80% dizem que IA melhora produtividade, mas só 37% veem impacto no resultado financeiro

AI Brasil Experience começa nesta quarta-feira (28) com discussões sobre agentes de IA, governança e projetos que não alcançam o retorno esperado; 200 pesquisadores do CEIA-UFG participam do evento

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  • Apenas 6% das organizações estão no grupo de maior desempenho em IA, segundo levantamento global da McKinsey.
  • Programação inclui debate sobre “shadow AI” e sistemas capazes de executar tarefas fora dos controles tradicionais das empresas.

Oito em cada dez entrevistados em uma pesquisa global da McKinsey dizem que a inteligência artificial melhorou sua produtividade individual. Quando a pergunta é sobre impacto no resultado financeiro das empresas, o percentual cai para 37%.

A distância entre uso e retorno será um dos temas do AI Brasil Experience 2026, que começa nesta quarta-feira (28), no Distrito Anhembi, em São Paulo. O evento reúne empresas, executivos e 200 pesquisadores do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG).

Serão mais de 150 palestras em cinco arenas até quinta-feira (29), com discussões sobre automação, agentes de IA, governança e projetos que não conseguiram transformar investimento em resultado.

Segundo a McKinsey, apenas cerca de 6% dos entrevistados estão no grupo considerado de alto desempenho em IA. São organizações que atribuem pelo menos 5% do EBIT à tecnologia e consideram esse impacto significativo.

Uma das diferenças está na forma de adoção. As empresas desse grupo aparecem com mais frequência entre aquelas que redesenham processos, em vez de apenas adicionar novas ferramentas a fluxos de trabalho já existentes.

“A IA deixou de ser tema de tecnologia e virou decisão de CEO. O desafio está em conseguir colocar as ferramentas para funcionar de maneira consistente, adaptar cultura, processos e liderança a essa transformação. O AI Brasil Experience 2026 colocará essas questões na mesma mesa, aproximando quem está construindo essa mudança de quem precisa tomar decisões sobre ela”, afirma Pedro Chiamulera, fundador do AI Brasil.


Agentes entram na discussão sobre governança

A programação também acompanha o avanço dos agentes de IA, sistemas que podem receber acesso a ferramentas e executar partes de processos com menor intervenção humana.

Uma das apresentações desta quarta-feira será dedicada ao chamado “shadow AI”, uso de ferramentas de inteligência artificial fora dos controles formais das empresas.

A AI/R, especializada em sistemas agênticos, afirma que apresentará dados sobre o uso não autorizado dessas ferramentas em empresas brasileiras e um caso real de incidente envolvendo agentes. Os detalhes não foram antecipados.

O problema já existia com softwares contratados ou utilizados sem aprovação das áreas de tecnologia, prática conhecida como shadow IT. Com agentes, entram na discussão as permissões dadas aos sistemas.

Dependendo da configuração, um agente pode consultar bases de dados, recuperar informações, atualizar registros ou acionar outras ferramentas. Isso obriga as empresas a definir não apenas quem pode usar IA, mas também o que cada sistema pode acessar e executar.

A programação do evento inclui ainda discussões sobre construção e orquestração de sistemas agênticos, segurança e uso desses sistemas em operações corporativas.


CEIA leva 200 pesquisadores

O CEIA-UFG terá uma arena própria no AI Brasil Experience e levará 200 pesquisadores para apresentar projetos e aplicações desenvolvidos pelo centro.

O centro reúne mais de 1,1 mil pesquisadores, tem mais de 100 clientes e contribuiu para atrair mais de R$ 500 milhões em investimentos privados, segundo a organização.

Entre as empresas que utilizam tecnologias desenvolvidas em projetos do CEIA estão Google, Itaú, iFood, Natura, Vivo, WEG e Volkswagen Caminhões.

A organização afirma ainda que tecnologias desenvolvidas pelo centro já são utilizadas por cerca de 150 milhões de pessoas no Brasil e estão presentes em Canadá, Irlanda e Malásia.

“O Brasil já produz conhecimento em IA, tem pesquisadores, empresas e aplicações concretas. Agora precisamos conectar esses mundos. Quando ciência, tecnologia e mercado trabalham juntos, a pesquisa deixa de ficar restrita ao laboratório e passa a resolver problemas reais”, afirma Anderson Soares, fundador do CEIA e Chief AI Officer do AI Brasil.


Do trabalho ao futebol de robôs

A programação não ficará restrita ao uso empresarial da tecnologia. Uma das cinco arenas será dedicada à chamada inteligência humana, com discussões sobre criatividade, atenção, aprendizagem, ansiedade, sono e a relação entre pessoas e máquinas.

Também haverá workshops, laboratórios e demonstrações práticas.

Entre elas estão partidas de futebol com robôs humanoides desenvolvidos por universidades e centros brasileiros de pesquisa. Os robôs atuam de forma autônoma, utilizando visão computacional e sistemas de tomada de decisão para localizar a bola, executar movimentos e reagir aos adversários.

O AI Brasil Experience acontece nos dias 28 e 29 de outubro, no Distrito Anhembi. A edição de 2025 reuniu mais de 12 mil participantes, segundo a organização.

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