Criptomoedas são ativos digitais que utilizam tecnologias como blockchain e criptografia para registrar e validar transações. Neste guia, entenda como elas funcionam, as diferenças entre Bitcoin, stablecoins e tokens, como são armazenadas e quais são os principais riscos e regras no Brasil.
Bitcoin, Ethereum, stablecoins e milhares de outros ativos digitais fazem parte de um mercado que introduziu novas formas de transferir, armazenar e representar valor pela internet. Mas o que são criptomoedas e como elas realmente funcionam?
De forma simplificada, criptomoedas são ativos digitais que utilizam criptografia e, em muitos casos, redes blockchain para registrar, validar e transferir valores. Dependendo do projeto, essas operações podem ocorrer sem a necessidade de uma instituição financeira tradicional controlando cada transação.
O Bitcoin foi o primeiro criptoativo descentralizado a alcançar adoção relevante, mas o ecossistema evoluiu e atualmente inclui diferentes categorias de moedas e tokens, stablecoins, aplicações financeiras descentralizadas e ativos tokenizados.
Neste guia, o WB3News explica os principais conceitos necessários para entender esse mercado.
Criptomoedas são ativos digitais que podem ser transferidos entre participantes de uma rede por meio de protocolos computacionais.
Diferentemente do dinheiro físico, elas não existem na forma de cédulas ou moedas. Sua propriedade e movimentação são representadas digitalmente.
Em redes descentralizadas, como o Bitcoin, as transações são verificadas por participantes distribuídos ao redor do mundo e registradas em um histórico compartilhado.
A criptografia é utilizada para proteger informações e permitir que usuários demonstrem que possuem autorização para movimentar determinados ativos.
Apesar do termo “moeda”, nem todo criptoativo foi criado especificamente para funcionar como dinheiro. Alguns representam acesso a serviços, participação em protocolos, ativos do mundo real ou outras funcionalidades digitais.
O funcionamento depende de cada projeto, mas muitas criptomoedas utilizam uma blockchain.
A blockchain funciona como um registro digital compartilhado, no qual transações são organizadas e validadas de acordo com as regras estabelecidas pelo protocolo.
Quando uma pessoa envia uma criptomoeda para outra, a transação é transmitida à rede. Os participantes responsáveis pela validação verificam se ela atende às regras do sistema.
Depois de confirmada, a operação passa a integrar o histórico da rede.
Esse modelo permite que diferentes participantes mantenham e verifiquem um registro comum sem depender necessariamente de uma única organização responsável pelo banco de dados.
Para entender essa infraestrutura em detalhes, consulte também o guia do WB3News sobre blockchain: o que é, como funciona e para que serve.
Não.
Blockchain é uma tecnologia utilizada para registrar informações de maneira distribuída. Criptomoedas são uma das aplicações possíveis dessa tecnologia.
O Bitcoin, por exemplo, possui sua própria blockchain, responsável por registrar as movimentações de BTC.
Já outras blockchains podem ser utilizadas para executar contratos inteligentes, emitir tokens, representar ativos e desenvolver aplicações descentralizadas.
Portanto, blockchain é a infraestrutura tecnológica, enquanto uma criptomoeda pode ser um dos ativos utilizados dentro dela.
Sim. O Bitcoin (BTC) é uma criptomoeda e foi criado para permitir transferências digitais de valor em uma rede descentralizada.
A rede começou a operar em 2009, após a publicação do documento técnico assinado pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto.
Uma das características centrais do Bitcoin é sua política monetária definida pelo próprio protocolo. A emissão total é limitada a aproximadamente 21 milhões de bitcoins.
Bitcoin, entretanto, não é sinônimo de criptomoeda.
Ele representa apenas um dos milhares de criptoativos existentes.
O mercado de criptoativos reúne projetos com características e finalidades bastante diferentes.
Bitcoin: ativo nativo da rede Bitcoin, desenvolvido para permitir transferência de valor sem depender de uma autoridade central responsável pela emissão.
Altcoins: termo utilizado de maneira ampla para criptomoedas alternativas ao Bitcoin. Ethereum, Solana e outras redes costumam aparecer nessa categoria.
