Ações do Méliuz superam Bitcoin no bear market com alta de 36% em 2026

CASH3 registra desmpenho superior ao do Bitcoin desde outubro de 2025 com recompra de ações e BTC Yield de 8,46%.

Por

 

  • Programa de recompra financiado por caixa operacional da empresa retirou 9,1 milhões de ações de circulação entre outubro de 2025 e julho de 2026.
  • EBITDA ajustado do Méliuz somou R$ 109,6 milhões nos últimos 12 meses, alta de 74% frente ao mesmo período do ano anterior.

 

As ações do Méliuz (CASH3) acumulam alta de 7,83% desde o início do atual bear market do Bitcoin, em outubro de 2025, enquanto o BTC registra queda de 43,41% no mesmo período.

A companhia listada na B3 também gerou um Bitcoin Yield de 8,46% (11,43% anualizado) — métrica usada para medir o desempenho de Bitcoin Treasury Companies em função do crescimento da quantidade de BTC em custódia por ação em circulação. Na prática, indica o quanto a exposição dos acionistas ao criptoativo aumentou sem a realização de novos aportes financeiros.

Em publicação no X, Mason Foard, diretor de Estratégia de Bitcoin do Méliuz, atribuiu o desempenho positivo da CASH3 à capacidade de geração de caixa da operação, que permitiu à companhia instituir um programa de recompra sistemática de ações:

"Desde que o bear market começou, em outubro de 2025, a Méliuz superou materialmente o desempenho do BTC, ao mesmo tempo em que seguiu aumentando a quantidade de Bitcoin por ação. Uma boa ilustração do poder de um negócio operacional. A geração de caixa dá a você mais uma alavanca para compor valor ao longo do ciclo, incluindo a capacidade de recomprar ações de forma oportunista."

Foard assumiu o cargo em julho de 2025 com a missão de liderar a atração de investidores americanos e a estruturação de instrumentos financeiros ligados à estratégia de investimento em Bitcoin da companhia.

Recompra financiada só com caixa da operação, sem dívida

Os resultados da operação foram detalhados no balanço trimestral do Méliuz divulgado na semana passada. Em outubro de 2025, a companhia lançou seu primeiro programa de recompra de ações, sob a premissa de que os papéis eram negociados abaixo do valor intrínseco do negócio.

Nove meses depois, em julho de 2026, o programa foi concluído com a recompra de 9.131.725 ações por aproximadamente R$ 37,2 milhões. A iniciativa reduziu em 8,1% o total de ações em circulação da companhia e foi integralmente bancada pela geração de caixa operacional, sem a emissão de novas ações ou a contração de dívidas.

Na carta aos investidores, o CEO Gabriel Loures explicou a lógica por trás da estratégia:

"Na nossa visão, a assimetria era evidente. O fato relevante da abertura do programa de recompra, divulgado em 8 de outubro de 2025, mencionou que, na ocasião, o mercado avaliava o nosso negócio operacional — descontados os ativos líquidos — em aproximadamente R$ 10 milhões. Desde então, esse mesmo negócio gerou R$ 45,3 milhões de caixa operacional: mais de 4 vezes o valor que o mercado atribuía à operação inteira naquele momento."

Com o programa concluído, a companhia aprovou um novo ciclo de recompra, de até 8.105.834 ações, equivalente a 10% do free float atual. Em paralelo, anunciou a ampliação de sua estratégia de tesouraria em Bitcoin, passando a administrar caixa, Bitcoin e derivativos como um conjunto único de ativos líquidos.

"A estratégia de longo prazo não muda: o objetivo segue sendo maximizar o Bitcoin por ação; o que ganhamos é flexibilidade para capturar assimetrias como a atual", afirmou Loures

Operação segue crescendo apesar da queda do Bitcoin

Os resultados do segundo trimestre sustentam o argumento de Foard sobre a força das operações que oferecem sustentação adicional à tesouraria. A receita líquida consolidada cresceu 18% em relação ao segundo trimestre de 2025, somando R$ 115,7 milhões. O desempenho positivo foi alavancado pelo Shopping Brasil, que cresceu 32% no período.

Nos últimos 12 meses, a receita chegou a R$ 495,9 milhões, alta de 26%. "Somente no segundo trimestre de 2026, geramos R$ 21,3 milhões de caixa!", destacou Loures na carta aos acionistas.

A rentabilidade acompanhou o crescimento da receita. O EBITDA ajustado somou R$ 17,3 milhões no 2T26, alta de 38% sobre o 2T25, com margem de 15,0%. Nos últimos 12 meses, a margem EBITDA ajustada chegou a 22,1% — recorde da série histórica e 6,1 pontos percentuais acima do mesmo período do ano anterior.

Apesar do avanço operacional, o resultado contábil do trimestre foi pressionado negativamente pelo próprio Bitcoin: a companhia registrou um impairment — perda contábil sem efeito de caixa — de R$ 32,1 milhões sobre seu tesouro de 604,7 BTC.

Em 30 de junho de 2026, o Bitcoin estava cotado a US$ 58.559, abaixo do custo médio de aquisição de US$ 103.322. Com isso, o Méliuz fechou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido contábil de R$ 22,4 milhões — revertendo o lucro de R$ 7,6 milhões do segundo trimestre de 2025. Ainda assim, o lucro líquido ajustado (que exclui o Bitcoin) cresceu 13%, para R$ 9,7 milhões.

Mesmo com o valor de mercado do tesouro em Bitcoin pressionado pela queda do preço do ativo, a geração de caixa da operação permite ao Méliuz recomprar ações, ampliando o Bitcoin Yield ao longo do tempo em benefício dos acionistas.

As ações do Méliuz acumulam alta de 36% em 2026 e fecharam o pregão na segunda-feira, 10 de agosto, cotadas a R$ 5,21, de acordo com dados do Google Finance.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Ativos digitais e ações envolvem alto risco e volatilidade; rentabilidade passada não garante resultados futuros.

Tags »
Notícias Relacionadas »