'Saldos continuam registrados': Mercado Bitcoin reafirma garantia aos clientes, mas plataforma não tem previsão de retorno

Em atualização no X, a corretora diz ter bloqueado US$ 12,9 milhões dos ativos drenados e promete retomada gradual da plataforma, por funcionalidade.

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  • Mercado Bitcoin anunciou que os bloqueios passaram de US$ 11 milhões, na segunda-feira (2), para US$ 12,9 milhões.
  • A retomada da plataforma será gradual e depende das verificações de segurança de cada funcionalidade.

O Mercado Bitcoin (MB) reafirmou nesta terça-feira, 3 de novembro, que os ativos dos clientes "estão garantidos" e que os saldos "continuam registrados nas respectivas contas". A plataforma, porém, segue pausada e sem previsão de retorno. Em uma atualização publicada no X às 12h17, a corretora elevou a conta dos ativos bloqueados no ataque hacker de 2 de novembro para US$ 12,9 milhões.

A plataforma "segue pausada até termos certeza de que a retomada é segura", informa o MB. A corretora diz ter acionado "na hora" seus protocolos de segurança e governança e informado as autoridades, sem esclarecer quais. Com o aplicativo fora do ar, o MB avisa que o cliente não precisa reinstalar o app nem trocar de aparelho.

Retomada da plataforma será gradual, por funcionalidade

Às 13h01, o MB informou que está trabalhando num plano de liberação do acesso dos clientes. Os serviços voltarão em etapas, à medida que cada funcionalidade passar pelas verificações de segurança necessárias:

"Isso pode significar que algumas operações voltem antes de outras. Vamos comunicar cada etapa com antecedência, explicando quais serviços estarão disponíveis e eventuais limitações."

A corretora não deu data para a primeira etapa nem disse quais operações devem voltar primeiro. No e-mail enviado aos clientes na noite de segunda-feira, o MB havia informado que divulgaria o prazo de retomada da plataforma nas próximas atualizações.

A postagem apresenta como total dos ativos afetados pelo incidente o equivalente a US$ 36,3 milhões "neste momento". Pelas contas da própria corretora na véspera, porém, o valor corresponde à parcela que segue com o hacker, sem os US$ 12,9 milhões já bloqueados.

No e-mail das 22h19 de segunda-feira, o MB separava as duas parcelas: cerca de US$ 11 milhões bloqueados e cerca de US$ 38 milhões ainda não bloqueados. Com os bloqueios anunciados, a parcela de ativos em posse do hacker caiu para US$ 36,3 milhões. Somadas, as duas parcelas chegam a US$ 49,2 milhões, cerca de R$ 268 milhões na cotação atual.

O total se aproxima das estimativas preliminares da própria corretora em seu relato sobre o ataque.

Estimativas sobre o valor total drenado no hack do Mercado Bitcoin. Fontes diversas.

O MB atribuiu o avanço dos bloqueios a uma mobilização com empresas especializadas em segurança, emissores de ativos, investigadores independentes e profissionais da comunidade cripto:

"Estamos atuando junto a protocolos e corretoras globais para identificar e congelar recursos ligados ao ataque, além de solicitar o bloqueio de endereços em outros serviços onchain."

A corretora não detalhou quais ativos foram bloqueados depois de segunda-feira. Até a manhã desta terça, os congelamentos confirmados nos registros públicos das blockchains somavam cerca de US$ 10,5 milhões, entre bloqueios de criptoativos emitidos por Tether, Paxos e Circle, segundo levantamento do WB3News. Às 6h, os 2.979 ETH concentrados numa carteira ligada ao hacker e os 106,07 BTC no endereço divulgado pelo MB seguiam parados.

Hacker drenou as carteiras quentes do MB na madrugada de 2 de novembro

O hacker esvaziou na madrugada de segunda-feira as carteiras quentes do MB, conectadas à internet e usadas em operações como saques e depósitos. Ao longo da manhã, esvaziou também endereços de depósito de clientes. A Paradigma Education aponta sinais de que as transferências partiram do próprio sistema que a corretora usa para construir transações.

No e-mail aos clientes, o MB afirmou que o incidente atingiu "apenas as carteiras quentes" e que a maior parte dos ativos fica nas carteiras frias, offline, e portanto fora do alcance do hacker. O MB não apresentou detalhes sobre a mecânica do ataque.

No comunicado desta terça, o MB repete o alerta contra golpes: a corretora não entra em contato pedindo senha, código ou transferência. Em depoimento ao WB3News, Leonardo Maximiliano, CEO e cofundador da DSEC Labs e da DominiPay, afirma que o risco para o investidor em casos como esse vai além da perda de ativos:

"Para o investidor, o risco também envolve ficar sem acesso ao próprio dinheiro durante uma suspensão de saques. Mesmo quando uma empresa informa que os saldos estão preservados, o cliente continua dependendo da capacidade dela de proteger os recursos e restabelecer a operação."

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