precisa autorizar cada movimentação.
O usuário pode utilizar sua carteira para assinar uma transação e transmiti-la diretamente à rede blockchain correspondente.
Autocustódia é quando o próprio usuário controla a chave privada que permite movimentar seus criptoativos. Diferentemente da custódia feita por bancos ou corretoras, não é necessário que uma instituição autorize cada transação.
Custódia significa, de maneira simplificada, controlar os mecanismos que permitem movimentar determinado ativo.
No sistema financeiro tradicional, investidores normalmente não mantêm diretamente a infraestrutura necessária para registrar e movimentar cada ativo.
Bancos, corretoras, depositárias e outras instituições cumprem diferentes funções relacionadas à guarda, registro e movimentação.
No mercado de criptoativos, essa estrutura pode funcionar de outra maneira.
Uma corretora pode manter as chaves que controlam os ativos de seus clientes. Nesse caso, o usuário acessa uma conta e solicita operações, enquanto a infraestrutura da empresa efetivamente executa as movimentações.
Na autocustódia, essa função deixa de estar concentrada no intermediário.
O próprio usuário controla a chave necessária para autorizar as transações.
A principal diferença está em quem controla a chave privada.
Quando criptomoedas estão sob custódia de uma exchange, banco ou outra empresa, a instituição administra as chaves e a infraestrutura de movimentação.
O cliente normalmente acessa seus ativos utilizando login, senha, biometria e outros mecanismos definidos pela plataforma.
Isso pode facilitar a experiência do usuário.
Se uma senha for esquecida, por exemplo, geralmente existe algum processo de recuperação de conta.
Por outro lado, o investidor passa a depender da infraestrutura, segurança, disponibilidade e situação financeira da instituição responsável pela custódia.
Na autocustódia, o usuário possui controle direto sobre as credenciais que permitem movimentar os ativos.
Isso reduz a dependência de um custodiante para autorizar transações.
Entretanto, parte das responsabilidades de segurança também é transferida ao próprio usuário.
O modelo escolhido, portanto, altera a distribuição de riscos — não elimina esses riscos.
Tecnicamente, não.
Essa é uma das confusões mais comuns sobre carteiras digitais.
Os criptoativos continuam registrados na blockchain.
A carteira administra as chaves criptográficas utilizadas para interagir com esses ativos.
Uma forma simplificada de entender é pensar que a blockchain registra quais ativos estão associados a determinados endereços, enquanto a carteira fornece os mecanismos necessários para provar que alguém possui autorização para movimentá-los.
Por isso, perder um celular que possui uma carteira não significa necessariamente perder os criptoativos.
Se existir um método de recuperação válido e seguro, o usuário pode conseguir restaurar o acesso em outro dispositivo.
O problema aparece quando as credenciais necessárias para essa recuperação também são perdidas.
A chave privada é uma informação criptográfica utilizada para autorizar operações relacionadas aos ativos controlados por determinada carteira.
Ela funciona como um mecanismo de assinatura digital.
Quando o usuário realiza uma transferência, a carteira utiliza a chave privada para produzir uma assinatura criptográfica que demonstra à rede que aquela operação foi autorizada por quem possui o controle correspondente.
A chave privada não deve ser compartilhada.
Quem consegue utilizá-la pode, dependendo da arquitetura da carteira, conseguir autorizar movimentações dos ativos relacionados a ela.
O próprio Banco Central brasileiro define chave privada como um mecanismo de assinatura criptográfica utilizado no controle de ativos virtuais e na autenticação de transações.
A seed phrase, também chamada de frase-semente ou frase de recuperação, é um conjunto de palavras utilizado por muitas carteiras para permitir a recuperação das chaves.
Dependendo da carteira e do padrão utilizado, essa sequência pode permitir que o usuário restaure o acesso aos endereços e ativos relacionados.
Por isso, a seed phrase precisa ser tratada como uma informação extremamente sensível.
Quem obtém acesso a uma frase-semente válida pode conseguir reconstruir as chaves associadas e movimentar os ativos.
