Dois em cada três brasileiros que têm ou já tiveram criptomoedas gostariam de ter representantes no Congresso que atuassem em defesa do setor, mas a construção efetiva de uma "bancada cripto" passa pelo desafio de eleger parlamentares identificados com o tema nas eleições do próximo domingo, 4 de outubro, que renovam todas as 513 cadeiras da Câmara e 54 das 81 do Senado.
Realizada pelo Instituto Datafolha com a Paradigma e patrocinada pela Coinbase e pela Hashdex, a segunda edição da Pesquisa Nacional das Criptomoedas estima em 29 milhões os brasileiros que têm ou já tiveram criptomoedas. Desses, 65,8% consideram importante votar em deputados e senadores comprometidos com os direitos de quem tem cripto.
Atualmente, apenas 8% dos congressistas têm posição registrada sobre cripto, a favor ou contra, e esse grupo responde por cerca de 105 projetos de lei em tramitação na Câmara e no Senado, segundo Marina Fuzeti Fagali, diretora do Juntos por Cripto. Braço brasileiro do Stand With Crypto, o Juntos por Cripto é um movimento de advocacy sem fins lucrativos que busca mobilizar a comunidade cripto em torno das agendas políticas e regulatórias do setor.
Em entrevista exclusiva ao WB3News, Fagali avalia que, embora o tema esteja presente nas pautas do Congresso, ainda não há um grupo organizado atuando em defesa do setor:
"Acho que ainda é um tema que mobiliza em função de pautas e disputas específicas."
A diretora prefere não citar nomes de parlamentares, mas aponta um viés partidário na pauta:
"Prefiro dizer que hoje é uma pauta mais enviesada à direita, para partidos que hoje representam o que seria a direita do Brasil — então PL, Missão, e tem alguma coisa entre União Brasil e Podemos também."
Dos 56 deputados e senadores listados na Cartilha Parlamentar Cripto, que a Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Virtuais (ABToken) apresenta como "mapa institucional da agenda de criptoativos, tokenização e ativos digitais no Congresso Nacional", 23 não têm posição registrada na plataforma do Juntos por Cripto, e 10 aparecem como contrários, segundo levantamento do WB3News. Os três parlamentares classificados como "fortemente contra cripto" são os autores dos três projetos que a plataforma considera "muito anti-cripto": Tabata Amaral (PSB-SP), Capitão Alberto Neto (PL-AM) e Flávio Nogueira (PT-PI). Na cartilha, a ABToken afirma que a seleção "considera critérios objetivos" e que a organização dos nomes não representa ranking, apoio institucional, recomendação de voto ou juízo de valor.
A cartilha, publicada em agosto com a consultoria ÉTICA Inteligência Política, lista 56 parlamentares com atuação documentada na agenda do setor e elege 10 matérias estratégicas e 7 complementares para acompanhamento. A seleção considera autoria e relatoria de projetos, conexão temática com criptoativos, impacto regulatório, interface com o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Receita Federal e a "relevância para acompanhamento institucional pela ABToken". Segundo a cartilha, a seleção "não pretende esgotar a agenda legislativa sobre o tema". A palavra "bancada" não aparece nas 73 páginas do documento.
No Juntos por Cripto, o grupo com posição definida é menor e só em parte coincide com o da cartilha. Na consulta feita pelo WB3News em 28 de setembro, 48 dos 586 deputados e senadores monitorados tinham posição a favor ou contra o setor — 8,2% do total. Dos 56 nomes da cartilha, 22 estão entre eles. A proporção bate com o dado que Fagali compartilhou com o WB3News:
"Notamos aqui no sistema que temos atualmente apenas 8% do Congresso (entre Senado e Câmara) que realmente tem qualquer tipo de posicionamento sobre cripto, seja a favor, seja contra — a maioria não está classificada nem como neutra: é, de fato, sem posicionamento, porque nunca sequer tocou em algo relacionado à causa."
A Frente Parlamentar de Blockchain e Inovação, anunciada em outubro de 2023 sob a presidência do deputado Caio Vianna (PSD-RJ), com a adesão de 191 deputados e 8 senadores, não consta entre as 320 frentes registradas na Câmara nesta legislatura, de acordo com a base de dados abertos da Casa. Nenhuma tem "blockchain" ou "cripto" no nome, e a mais próxima do tema é a Frente Parlamentar Mista da Economia e Cidadania Digitais, coordenada por Lafayette de Andrada (PL-MG). Suplente fora do exercício desde 31 de março e filiado ao PSDB desde abril, Vianna está entre os 56 nomes da cartilha da ABToken, mas não consta da base do Juntos por Cripto.
