As ações do Méliuz (CASH3) acumulam alta de 7,83% desde o início do atual bear market do Bitcoin, em outubro de 2025, enquanto o BTC registra queda de 43,41% no mesmo período.
A companhia listada na B3 também gerou um Bitcoin Yield de 8,46% (11,43% anualizado) — métrica usada para medir o desempenho de Bitcoin Treasury Companies em função do crescimento da quantidade de BTC em custódia por ação em circulação. Na prática, indica o quanto a exposição dos acionistas ao criptoativo aumentou sem a realização de novos aportes financeiros.
Em publicação no X, Mason Foard, diretor de Estratégia de Bitcoin do Méliuz, atribuiu o desempenho positivo da CASH3 à capacidade de geração de caixa da operação, que permitiu à companhia instituir um programa de recompra sistemática de ações:
"Desde que o bear market começou, em outubro de 2025, a Méliuz superou materialmente o desempenho do BTC, ao mesmo tempo em que seguiu aumentando a quantidade de Bitcoin por ação. Uma boa ilustração do poder de um negócio operacional. A geração de caixa dá a você mais uma alavanca para compor valor ao longo do ciclo, incluindo a capacidade de recomprar ações de forma oportunista."
Foard assumiu o cargo em julho de 2025 com a missão de liderar a atração de investidores americanos e a estruturação de instrumentos financeiros ligados à estratégia de investimento em Bitcoin da companhia.
Os resultados da operação foram detalhados no balanço trimestral do Méliuz divulgado na semana passada. Em outubro de 2025, a companhia lançou seu primeiro programa de recompra de ações, sob a premissa de que os papéis eram negociados abaixo do valor intrínseco do negócio.
Nove meses depois, em julho de 2026, o programa foi concluído com a recompra de 9.131.725 ações por aproximadamente R$ 37,2 milhões. A iniciativa reduziu em 8,1% o total de ações em circulação da companhia e foi integralmente bancada pela geração de caixa operacional, sem a emissão de novas ações ou a contração de dívidas.
Na carta aos investidores, o CEO Gabriel Loures explicou a lógica por trás da estratégia:
"Na nossa visão, a assimetria era evidente. O fato relevante da abertura do programa de recompra, divulgado em 8 de outubro de 2025, mencionou que, na ocasião, o mercado avaliava o nosso negócio operacional — descontados os ativos líquidos — em aproximadamente R$ 10 milhões. Desde então, esse mesmo negócio gerou R$ 45,3 milhões de caixa operacional: mais de 4 vezes o valor que o mercado atribuía à operação inteira naquele momento."
Com o programa concluído, a companhia aprovou um novo ciclo de recompra, de até 8.105.834 ações, equivalente a 10% do free float atual. Em paralelo, anunciou a ampliação de sua estratégia de tesouraria em Bitcoin, passando a administrar caixa, Bitcoin e derivativos como um conjunto único de ativos líquidos.
"A estratégia de longo prazo não muda: o objetivo segue sendo maximizar o Bitcoin por ação; o que ganhamos é flexibilidade para capturar assimetrias como a atual", afirmou Loures
Os resultados do segundo trimestre sustentam o argumento de Foard sobre a força das operações que oferecem sustentação adicional à tesouraria. A receita líquida consolidada cresceu 18% em relação ao segundo trimestre de 2025, somando R$ 115,7 milhões. O desempenho positivo foi alavancado pelo Shopping Brasil, que cresceu 32% no período.
Nos últimos 12 meses, a receita chegou a R$ 495,9 milhões, alta de 26%. "Somente no segundo trimestre de 2026, geramos R$ 21,3 milhões de caixa!", destacou Loures na carta aos acionistas.
A rentabilidade acompanhou o crescimento da receita. O EBITDA ajustado somou R$ 17,3 milhões no 2T26, alta de 38% sobre o 2T25, com margem de 15,0%. Nos últimos 12 meses, a margem EBITDA ajustada chegou a 22,1% — recorde da série histórica e 6,1 pontos percentuais acima do mesmo período do ano anterior.
Apesar do avanço operacional, o resultado contábil do trimestre foi pressionado negativamente pelo próprio Bitcoin: a companhia registrou um impairment — perda contábil sem efeito de caixa — de R$ 32,1 milhões sobre seu tesouro de 604,7 BTC.
Em 30 de junho de 2026, o Bitcoin estava cotado a US$ 58.559, abaixo do custo médio de aquisição de US$ 103.322. Com isso, o Méliuz fechou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido contábil de R$ 22,4 milhões — revertendo o lucro de R$ 7,6 milhões do segundo trimestre de 2025. Ainda assim, o lucro líquido ajustado (que exclui o Bitcoin) cresceu 13%, para R$ 9,7 milhões.
Mesmo com o valor de mercado do tesouro em Bitcoin pressionado pela queda do preço do ativo, a geração de caixa da operação permite ao Méliuz recomprar ações, ampliando o Bitcoin Yield ao longo do tempo em benefício dos acionistas.
As ações do Méliuz acumulam alta de 36% em 2026 e fecharam o pregão na segunda-feira, 10 de agosto, cotadas a R$ 5,21, de acordo com dados do Google Finance.