Também é importante entender que nem toda solução de autocustódia funciona exatamente da mesma maneira.
Existem carteiras com diferentes arquiteturas de backup, recuperação, múltiplas assinaturas e fragmentação criptográfica.
Não.
A chave privada é utilizada para autorizar operações criptográficas.
A seed phrase é um mecanismo utilizado por muitas carteiras para gerar ou recuperar conjuntos de chaves.
Em uma carteira tradicional baseada em frase-semente, portanto, proteger a seed phrase é essencial porque ela pode permitir a reconstrução das chaves privadas.
Essa distinção ajuda a explicar por que simplesmente proteger uma senha do aplicativo não é suficiente.
A senha pode impedir alguém de abrir determinada interface, enquanto a seed ou a chave privada podem controlar efetivamente o acesso aos ativos.
Uma carteira autocustodial, também chamada de carteira não custodial ou non-custodial wallet, é uma carteira na qual o usuário mantém o controle necessário para movimentar seus ativos sem depender de uma instituição custodiante.
Existem diferentes formas de implementar esse modelo.
A carteira pode funcionar como aplicativo no celular ou computador, dispositivo físico dedicado ou uma estrutura mais complexa com múltiplas chaves.
O importante não é apenas o formato do dispositivo.
A característica fundamental da autocustódia é quem possui o controle sobre a autorização das transações.
Hot wallet é uma carteira utilizada em um ambiente conectado à internet.
Aplicativos instalados em smartphones, computadores ou navegadores podem funcionar dessa maneira.
A principal vantagem costuma ser a praticidade.
O usuário consegue acessar aplicações blockchain, assinar transações e movimentar ativos rapidamente.
A conexão frequente com dispositivos e aplicações digitais, entretanto, aumenta a superfície potencial de ataque.
Malwares, extensões maliciosas, páginas falsas, phishing e comprometimento do dispositivo podem representar riscos.
Cold wallet é uma estrutura desenvolvida para manter as credenciais mais sensíveis isoladas de ambientes permanentemente conectados à internet.
A ideia é reduzir a exposição das chaves.
Um dispositivo pode, por exemplo, receber informações sobre uma transação, assiná-la em um ambiente protegido e devolver apenas a assinatura necessária para transmissão à blockchain.
Cold storage, portanto, descreve uma estratégia de armazenamento e proteção.
Ela não deve ser confundida automaticamente com um produto específico.
Hardware wallet é um dispositivo físico desenvolvido especificamente para gerenciar e proteger chaves criptográficas.
Muitas hardware wallets procuram manter a chave privada isolada do computador ou smartphone utilizado para acessar a blockchain.
Isso pode reduzir determinados tipos de ataque.
Mas possuir uma hardware wallet não elimina todos os riscos.
Em agosto de 2026, o WB3News mostrou como incidentes envolvendo Coldcard, Trezor e SafePal colocaram em evidência riscos relacionados não apenas ao dispositivo, mas também à geração de chaves, software, backups, fornecedores e dados pessoais.
A segurança da autocustódia depende, portanto, de todo o processo.
Não existe uma resposta universal.
Os riscos são diferentes.
Ao utilizar uma instituição custodiante, o usuário pode estar exposto a problemas como:
falhas de segurança da empresa;
insolvência;
bloqueios operacionais;
indisponibilidade da plataforma;
fraudes internas;
ataques à infraestrutura do custodiante.
Na autocustódia, outros riscos se tornam mais relevantes:
perda das credenciais;
vazamento da seed phrase;
malware;
phishing;
assinatura de transações maliciosas;
erros de envio;
falhas no dispositivo ou software;
backups inadequados;
engenharia social.
A pergunta correta, portanto, não é simplesmente qual modelo é “mais seguro”.
É quem está em melhor posição para administrar cada tipo de risco.
A principal vantagem é o controle direto.
O usuário não depende da autorização de uma instituição para movimentar os ativos registrados em sua carteira.
Isso também pode reduzir determinados riscos de contraparte.