A missão declarada do Juntos por Cripto é transformar os brasileiros que fazem parte do ecossistema cripto em "uma voz uníssona e ativa na política brasileira". Nesse sentido, a diretora defende a formação de uma bancada temática:
"Há, sim, um interesse na formação de uma bancada, até porque se debate bastante se o próprio sistema político atual, o sistema de quadros, continua fazendo sentido dentro da política brasileira, e se o caminho de um sistema político mais eficiente não passaria pelas bancadas temáticas — já temos algumas bancadas temáticas que sabemos que conseguem entregar mais representatividade lá dentro. O que acho é que ainda falta muito envolvimento político."
Na plataforma do Juntos por Cripto, os 56 nomes da cartilha se distribuem em sete "fortemente a favor", cinco "parcialmente a favor", 11 neutros, sete "parcialmente contra" e três "fortemente contra". Os outros 23 (41%) não têm posição registrada: 16 aparecem como "sem posição", e sete não constam da base.
A metodologia adotada pelo Juntos por Cripto é a mesma que o Stand With Crypto aplica nos Estados Unidos, na Europa, na Austrália e no Canadá. A plataforma cruza informações sobre a atuação legislativa com o discurso público dos parlamentares nas redes sociais X e Instagram, além de monitorar a cobertura da imprensa:
"Basicamente, a gente tem uma plataforma, uma ferramenta que monitora com algumas integrações de API, com IAs operando no monitoramento das redes sociais, capturando palavras e conteúdos, e classificando quanto à ação legislativa. Também está integrada aos sites do Senado e da Câmara [...]. Analisamos proposição, autoria de projeto, relatoria de projeto, votos — tudo isso é contabilizado. [...] Essa metodologia tem critérios concretos de pontuação, em que o discurso pontua menos e a ação pontua mais."
No discurso, as manifestações recentes pesam mais que as antigas. "Entendo que todo mundo está aprendendo — é possível que, há cinco anos, um político tenha feito um post contra cripto porque não dominava o tema e não entendia como funciona, e agora, tendo aprendido, ele tem a chance de se recolocar", afirma a diretora. Na atuação legislativa, "o voto tem menos relevância do que a relatoria, que tem menos relevância do que a autoria", acrescenta.
Na base inteira, 392 parlamentares (66,9%) estão sem posição, e 146 aparecem como neutros. A classificação neutra vem, na maior parte, de uma única assinatura: 134 dos 146 neutros subscreveram a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 35/2025, que submete à aprovação do Congresso a criação de moeda digital pelo Banco Central e veda a extinção compulsória do papel-moeda. Para 127 deles, é o único registro na plataforma, que contabiliza a coautoria como "voto". A PEC, apresentada em 23 de setembro de 2025 com 172 assinaturas e Julia Zanatta (PL-SC) como primeira signatária, aguarda despacho do presidente da Câmara.
Os sete deputados da cartilha da ABToken classificados como "apoia fortemente cripto" pelo Juntos por Cripto são Amom Mandel (Republicanos-AM), Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF), Gilson Marques (Novo-SC), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), Eros Biondini (PL-MG), Jonas Donizette (PSB-SP) e Kim Kataguiri (Missão-SP). Os sete tentam a reeleição na Câmara. Os três "fortemente contra cripto", de PSB, PL e PT, são os únicos com essa classificação em toda a base da plataforma.
O PL 746/2026, de Tabata Amaral, altera as leis dos crimes contra o sistema financeiro nacional, de lavagem de dinheiro e de organizações criminosas para tratar da evasão de divisas com ativos virtuais e instituir causas de aumento de pena no crime de lavagem. Segundo a análise do Juntos por Cripto, o aumento na pena vai de um terço a dois terços quando a lavagem envolve cripto.
O relator na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) é Pedro Paulo (PSD-RJ), designado em 26 de março de 2026 e classificado como "parcialmente contra" na plataforma. O parecer ainda não saiu, e Pedro Paulo disputa o Senado pelo Rio de Janeiro. Em nota divulgada em 26 de fevereiro de 2026 pelo PSB, Tabata afirma que "a iniciativa não tem como objetivo restringir o uso legítimo das criptomoedas, mas sim impedir que a tecnologia seja explorada para atividades ilegais".
