Bradesco entra na corrida da custódia cripto e mira fundos e tesourarias institucionais
Nova solução amplia o serviço de custódia institucional que o banco já presta, um ano depois de o Bradesco começar a construir a infraestrutura do negócio com a Fireblocks e após a receita da área crescer 26,4% no 2º trimestre de 2026, para R$ 600 milhões.
- A plataforma amplia a participação do Bradesco no merado de ativos digitais.
- Corretora Foxbit foi anunciada como primeira cliente.
O Bradesco divulgou nesta quarta-feira, 12, que passará a oferecer custódia institucional para ativos digitais, com uma plataforma dedicada à guarda e gestão de criptomoedas, stablecoins e ativos tokenizados.
O serviço foi desenvolvido para atender empresas do mercado financeiro, gestores de recursos, fundos de investimento e tesourarias institucionais que precisam atender às novas regras de custódia impostas pelas normas regulatórias do Banco Central. A Foxbit foi anunciada como a primeira cliente da nova área de negócios.
"A ampliação do serviço de custódia para ativos digitais leva a experiência do Bradesco para um mercado em rápida evolução e com crescente participação institucional", afirmou Ricardo Barbieri, diretor do Bradesco.
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"Nosso objetivo é oferecer aos clientes a mesma governança, segurança e confiabilidade que já caracterizam nossas operações de custódia, com uma infraestrutura preparada para acompanhar o desenvolvimento desse mercado", complementou o executivo.
De "mercado pequeno" a parceria com a Fireblocks
O anúncio revela uma reviravolta no posicionamento do banco em relação ao mercado de ativos digitais. Em 2022, o então CEO do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, chamava criptoativos de "investimentos que não são tangíveis e são mais arriscados" e descrevia o mercado como "muito pequeno" para despertar a atenção do banco.
A construção de uma infraestrutura dedicada a ativos digitais foi divulgada inicialmente em março. No Merge São Paulo 2026, Courtnay Guimarães, head de ativos digitais do Bradesco, disse que testes operacionais já estavam em andamento e que o banco contratou a Fireblocks para liderar a infraestrutura de blockchain, com a expectativa de lançamento de novos produtos em até 24 meses.
Em maio, Renata Petrovic, head de Inovação do Bradesco, confirmou que o banco já tinha um parceiro fechado para o negócio de custódia: "Estamos nos preparando para ter um negócio de custódia de ativos digitais; já temos um parceiro que vai trabalhar conosco, provendo custódia completa para todos os ativos, incluindo tokens, cripto e stablecoins".
Cinco meses após a primeira menção ao projeto, o serviço de custódia foi oficialmente anunciado, sinalizando que o Bradesco entrou de vez na corrida pelo mercado institucional de ativos digitais.
O reposicionamento do Bradesco acompanha os avanços regulatórios no país. Em novembro de 2025, o Banco Central publicou as Resoluções BCB 519, 520 e 521, que regulamentam a Lei 14.478/2022 (Marco Legal dos Criptoativos) para as prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs).
Petrovic afirmou em maio, antes do lançamento: "Não nos adiantamos, mas também não ficamos para trás. Estamos nos preparando para este momento de entrada no mercado há muito tempo."