Se uma corretora enfrentar problemas financeiros, por exemplo, ativos mantidos diretamente sob as chaves do usuário não dependem tecnicamente daquela instituição para serem movimentados.
A autocustódia também facilita a interação direta com diferentes aplicações blockchain.
Dependendo da rede e dos ativos utilizados, uma carteira pode se conectar a protocolos de finanças descentralizadas, plataformas de tokenização, mercados de ativos digitais e outros serviços.
Essa característica fez com que a autocustódia deixasse de ser apenas um método para guardar Bitcoin.
Ela começa a aparecer como parte da própria infraestrutura utilizada para acessar produtos e serviços digitais.
Em reportagem recente, o WB3News mostrou como empresas já tentam aplicar esse conceito ao acesso a diferentes tipos de investimentos, mantendo o controle das chaves com o usuário.
A principal consequência da autocustódia é que a autonomia vem acompanhada de responsabilidade operacional.
Se as credenciais necessárias para recuperar a carteira forem perdidas e não existir outro mecanismo de recuperação, pode não haver uma instituição capaz de restaurar o acesso.
Uma pessoa que obtenha uma seed phrase válida pode conseguir reconstruir a carteira e transferir os ativos.
Golpistas podem criar sites, aplicativos ou mensagens falsas para induzir o usuário a informar credenciais ou aprovar operações.
Transações confirmadas em determinadas blockchains normalmente não possuem o mesmo mecanismo de estorno encontrado em sistemas financeiros tradicionais.
Enviar ativos para um endereço incorreto pode causar perda permanente.
Uma carteira também pode ser utilizada para autorizar interações com contratos inteligentes.
Uma aprovação maliciosa pode permitir movimentações que o usuário não pretendia realizar.
Carteiras e dispositivos são sistemas tecnológicos e podem conter vulnerabilidades.
O fato de um produto operar em autocustódia não significa que seu código seja automaticamente seguro.
Criminosos podem tentar convencer o usuário a revelar informações, instalar programas ou aprovar transações.
Em muitos casos, atacar a pessoa é mais fácil do que tentar quebrar a criptografia utilizada pela blockchain.
Não necessariamente.
Controlar as chaves reduz a dependência de um custodiante para movimentar determinados criptoativos, mas isso não significa que qualquer ativo seja totalmente independente de terceiros.
Stablecoins centralizadas, por exemplo, podem possuir regras próprias estabelecidas pelo emissor.
Tokens também podem depender de smart contracts com funções administrativas.
Além disso, serviços utilizados antes ou depois de uma transação podem estar sujeitos a regras regulatórias.
Autocustódia deve ser entendida como controle sobre a autorização criptográfica da carteira, e não como ausência absoluta de intermediários, regras ou limitações.
Não.
Ter uma carteira autocustodiada não torna automaticamente uma pessoa anônima.
Em blockchains públicas, endereços, valores e transações podem ficar registrados de maneira visível.
Os endereços normalmente não exibem diretamente o nome civil do proprietário, razão pela qual redes como Bitcoin costumam ser descritas como pseudônimas.
Mas dados obtidos por exchanges, instituições financeiras, empresas de análise de blockchain e outras fontes podem permitir a associação entre determinados endereços e pessoas.
Além disso, no Brasil, operações realizadas entre prestadoras reguladas e carteiras autocustodiadas estão sujeitas a regras específicas de identificação.
A autocustódia não foi proibida no Brasil.
Pelo contrário: o conceito passou a aparecer expressamente na regulamentação do Banco Central.
Desde 2 de fevereiro de 2026, a Resolução BCB nº 521 estabelece uma definição regulatória para carteira autocustodiada.
A regra considera autocustodiada a carteira cujo proprietário controla a chave privada e consegue movimentá-la sem necessidade de participação de uma prestadora de serviços de ativos virtuais.
Quando uma prestadora participa de uma transferência envolvendo uma carteira desse tipo, ela deve identificar o proprietário e manter processos para verificar a origem e o destino dos ativos virtuais.
