Rival da B3 capta R$ 360 milhões e mira mercado trilionário de derivativos cripto

A5X, bolsa focada em derivativos que estreia em 2027, anuncia captação de R$ 360 milhões em rodada liderada por Morgan Stanley, Goldman Sachs e Kaszek.

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  • A rodada avalia a A5X em R$ 2,7 bilhões e leva o total captado pela companhia a mais de R$ 730 milhões em quatro rodadas.
  • Só o contrato Futuro de Bitcoin movimentou R$ 1,8 trilhão na B3 entre janeiro e outubro de 2025, 14 vezes o volume à vista de BTC e USDT no período.

A A5X, bolsa em fase pré-operacional que pretende disputar com a B3 a negociação e a liquidação de derivativos no Brasil, anunciou nesta segunda-feira, 14, a captação de R$ 360 milhões em rodada liderada por três novos investidores: os bancos Morgan Stanley e Goldman Sachs e a Kaszek, gestora de capital de risco latino-americana. A operação avalia a companhia em R$ 2,7 bilhões e eleva para mais de R$ 730 milhões o total levantado em quatro rodadas de financiamento.

"Com a rodada atual, além do capital, reunimos algumas das mais respeitadas instituições financeiras do mundo e alguns dos mais sofisticados participantes do mercado de capitais global e brasileiro", afirmou Carlos Ferreira Filho, CEO e cofundador da A5X, em comunicado oficial.

A rodada também contou com aportes das firmas de trading IMC, Jump Trading e XTX Markets, a formadora de mercado Optiver, o ABN AMRO Clearing e a corretora Ideal, controlada pelo Itaú. Paralelamente, a XP Investimentos exerceu sua opção de compra e passou a integrar o grupo.

O mercado de derivativos responde por cerca de 45% da receita da B3.

A5X mira mercado trilionário de derivativos cripto

De acordo com o site oficial da A5X, a bolsa pretende operar em cinco segmentos: índices de ações, ações, moedas e taxa de juros local e cripto. Atualmente, o mercado regulado de derivativos de criptoativos no Brasil se restringe à B3.

O contrato Futuro de Bitcoin da B3 movimentou R$ 1,8 trilhão entre janeiro e outubro de 2025. O volume é 14 vezes superior aos R$ 128 bilhões de bitcoin e da stablecoin USDT negociados no mesmo período. Nos doze meses encerrados em abril de 2025, o contrato já havia superado R$ 2 trilhões em volume financeiro e 41 milhões de contratos negociados, com participação de 39% de pessoas físicas, segundo dados da própria B3.

A bolsa brasileira ampliou a oferta de derivativos cripto em 6 de julho de 2026, quando passou a listar opções sobre os futuros de Bitcoin, Ethereum e Solana, com negociação das 9h às 18h30, exercício automático no vencimento e formadores de mercado designados para sustentar a liquidez.

A A5X combina tecnologia de negociação e clearing do London Stock Exchange Group (LSEG) com infraestrutura proprietária desenvolvida para o mercado brasileiro. O acordo com o grupo britânico, anunciado em 9 de junho de 2025, cobre soluções de casamento de ordens de baixa latência, gestão de risco pré-negociação, distribuição de dados de mercado, vigilância em tempo real e a plataforma pós-negociação de compensação, liquidação e gestão de risco.

No entanto, a estreia da rival da B3 já foi adiada duas vezes. O comunicado do LSEG previa testes regulatórios no quarto trimestre de 2025 e lançamento comercial no primeiro semestre de 2026. Em maio deste ano, a previsão era que todos os sistemas estivessem prontos, testados e integrados, com a operação iniciando oficialmente no quarto trimestre. Agora, a data foi estendida para o segundo trimestre de 2027.

A companhia já conta com mais de 200 funcionários e está em processo de autorização para operar como bolsa, câmara de compensação e contraparte central especializada em derivativos. A nova rodada de financiamento será destinada para garantir a operação da A5X até o break even, incluindo o capital necessário para obtenção das licenças de infraestrutura de mercado e os recursos de escalonamento operacional.

Ex-sócios da XP estão por trás do empreendimento

A A5X foi fundada em 2023 por Carlos Ferreira Filho e Karel Luketic, ambos ex-sócios da XP, ao lado de Nilson Monteiro, fundador da corretora Ideal, e de Julian Chediak, do Chediak Advogados. Em maio de 2026, a companhia anunciou Cícero Vieira, ex-diretor da B3, como sócio e advisor estratégico.

Apsar de concorrentes diretos, a B3 e a A5X fecharam um acordo de fornecimento e licenciamento de dados de mercado. Para a negociação de derivativos de ações, a A5X precisa dos preços de referência do mercado à vista na B3.

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