O PL 2766/2025, de Flávio Nogueira, invoca na ementa os "princípios de livre mercado e de livre concorrência" e, segundo o Juntos por Cripto, cria três entidades reguladoras para o setor, de registro, de sanções e de controle fiscal. O projeto está na Comissão de Defesa do Consumidor (CDC), com o relator Felipe Carreras (PSB-PE), que não tem posição na plataforma. O prazo para apresentação de emendas terminou em 18 de setembro de 2025. Nenhuma foi apresentada, e o parecer ainda não saiu.
O PL 5896/2025, de Capitão Alberto Neto, altera a Lei Antiterrorismo e, segundo o Juntos por Cripto, criminaliza a omissão de comunicação de operações suspeitas por corretoras de cripto. Apensado a outros projetos, tramita em conjunto com o PL 1283/2025, de Danilo Forte (PP-CE), pronto para entrar em pauta no Plenário.
As comissões por onde passam os três projetos "muito anti-cripto", CSPCCO, CDC e CCJC, são presididas por Coronel Meira (PL-PE), neutro no Juntos por Cripto pela assinatura da PEC 35/2025, Clodoaldo Magalhães (PV-PE) e Leur Lomanto Júnior (União-BA), os dois últimos sem posição.
Das 17 matérias que a cartilha da ABToken trata como estratégicas ou complementares, nenhuma foi aprovada em definitivo, e dez aguardam a designação de relator, segundo a tramitação oficial da Câmara e do Senado. Três passaram por uma comissão.
A aprovação mais recente foi a do PL 1536/2023, de Marcos do Val (Avante-ES), na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática (CCT) do Senado, em 2 de setembro de 2026, na forma de um substitutivo que incorpora o PL 2451/2023, do mesmo autor. Classificado como "parcialmente anti-cripto" pelo Juntos por Cripto, o PL 2451 altera o Marco Legal dos Ativos Virtuais (Lei nº 14.478/2022) para implementar diretrizes de rastreamento e identificação de transações e usuários, com "protocolos rígidos de identificação de clientes (KYC) e o uso de exploradores de blocos para monitoramento de transações". O PL 1536 aparece na plataforma como "neutro sobre cripto".
"Muito pró-cripto", o PL 4308/2024, de Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), que cria o marco legal das stablecoins, é o que foi mais longe na Câmara. Aprovado com substitutivo na Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação (CCTI) em 17 de dezembro de 2025, está na Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE), onde uma audiência pública foi aprovada em 17 de junho de 2026. O relator, Jadyel Alencar (Republicanos-PI), também preside a comissão.
Os cinco presidentes das comissões onde tramitam as matérias estratégicas não têm posição registrada no Juntos por Cripto: Jadyel Alencar, da CDE; Renan Calheiros (MDB-AL), da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado; Merlong Solano (PT-PI), da Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara; Flávio Arns (PSB-PR), da CCT; e Fabiano Contarato (PT-ES), da Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado. "Com essa distância do efetivo legislativo do tema, por mais projetos que tenhamos, dificilmente alguma coisa avança", afirma Fagali.
Quatro propostas acompanhadas pela ABToken e pelo Juntos por Cripto tentam sustar resoluções do Banco Central (BC) sobre o setor ou limitar o poder regulamentar da autarquia, e nenhuma foi distribuída às comissões. Três são projetos de decreto legislativo (PDLs), instrumento que a Constituição dá ao Congresso para sustar atos do Executivo que excedam o poder regulamentar. A quarta é a já citada PEC 35/2025.
Dois dos PDLs miram as Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, de 10 de novembro de 2025, que regulamentam o Marco Legal dos Ativos Virtuais desde 2 de fevereiro de 2026. As normas condicionam o funcionamento das prestadoras de serviços de ativos virtuais à autorização prévia do BC, com prazo até 30 de outubro para as empresas em operação protocolarem o pedido. Também enquadram no mercado de câmbio os pagamentos e as transferências internacionais feitos com ativos virtuais.
O PDL 1007/2025, de Rodrigo Valadares (PL-SE), pede a suspensão das três resoluções. O PDL 1012/2025, de Gilson Marques (Novo-SC) e outros quatro deputados, mira dois incisos do art. 76-A da 521, que incluíram no mercado de câmbio as transferências de ativos virtuais de ou para carteiras autocustodiais, mesmo sem pagamento ou transferência internacional, e a compra, a venda ou a troca de ativos virtuais referenciados em moeda fiduciária, as stablecoins. Os dois aguardam despacho desde novembro de 2025.