Isso cria uma distinção importante:
a carteira continua sob controle do usuário, mas a operação realizada por meio de uma empresa regulada pode estar sujeita a obrigações de identificação e monitoramento.
As regras atuais não eliminam a possibilidade de possuir uma carteira autocustodiada.
O foco regulatório está principalmente nas instituições que prestam serviços relacionados a ativos virtuais e nas operações realizadas entre essas empresas e seus clientes.
A regulamentação brasileira passou a reconhecer expressamente a existência das carteiras autocustodiadas e estabelecer procedimentos para as prestadoras que interagem com elas.
Uma nova regra do Banco Central entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027.
A Resolução BCB nº 584 estabelece um mecanismo de retenção cautelar para determinadas transferências destinadas a entidades do mercado de ativos virtuais no exterior ou a carteiras autocustodiadas.
Segundo o Banco Central, a medida será aplicada a valores recebidos acima de US$ 10 mil — individualmente ou considerando o total movimentado pelo cliente no mesmo dia — e também a operações que exijam avaliação complementar de risco pelas políticas da instituição.
Nesses casos, a prestadora deverá aguardar até 24 horas antes de concluir a transferência.
O próprio BC ressalta que essa retenção não representa um bloqueio definitivo dos ativos. Após a análise, a instituição poderá, em determinadas situações previstas pela regulamentação, liberar a operação antes do fim das 24 horas.
O objetivo declarado da medida é ampliar o tempo disponível para identificar operações potencialmente relacionadas a fraude, lavagem de dinheiro ou outros riscos.
Não necessariamente.
Quando duas carteiras interagem diretamente em uma blockchain, a transação ocorre de acordo com as regras daquela rede.
A situação é diferente quando uma instituição regulada participa da operação.
Se o usuário compra criptomoedas em uma prestadora de serviços de ativos virtuais e solicita uma transferência para uma carteira própria, por exemplo, essa instituição está dentro do perímetro regulatório e precisa cumprir as regras aplicáveis à operação.
Essa distinção é importante para entender a regulação.
As normas não modificam o funcionamento do protocolo Bitcoin, Ethereum ou de outras blockchains.
Elas estabelecem obrigações para instituições e operações que estão dentro da jurisdição brasileira.
Sim, embora instituições financeiras tradicionais ainda sejam o principal meio utilizado pelos investidores brasileiros para acessar o mercado.
Pesquisa da Paradigma em parceria com o Datafolha, divulgada em agosto de 2026, apontou que 26% dos entrevistados que já investiram em ativos digitais disseram utilizar carteiras próprias.
Ao mesmo tempo, 83% afirmaram utilizar aplicativos de bancos, 20% corretoras de criptomoedas e 18% ETFs relacionados ao setor. Como um mesmo investidor pode utilizar mais de uma forma de acesso, esses percentuais não são excludentes.
O dado mostra que a autocustódia já faz parte do mercado brasileiro, mas convive com modelos tradicionais de intermediação.
Não necessariamente.
Autocustódia e intermediação podem coexistir.
Um investidor pode comprar ativos por meio de uma corretora e depois transferi-los para sua própria carteira.
Também pode manter parte dos ativos em custódia institucional e outra parcela em autocustódia.
Novas plataformas tentam inclusive combinar serviços financeiros com estruturas em que as chaves permanecem sob controle do usuário.
A mudança fundamental não está necessariamente na existência ou desaparecimento dos intermediários.
Está na possibilidade de separar duas funções:
oferecer um serviço financeiro e controlar as chaves dos ativos.
Em determinadas arquiteturas, uma instituição pode fornecer acesso a um serviço sem necessariamente possuir custódia direta sobre os ativos do cliente.
Não.
Autocustódia é uma forma de controlar os ativos.
DeFi, ou finanças descentralizadas, descreve aplicações financeiras construídas principalmente com smart contracts e infraestrutura blockchain.
Uma carteira autocustodial pode ser utilizada para acessar aplicações DeFi.
Mas uma pessoa pode manter Bitcoin em autocustódia sem utilizar nenhum protocolo DeFi.