Stablecoins: ativos digitais desenvolvidos para buscar estabilidade de preço em relação a outro ativo, geralmente moedas fiduciárias como o dólar.
USDT e USDC, por exemplo, buscam acompanhar o valor do dólar americano.
O WB3News possui um guia específico explicando o que são stablecoins, como funcionam e para que servem.
Tokens: ativos emitidos sobre uma blockchain existente. Eles podem representar direitos, utilidades, participação em protocolos ou até ativos do mundo real.
Esse processo também está relacionado à tokenização de ativos, tema abordado em outro guia do WB3News.
Uma moeda fiduciária, como o real ou o dólar, é emitida dentro de um sistema monetário administrado por autoridades públicas.
Uma criptomoeda funciona digitalmente de acordo com as regras estabelecidas por seu protocolo.
Já um token normalmente é criado utilizando uma infraestrutura blockchain existente.
A distinção pode variar conforme o contexto técnico e regulatório, mas entender essas categorias ajuda a evitar que todos os ativos digitais sejam tratados como se fossem equivalentes.
Uma confusão comum é imaginar que criptomoedas ficam literalmente armazenadas dentro de uma carteira digital.
Os ativos permanecem registrados na blockchain.
A carteira de criptomoedas administra as informações necessárias para que o usuário possa interagir com esses ativos, especialmente suas chaves criptográficas.
Uma chave privada permite autorizar transações. Quem possui acesso a ela pode, em determinadas estruturas de carteira, movimentar os ativos associados.
Por isso, a proteção dessas credenciais é uma das questões mais importantes do mercado.
Existem diferentes modelos de armazenamento, incluindo carteiras conectadas à internet, dispositivos físicos e serviços oferecidos por empresas especializadas.
Quando o próprio usuário controla suas chaves privadas, utiliza-se o conceito de autocustódia.
O WB3News explica as diferenças, vantagens e riscos no guia sobre autocustódia de criptomoedas.
Nem necessariamente.
Muitas redes públicas permitem consultar transações realizadas desde sua criação.
No Bitcoin, por exemplo, os registros mostram informações como endereços envolvidos, valores e histórico das movimentações.
Esses endereços não precisam exibir diretamente o nome civil do usuário, razão pela qual o sistema costuma ser descrito como pseudônimo, e não simplesmente anônimo.
Dependendo das circunstâncias, informações externas podem permitir a associação entre determinados endereços e pessoas ou organizações.
A finalidade varia conforme o ativo.
Criptomoedas e tokens podem ser utilizados para transferências de valor, pagamentos, remessas internacionais, acesso a aplicações descentralizadas, execução de contratos inteligentes, representação digital de ativos e participação em protocolos.
Stablecoins também ganharam espaço como instrumento para movimentação de valores denominados em moedas como o dólar dentro da infraestrutura blockchain.
Entretanto, possuir um criptoativo não significa necessariamente possuir participação societária na organização responsável pelo projeto.
Cada ativo possui características próprias que precisam ser analisadas individualmente.
A negociação e a posse de criptoativos não são proibidas no Brasil.
Nos últimos anos, o país passou a estabelecer regras específicas para prestadores de serviços relacionados a ativos virtuais.
O Marco Legal dos Criptoativos, instituído pela Lei nº 14.478/2022, estabeleceu diretrizes para a prestação de serviços de ativos virtuais no país e abriu caminho para uma estrutura regulatória específica.
Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Receita Federal e outros órgãos podem possuir competências diferentes dependendo da natureza da operação ou do ativo envolvido.
Um token caracterizado como valor mobiliário, por exemplo, pode estar sujeito a regras diferentes das aplicáveis a outros tipos de criptoativos.
O WB3News detalha o tema no guia sobre regulação de criptoativos no Brasil.
Criptoativos podem estar sujeitos a obrigações tributárias e de declaração no Brasil.
As exigências dependem de fatores como tipo de ativo, valor, natureza da operação e regras vigentes para o período fiscal correspondente.