O PDL 926/2026, de Julia Zanatta, contesta a Resolução BCB nº 584, de 7 de agosto de 2026, e está na Mesa desde o dia seguinte. A resolução, publicada no Diário Oficial da União em 11 de agosto, estende às prestadoras os procedimentos de prevenção a fraudes e institui a retenção cautelar, por até 24 horas, de transferências acima de US$ 10 mil, por operação ou somadas no mesmo dia, para carteiras autocustodiais ou para entidades do mercado de ativos virtuais no exterior. A retenção se destina à análise de risco da operação e entra em vigor em 1º de janeiro de 2027.
A norma se aplica à autocustódia, prática que quase dobrou entre as duas edições da Pesquisa Nacional das Criptomoedas: 4% dos brasileiros, ou 6,75 milhões de pessoas, já usaram uma carteira própria de cripto, ante 2,2% na edição de 2025, e 89,6% deles consideram importante votar em um deputado ou senador comprometido em proteger os direitos de quem tem cripto.
Felipe Sant'Ana, fundador da Paradigma e idealizador da pesquisa, atribui a esse grupo peso decisivo na eleição. Na edição 94 da newsletter "Café com Satoshi", ele afirma que "qualquer subgrupo do eleitorado brasileiro que tenha mais de 2 milhões de pessoas, e interesses minimamente coesos, pode 'decidir essa eleição', pendendo a balança para um lado ou o outro", e destaca como exemplo os usuários de autocustódia:
"Se tem 6 milhões querendo ter a certeza de que ninguém vai proibi-los de usar um programa de computador que gera chaves privadas e assinaturas… os candidatos se posicionarão em relação a isso, também."
O PL 311/2025, de Zanatta, que trata da proteção ao direito de autocustódia de ativos virtuais, aguarda parecer de Mauro Benevides Filho (União-CE) na CFT desde o fim do prazo de emendas, em 22 de abril de 2026.
Cripto tem ainda menos espaço no Senado, tanto em termos de nomes quanto de projetos. As sete matérias da Câmara listadas pela ABToken têm classificação no Juntos por Cripto; das dez do Senado, apenas quatro. Na base inteira, 73 dos 79 senadores (92%) aparecem sem posição. Os seis classificados são Rodrigo Pacheco, "fortemente a favor", Rogério Carvalho e Wilder Morais, "parcialmente a favor", e Jorge Kajuru, Marcos do Val e Alessandro Vieira, "parcialmente contra".
Entre os 56 nomes da cartilha, 10 dos 14 senadores não têm posição registrada no Juntos por Cripto (71%), ante 13 dos 42 deputados (31%). Nove dos 42 deputados disputam uma cadeira no Senado em 4 de outubro, e 11 dos 14 senadores tentam a reeleição.
Os nove postulantes ao Senado têm posicionamentos opostos no Juntos por Cripto, e nenhum aparece como "apoia fortemente cripto". Marcel van Hattem (Novo-RS) e Rodrigo Valadares (PL-SE) são classificados como "apoia parcialmente cripto", Pedro Paulo (PSD-RJ) como "parcialmente contra cripto" e Capitão Alberto Neto (PL-AM) como "fortemente contra cripto". Bia Kicis (PL-DF), Eduardo Velloso (Solidariedade-AC), Sanderson (PL-RS) e Filipe Barros (PL-PR) aparecem como neutros. Silvia Cristina (PP-RO) não tem posição registrada.
A cripto-população brasileira é "mais centrista e mais engajada politicamente que o brasileiro médio", segundo a Pesquisa Nacional das Criptomoedas. Entre quem tem ou já teve cripto, 21,6% se colocam no centro, ante 15,5% da população, e 9,9% não sabem ou não se posicionam, ante 16,4% do país. Nas pontas da escala, as fatias são menores: 10,3% se dizem no "máximo à esquerda", ante 16,0% da população, e 22,3% no "máximo à direita", ante 26,7%.
O "máximo à direita" é a maior faixa isolada nos dois grupos. Somadas pelo WB3News, as faixas de centro-direita, direita e máximo à direita reúnem 45,2% de quem tem cripto, ante 23,4% das faixas equivalentes à esquerda; na população, as proporções são de 42,2% e 26,1%.
"No Brasil, minha expectativa é que múltiplos partidos se aproximem narrativamente de cripto, e não um só. Mas a teoria dos jogos privilegia quem se movimenta primeiro", afirma Sant'Ana. Em seguida, destaca o potencial eleitoral dos usuários de criptomoedas:
"Quanto mais homogêneo for um bloco, quanto mais uníssona a sua demanda, e quanto mais disposto a mudar de ideia ('indeciso'), mais valioso ele é no cálculo político. Porque uma única mensagem atinge e pode 'conquistar' um número grande de eleitores."