Da mesma forma, alguns serviços que utilizam tecnologias descentralizadas podem incorporar modelos diferentes de gestão de chaves.
Também não.
Blockchain é a infraestrutura de registro utilizada por redes como Bitcoin e Ethereum.
Autocustódia é uma forma de controlar as credenciais utilizadas para movimentar ativos nessas redes.
A relação entre os dois conceitos é direta porque blockchains permitem que usuários autorizem transações por meio de mecanismos criptográficos sem necessariamente depender de um banco de dados mantido por uma única instituição.
Para entender essa infraestrutura com mais detalhes, o WB3News possui também o Guia de Blockchain: o que é, como funciona e para que serve.
Sim.
Stablecoins emitidas em blockchains compatíveis podem ser transferidas para carteiras controladas pelo próprio usuário.
Nesse caso, o usuário controla a carteira, mas não necessariamente controla todos os elementos relacionados ao ativo.
Uma stablecoin pode depender de reservas, regras de emissão, mecanismos de resgate e controles definidos pela empresa emissora.
Por isso, manter uma stablecoin em autocustódia elimina a custódia da carteira por uma corretora, mas não elimina os riscos relacionados ao emissor da stablecoin.
O funcionamento desses ativos é explicado em detalhes no Guia de Stablecoins: o que são, como funcionam e para que servem, do WB3News.
Sim.
Bitcoin foi desenvolvido para permitir que participantes da rede controlem e movimentem seus próprios ativos por meio de chaves criptográficas.
O proprietário de uma carteira pode assinar uma transação e transmiti-la à rede Bitcoin sem depender de um banco ou corretora para validá-la como intermediário financeiro.
Os mineradores e nós da rede verificam se a transação segue as regras do protocolo.
Isso não significa que o usuário precise obrigatoriamente utilizar autocustódia.
Bitcoin também pode ser mantido em plataformas custodiais.
Não existe uma configuração universal adequada para todos os usuários.
O nível de segurança necessário depende do valor mantido, da frequência das transações, do conhecimento técnico e da arquitetura escolhida.
Alguns princípios, entretanto, são fundamentais.
Credenciais sensíveis não devem ser compartilhadas com terceiros.
Uma seed phrase não deve ser inserida em sites ou aplicativos cuja autenticidade não tenha sido verificada.
Backups precisam ser planejados de forma que a perda de um único dispositivo não destrua o único meio de recuperação.
Transações devem ser conferidas antes da assinatura.
Usuários também precisam compreender quais permissões estão concedendo ao interagir com aplicações e smart contracts.
Para valores relevantes, a segurança deve ser pensada como um sistema completo: dispositivo, software, geração das chaves, backup, recuperação, privacidade e comportamento do usuário.
Multisig é uma estrutura na qual mais de uma chave pode ser necessária para autorizar determinada transação.
Uma carteira pode ser configurada, por exemplo, para exigir duas assinaturas entre três chaves disponíveis.
Isso permite distribuir o controle.
Perder uma única chave pode não significar necessariamente perder os ativos, e um invasor que comprometa apenas uma credencial pode não conseguir movimentá-los.
Por outro lado, multisig aumenta a complexidade operacional.
Uma configuração mal planejada também pode criar novos riscos.
Depende do nível de conhecimento e da capacidade do usuário de administrar as responsabilidades envolvidas.
Autocustódia oferece maior controle, mas exige compreensão sobre backup, recuperação, transações e segurança digital.
Para algumas pessoas, utilizar inicialmente uma instituição regulada pode oferecer uma experiência operacional mais simples.
Outras podem preferir aprender gradualmente a utilizar carteiras próprias.
Autocustódia não deve ser tratada como uma obrigação ideológica.
É uma escolha de arquitetura e de distribuição de responsabilidades.
Autocustódia significa que o próprio usuário controla as credenciais criptográficas necessárias para movimentar seus ativos digitais, sem depender de uma instituição custodiante para autorizar cada transação.
