OranjeBTC eleva 'BTC Yield' a 12,69% no 2º trimestre, mas mNAV, ação e volume seguem no vermelho

Resgate de dívida conversível com 200 BTC e nova linha de financiamento de R$ 210 milhões sustentaram a estratégia de tesouraria, mas o resultado gerencial segue negativo.

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  • OBTC3 caiu 15,9% no segundo trimestre — de R$ 7,06 em 1º de abril para R$ 5,94 em 30 de junho.
  • O volume médio diário de negociação recuou de 533 mil ações em maio para 186 mil em julho, mesmo com a base de acionistas crescendo 6% no trimestre.

 

A OranjeBTC S.A. (OBTC3), divulgou na última sexta-feira, 14, o balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26). Na chamada de divulgação dos resultados, Guilherme Gomes, fundador e diretor-presidente da OranjeBTC, destacou que o BTC Yield Bruto da OranjeBTC atingiu 12,69% no período, impulsionado por uma operação que resgatou uma dívida conversível de US$ 23 milhões mediante o pagamento de 200 BTC ao credor. O mesmo montante foi recomprado por apenas US$ 12,6 milhões, mantendo o tesouro em BTC intacto com a operação.

O BTC Yield Bruto é a métrica adotada pela OranjeBTC como indicador central da performance de sua estratégia de gestão de tesouraria. Ele mede a variação percentual da quantidade de bitcoin por ação em base totalmente diluída.

Durante a chamada de resultados, Guilherme Ferreira, cofundador e diretor de finanças da OranjeBTC apresentou maiores detalhes sobre a estratégia da companhia para elevar o total de BTC por ação para os investidores:
 

“Tivemos uma forte expansão do bitcoin por ação, que é a principal métrica da companhia, 12,69% no trimestre, 12,90 no ano até o final de junho [...] A nossa tesouraria atua não só com uma estratégia única, mas com uma combinação delas, então a gente faz compra de bitcoin e também recompra de ações. Tivemos duas recompras grandes ali uma no final de maio e no começo de junho, de 3 milhões de ações, com um preço bastante atrativo. E fizemos mais uma agora de quase 4 milhões de ações já em julho.”

Segundo a nota metodológica que acompanha os resultados, o BTC Yield Bruto mede "a variação percentual do BTC por ação durante o período analisado, desconsiderando a posição de dívida líquida" — ou seja, não incorpora o endividamento assumido pela companhia para viabilizar a estratégia de acumulação de bitcoin nem o desempenho das ações no mercado.

No entanto, o BTC Yield é uma métrica gerencial que não se enquadra nas normas contábeis adotadas pela Comissão de Valores Mobiliários CVM para companhias com ações listadas na bolsa brasileira.

Do ponto de vista estritamente operacional, os resultados ainda são majoritariamente negativos. As ações da companhia registraram queda de 15,9% no trimestre e o volume negociado caiu praticamente pela metade. O resultado contábil fechou negativo em R$ 183,9 milhões, puxado pelo desempenho do bitcoin no período.

As ações da OranjeBTC fecharam o pregão em alta de 2% após a divulgação dos resultados, cotadas a R$ 6,30, de acordo com dados do Yahoo! Finance.

Duas versões da mesma história: BTC Yield e mNAV

Os resultados do segundo trimestre apontam que o BTC por ação cresceu de 2.295 para 2.586 satoshis entre 31 de março e 30 de junho — alta de 12,69% no trimestre —, enquanto o número de ações necessário para representar um bitcoin caiu de 43.568 para 38.663.

A companhia encerrou o 2T26 com 3.898 bitcoin em tesouraria, ante 3.723 BTC em 31 de março, aumento líquido de 175 BTC no período. Atualmente, a OranjeBTC elevou a quantidade de BTC em caixa para 3.950 unidades e o BTC Yield Bruto acumulado em 2026 avançou para 17,52%.

No fechamento do segundo trimestre, em 30 de junho, a OranjeBTC era negociada com um mNAV de 0,76x. O indicador mede relação entre o valor de mercado da companhia naquela data (cerca de R$ 895 milhões, considerando os 150,7 milhões de ações fora de tesouraria ao preço de fechamento de R$ 5,94) e o valor da reserva em bitcoin marcada no balanço, de R$ 1,18 bilhão.