Como normas tributárias podem ser atualizadas, o investidor deve consultar as orientações mais recentes da Receita Federal antes de realizar sua declaração.
O mercado de criptoativos envolve riscos que variam de acordo com o ativo e a forma utilizada para comprá-lo ou armazená-lo.
Entre os principais estão:
Em sistemas de autocustódia, a responsabilidade pela proteção das chaves passa diretamente para o usuário.
Já quando os ativos são mantidos em uma plataforma centralizada, surge também o risco associado à instituição responsável pela custódia.
Não.
O Drex é uma iniciativa do Banco Central relacionada à representação digital do real e à criação de infraestrutura para operações com ativos digitais.
Embora utilize tecnologias relacionadas a registros distribuídos em seu desenvolvimento, ele não possui a mesma estrutura de criptomoedas descentralizadas como o Bitcoin.
O real continua sendo a moeda oficial brasileira, emitida dentro do sistema monetário nacional.
Portanto, Drex, Bitcoin e stablecoins representam conceitos diferentes, ainda que todos façam parte das discussões sobre digitalização do dinheiro e dos ativos financeiros.
Stablecoin é uma categoria de criptoativo desenvolvida para buscar estabilidade em relação a um ativo de referência.
Enquanto Bitcoin e Ether podem apresentar grandes oscilações de preço, stablecoins normalmente procuram acompanhar moedas como o dólar.
Isso não significa ausência de risco.
O funcionamento depende do mecanismo utilizado para manter essa referência, das reservas existentes, da estrutura do emissor e de outros fatores.
Não existe uma resposta única.
Uma blockchain pode possuir uma infraestrutura robusta e, ao mesmo tempo, um usuário perder seus ativos após entregar sua chave privada em um golpe.
Também existem riscos relacionados a exchanges, carteiras, contratos inteligentes e projetos específicos.
Por isso, é importante separar segurança da rede, segurança da custódia e risco do ativo.
São questões diferentes.
É um ativo que existe digitalmente e pode ser transferido por meio de uma rede computacional. Muitas criptomoedas utilizam blockchain e criptografia para registrar e validar suas transações.
Não. Bitcoin é uma criptomoeda específica. Existem milhares de outros criptoativos com características e finalidades diferentes.
Blockchain é a tecnologia predominante no mercado, mas o conceito de ativo digital não depende necessariamente de uma única arquitetura tecnológica.
Stablecoins são normalmente classificadas dentro do universo de criptoativos. Sua principal característica é buscar estabilidade em relação a um ativo de referência, como o dólar.
Algumas criptomoedas foram desenvolvidas para funcionar como meio de transferência de valor, mas isso não significa que possuam o mesmo status jurídico de uma moeda oficial como o real.
Depende do projeto. Redes descentralizadas distribuem determinadas funções entre participantes, enquanto outros criptoativos possuem empresas, fundações ou emissores com maior grau de controle.
Sim. Perda de chaves privadas, golpes, falhas de segurança, envio para endereços incorretos e problemas em serviços de custódia podem resultar em perda de ativos.
O termo criptomoeda costuma ser associado ao ativo nativo de uma determinada rede. Tokens, por sua vez, normalmente são emitidos utilizando uma blockchain já existente.
Em muitas blockchains públicas, as transações podem ser consultadas por qualquer pessoa. A possibilidade de associar um endereço a uma identidade específica depende de informações adicionais.
O usuário precisa de alguma estrutura de custódia. Ela pode ser controlada diretamente pelo proprietário ou oferecida por terceiros, como plataformas de negociação.
Criptomoedas representam apenas uma parte de um ecossistema maior de ativos digitais.
Blockchain, stablecoins, tokenização, autocustódia e regulação estão diretamente relacionados, mas cada conceito possui características próprias.
Entender essas diferenças ajuda a interpretar notícias sobre o setor e avaliar com maior precisão como novas tecnologias e regras podem afetar o mercado.
A seção Guias do WB3News reúne conteúdos explicativos sobre blockchain, stablecoins, tokenização, autocustódia e regulação de criptoativos para quem deseja aprofundar cada um desses temas.