É uma carteira em que o proprietário possui o controle necessário para movimentar os ativos. O Banco Central brasileiro define esse modelo como aquele em que o proprietário controla a chave privada e consegue movimentá-la sem a participação de uma prestadora de serviços de ativos virtuais.
Sim. A legislação e a regulamentação atuais não proíbem carteiras autocustodiadas. O Banco Central inclusive incorporou uma definição específica para elas em sua regulamentação.
A forma de custódia não elimina eventuais obrigações tributárias ou declaratórias relacionadas aos ativos. As obrigações dependem da situação do contribuinte, dos valores envolvidos e das regras vigentes.
Em uma autocustódia efetiva, a instituição não controla a chave necessária para movimentar os ativos. Entretanto, diferentes produtos podem utilizar arquiteturas distintas, por isso é necessário verificar como cada solução administra chaves e mecanismos de recuperação.
Pode acontecer. Em carteiras cuja recuperação depende exclusivamente da seed phrase, perder a frase e todos os demais meios de acesso pode tornar os ativos inacessíveis. Outras arquiteturas podem utilizar mecanismos diferentes de recuperação.
Sim. Bitcoin pode ser mantido em carteiras nas quais o próprio usuário controla as chaves utilizadas para movimentá-lo.
Sim. Stablecoins emitidas em blockchains compatíveis podem ser transferidas para carteiras autocustodiais. Isso não elimina, porém, riscos relacionados ao emissor e às reservas do ativo.
Não necessariamente. Hardware wallets podem reduzir determinados riscos ao isolar as chaves, mas segurança também depende de software, geração das chaves, backup, cadeia de fornecimento e comportamento do usuário.
Não. Transações em muitas blockchains são públicas e endereços podem ser associados a pessoas utilizando informações obtidas por diferentes fontes.
Blockchains públicas permitem a visualização das transações realizadas pelos endereços. Identificar quem controla determinado endereço depende de informações adicionais. Quando uma instituição regulada participa de uma operação envolvendo uma carteira autocustodiada, regras brasileiras podem exigir a identificação do proprietário.
A posse de uma carteira própria não possui um limite técnico geral determinado pelo Banco Central. Entretanto, instituições reguladas precisam cumprir regras específicas ao processar transferências. A partir de janeiro de 2027, determinadas operações destinadas à autocustódia estarão sujeitas ao mecanismo de retenção cautelar previsto pelo BC.
Não necessariamente. Ela permite que o usuário controle diretamente as chaves, mas serviços de compra, venda, conversão, tokenização e outros produtos financeiros ainda podem envolver empresas e instituições.
A discussão sobre autocustódia está mudando junto com o próprio mercado de ativos digitais.
Durante os primeiros anos do Bitcoin, o conceito estava associado principalmente à possibilidade de manter criptomoedas fora de exchanges.
Hoje, carteiras digitais podem servir como porta de entrada para stablecoins, tokenização, DeFi e diferentes aplicações construídas sobre blockchain.
Ao mesmo tempo, bancos e instituições financeiras ampliam sua participação no mercado de ativos digitais.
Pesquisa divulgada em agosto de 2026 mostrou que 83% dos brasileiros que já investiram em cripto utilizaram aplicativos bancários, enquanto 26% disseram utilizar carteiras próprias.
Esses movimentos não são necessariamente contraditórios.
O mercado pode avançar simultaneamente em duas direções: mais custódia institucional para usuários que valorizam conveniência e mais infraestrutura de autocustódia para aqueles que desejam controle direto sobre seus ativos.
A regulamentação brasileira também começa a refletir essa realidade.
Ao definir formalmente o que é uma carteira autocustodiada e estabelecer regras para as instituições que interagem com ela, o Banco Central reconhece que esse modelo já faz parte da infraestrutura do mercado de ativos digitais.
Autocustódia, portanto, não é apenas uma discussão sobre onde guardar criptomoedas.
É uma discussão sobre quem controla os ativos, quem autoriza as transações e como responsabilidades são distribuídas em uma infraestrutura financeira baseada em blockchain.