O mNAV é um termômetro da confiança do mercado na estratégia específica de bitcoin treasury companies: acima de 1x, a empresa consegue emitir novas ações para comprar mais bitcoin sem diluir o BTC por ação dos acionistas atuais, engrenagem que sustenta o ciclo de expansão do negócio. Abaixo de 1x, o efeito se inverte, e qualquer captação via ações passa a diluir o total de bitcoin por ação.

Para efeito de comparação com outras empresa do setor, em 14 de agosto, o mNAV da OranjeBTC era de 0,85x, similar ao da japonesa Metaplanet (0,86x) e abaixo do da própria Strategy, pioneira do modelo, que operava a 1,03x. A Strive (ASST) era uma das poucas do ranking da bitcoin Treasuries a ostentar um prêmio significativo, com 1,31x.

A OranjeBTC atribuiu o desconto à volatilidade do bitcoin no período: o ativo recuou mais de 20% entre o fim de maio e o início de junho, de cerca de R$ 390 mil para R$ 309 mil, movimento que se refletiu nas ações das empresas do setor, segundo a carta aos acionistas que acompanha o documento.

"Em determinados momentos, a OBTC3 chegou a negociar por menos de 80% do valor econômico da nossa reserva líquida em bitcoin, abaixo de 0,80x mNAV", escreveu Gomes na carta aos acionistas, acrescentando:
 

"Não controlamos o preço do bitcoin nem as oscilações do mercado. Controlamos, porém, como alocamos capital e posicionamos a Companhia para aproveitar as oportunidades que cada ciclo oferece."

O desconto persistiu além do trimestre encerrado em junho: em julho, a companhia concluiu uma recompra privada de ações a R$ 4,05 — desconto superior a 30% sobre a cotação de mercado, equivalente a um mNAV abaixo de 0,65x.

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Ação, volume e resultado no vermelho

A OBTC3 caiu 15,9% no segundo trimestre. Cotada a R$ 7,06 em 1º de abril, atingiu mínimas históricas de R$ 5,71 em 5 de junho e encerrou o período negociada a R$ 5,94. O volume médio diário de negociação também recuou: de 533 mil ações em maio para 349 mil em junho. A queda se acentuou ainda mais  em julho, com um total de 186 mil — queda de mais de 65% em relação a maio. Ainda assim, a base de acionistas cresceu: de 8.579 em 31 de março para 9.090 em 30 de junho (6%) e 9.371 ao final de julho (3%), segundo a companhia.

No resultado, a OranjeBTC registrou prejuízo líquido contábil de R$ 183,9 milhões no trimestre, dos quais R$ 148,9 milhões vieram da avaliação a valor justo do bitcoin. Já o resultado gerencial ajustado — a métrica que a companhia considera mais fiel à operação, pois exclui marcações a mercado e itens não recorrentes — ficou negativo em R$ 0,7 milhão, uma melhora frente aos R$ 2,6 milhões negativos do primeiro trimestre.

As despesas recorrentes com efeito caixa somaram R$ 3,1 milhões no período, majoritariamente administrativas e de pessoal, contra receitas ainda concentradas em rendimentos financeiros (R$ 186 mil) e no resultado da gestão ativa de tesouraria (R$ 2,2 milhões).

Apesar da ausência de receita comercial relevante, a companhia projeta alcançar o breakeven operacional até o quarto trimestre de 2026, afirmou Ferreira:

 

“Estamos gerando receita recorrente, começando a gerar resultado na gestão ativa da nossa tesouraria e reforçando a nossa meta de zerar o resultado até o quarto trimestre, quando esperamos que a geração de receita seja suficiente para cobrir os custos operacionais da companhia, que estão por volta de R$ 3 milhões por trimestre, R$ 12 milhões por ano.”

Segundo Ferreira, a empresa fechou o trimestre com "mais de 24 milhões de caixa líquido".  "Nesse nível de consumo de R$700.000 por trimestre, temos caixa para mais de dois anos confortavelmente".