Sant'Ana avalia que os votos de quem se declara de esquerda ou de direita "já estão decididos" e que "os 30% do centro é que fazem a diferença". Os 30% correspondem, na pesquisa, à soma das faixas de centro-esquerda, centro e centro-direita na população.
"No marketing digital, sempre que um canal novo é lançado, o custo por aquisição é baixíssimo para quem anuncia nele, e aumenta conforme a concorrência descobre e inunda o mesmo canal", escreve. "No jogo político, vale a mesma lógica."
Em coluna no Valor Investe, Fábio Plein, diretor regional para as Américas da Coinbase, patrocinadora da pesquisa, destaca a diversidade política dos investidores de criptomoedas:
"Isso significa que não estamos diante de um grupo necessariamente identificado com um único campo político. Pelo contrário: trata-se de um eleitorado independente, que pode avaliar candidatos a partir de posições concretas sobre um tema que impacta diretamente sua vida financeira."
Ao mesmo tempo, Plein afirma que isso "não significa transformar criptomoedas em uma bandeira partidária ou esperar que candidatos adotem uma posição única sobre o setor".
No Congresso, entre as 21 matérias cuja tramitação o WB3News verificou, os projetos classificados como pró-cripto pelo Juntos por Cripto são de Julia Zanatta e Wilder Morais (PL), Gilson Marques e Adriana Ventura (Novo), Rodrigo Valadares (então no União, hoje no PL) e Aureo Ribeiro (Solidariedade). Os restritivos são de Tabata Amaral e Jorge Kajuru (PSB), Flávio Nogueira e Rubens Pereira Júnior (PT) e Capitão Alberto Neto (PL).
Na base de dados da plataforma, entre os 48 parlamentares com posição a favor ou contra, pela filiação registrada na Câmara e no Senado, o PL soma 9 favoráveis e 4 contrários, e o Novo, 5 e nenhum; o PT tem 1 favorável e 5 contrários. PDT tem 3 e 0; Republicanos, 2 e 0; PSB e PSD, 2 e 2 cada; Podemos, 0 e 2. Os contraexemplos aparecem nos dois sentidos: Rogério Carvalho (PT) e Talíria Petrone (PSOL) estão entre os favoráveis, e Capitão Alberto Neto, Osmar Terra, Caroline de Toni e Alfredo Gaspar, do PL, entre os contrários.
"Acho bem visível, bem inegável, que a gente tem principalmente uma linha política dominando muito esse debate", afirma Fagali. "E é uma conversa que a gente tem tido bastante: isso não pode fechar as portas do outro lado. Às vezes acontece de eu bater numa porta e dizer 'eu queria debater essa pauta' e ouvir 'não, essa pauta é do lado de lá' — e aí a pessoa nem se abre para ouvir o quanto essa tecnologia poderia entregar dentro da ideologia política dela também, porque [...] é uma tecnologia: é neutra, depende de quem está pilotando e do uso que está sendo feito."
Às vésperas da eleição, o Juntos por Cripto lançou uma campanha estimulando os eleitores a enviar e-mails a deputados federais e senadores. A partir do endereço informado, a ferramenta indica os parlamentares do estado do usuário e gera uma mensagem pronta, que pede "posicionamento e compromisso público com as propostas do movimento Juntos por Cripto antes do dia da votação".
Segundo Fagali, os esforços do Juntos por Cripto também buscam reaproximar a sociedade civil da política:
"É um plano político muito bem-sucedido quando se afasta a sociedade da política: quem está no poder se mantém fazendo o que bem quer, porque não há monitoramento nem cobrança."
Sant'Ana acrescenta que a questão "não é sobre 'votar no candidato que entende de cripto'", mas sim "sobre fazer o SEU candidato 'entender de cripto'".
A mensagem do Juntos por Cripto sugere três formas de posicionamento aos parlamentares: uma publicação nas redes sociais, uma declaração de apoio à imprensa e a proposição ou o voto a favor de projetos de lei pró-cripto. São os mesmos registros de discurso e de atuação legislativa que a plataforma usa para classificar os parlamentares. O texto lista ainda as quatro pautas do movimento: educação financeira e Web3, segurança jurídica e regulação equilibrada, blockchain no setor público e marco de stablecoins com neutralidade tributária.
"É preciso saber em quem se vota e cobrar de quem se vota, porque é quem vai escrever as regras desse mercado que eu acredito ser o futuro do Brasil", conclui Fagali.