Conversão de dívida e nova linha de financiamento

O evento mais representativo do sucesso da gestão da tesouraria, segundo os executivos, foi o resgate antecipado da 2ª emissão de debêntures conversíveis. Em 28 de maio, a OranjeBTC informou ao mercado que o detentor da totalidade das 128.160.600 debêntures notificou o resgate antecipado facultativo, direito previsto na escritura de emissão.

A liquidação foi feita com a entrega de 200 bitcoin ao credor, extinguindo uma obrigação registrada no balanço por aproximadamente R$ 106 milhões, com valor de face de US$ 23 milhões, e eliminando de vez a possibilidade de emissão de 6.966.760 novas ações que a conversão poderia gerar.

No mesmo movimento, a companhia recompôs integralmente a posição, adquirindo 200 bitcoin no mercado à vista por aproximadamente US$ 12,6 milhões — o equivalente a 55% do valor de face da dívida eliminada.

A operação foi viabilizada pela contração de uma dívida de longo prazo. Em 29 de abril, a OranjeBTC aprovou a 3ª emissão de debêntures simples, não conversíveis, em duas séries (R$ 130 milhões e R$ 80 milhões respectivamente), com garantia em bitcoin.

As debêntures foram subscritas em regime de colocação privada, sem oferta pública, por um fundo gerido pela Itaú Asset Management, os títulos oferecem remuneração de 100% do CDI acrescido de spread de 1,85% ao ano, com vencimento em 3 de janeiro de 2031 e pagamento de principal e juros em parcela única.

Novas frentes de atuação

Embora o mercado siga descontando o valor de mercado da companhia, a OranjeBTC vem acelerando sua expansão em novas frentes além da gestão de sua tesouraria. Em julho, a companhia lançou o bitcoin.com.br, plataforma que tem a ambição de se tornar a principal referência de informação e educação sobre bitcoin em língua portuguesa.

No mesmo período, a OranjeBTC anunciou uma parceria com a Escola Bitcoin Brasil voltada a levar educação sobre bitcoin a crianças e jovens em escolas e organizações sociais. A iniciativa inclui a revisão técnica dos materiais didáticos da escola, a impressão e distribuição de livros físicos e o desenvolvimento de uma plataforma digital gratuita de estudos.

A frente mais recente é financeira: durante o Blockchain.RIO 2026, na semana passada, a OranjeBTC anunciou o DIGY11 (Digital Yield ETF), um fundo listado na B3 desenvolvido em parceria com a 3R Investimentos e a MarketVector, atrelado a ações preferenciais de empresas de tesouraria de bitcoin, com distribuição mensal de dividendos e proteção cambial.

O índice de referência do fundo é composto por 95% em ações preferenciais STRC, da Strategy, e o restante em preferenciais da Strive. A estreia do DIGY11 na B3 está prevista para setembro.

"Estamos ainda no início dessa jornada", escreveu Gomes na conclusão da carta aos acionistas:

 

"Encerramos o segundo trimestre — e avançamos pelo início do terceiro — com mais capacidade de execução, novas fontes de valor e uma plataforma significativamente mais forte. Nossa missão permanece clara: aumentar, de forma consistente, o bitcoin por ação e acelerar a adoção do bitcoin no Brasil e na América Latina."

Méliuz registra alta na receita e no preço das ações

Concorrente direta da OranjeBTC no mercado brasileiro, o Méliuz (CASH3) fechou o segundo trimestre com uma receita líquida de R$ 115,7 milhões, alta de 18% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado cresceu 38%, para R$ 17,3 milhões —, o que permitiu à companhia fechar o período com lucro líquido ajustado positivo de R$ 9,7 milhões mesmo após o impacto contábil do bitcoin, e sem nenhuma dívida financeira no balanço.

Com 605 BTC em tesouraria — bem menos que os 3.898 BTC da OranjeBTC —, o Méliuz também implementou um programa de recompra de ações, que resultou na elevação de seu Bitcoin Yield para 8,46%.

Ao contrário da OBTC3, que acumula perdas de 34% em 2026, a CASH3 está em alta de 36% no mesmo período, conforme noticiado pelo WB3News.


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