"Dois trilhos, um banco": Zup insere Itaú na infraestrutura de duplicatas escriturais na B3
Parceria é anunciada a menos de nove meses do início da obrigatoriedade de adoção da duplicata escritural para grandes empresas.
- Zup, subsidiária de tecnologia do Itaú Unibanco, passa a fornecer a arquitetura que conecta a B3 ao sistema de duplicata escritural.
- A interoperabilidade entre B3, Núclea e CERC já foi testada e avançou mais rápido do que o cronograma original previa, segundo a B3.
A Zup, subsidiária de tecnologia do Itaú Unibanco, passou a fornecer a arquitetura tecnológica que conecta a B3 ao sistema de duplicata escritural, segundo comunicado assinado por André Palma, CEO da Zup, e Roberta Fortunato, superintendente de Duplicata Escritural da B3. A parceria prevê o desenvolvimento da infraestrutura orientada a eventos para integrar a bolsa ao sistema de registro digital de duplicatas, com foco em segurança e conformidade regulatória.
"A B3 oferece ao mercado uma esteira completa para negociação de de duplicatas escriturais, do registro à liquidação, e a parceria com a Zup amplia nossa capacidade de operar e evoluir essa infraestrutura", declarou Fortunato.
A Zup é controlada pelo Itaú Unibanco, que a comprou em 2019 por cerca de R$ 575 milhões. O Itaú BBA, braço de banco de investimento do mesmo grupo, opera hoje a escrituração das duplicatas de seus clientes pela Núclea — concorrente direta da B3 nesse mercado.
Em sua página institucional, o banco afirma: "Para realizar a escrituração das duplicatas no Itaú BBA, a Núclea é a nossa parceira."
O comunicado divulgado por Zup e B3 não menciona a Núclea nem o Itaú BBA, e não esclarece se a nova infraestrutura também abrirá uma via de acesso à B3 para o próprio Itaú. Questionada pela reportagem do WB3News sobre essa sobreposição e sobre o escopo técnico do contrato, a assessoria da Zup não respondeu até a publicação desta reportagem.
Diante de um mercado que movimenta mais de R$ 10 trilhões por ano, Palma destaca o compromisso de ambas as empresas de criar um trilho adequado novo sistema de duplicata escritural:
O que é a duplicata escritural e quando ela se torna obrigatória"Estamos construindo, ao lado da B3, um novo trilho de crédito para o país. Duplicatas escriturais são infraestrutura de mercado, e infraestrutura de mercado exige tecnologia de ponta, resiliente e segura. É esse o compromisso da Zup nessa parceria."
A duplicata escritural é o sistema de registro digital de duplicatas que o Banco Central (BC) está tornando obrigatório no Brasil, em substituição ao modelo baseado em documentos físicos. A B3 foi autorizada pelo BC a atuar como escrituradora e registradora de duplicatas em 25 de junho de 2026 e iniciou a fase de produção assistida do sistema em 15 de julho.
Conforme noticiado em setembro pelo WB3News, o segmento de duplicatas movimenta mais de R$ 10 trilhões por ano no país — dos quais só 15% chegam a ser negociados de forma registrada, segundo a B3. A Núclea estima um potencial ainda maior, de R$ 11 trilhões ao ano. Até aquele momento, apenas cerca de 24 sacadores operavam de forma integrada às três casas registradoras autorizadas pelo BC: Núclea, B3, e CERC.
De acordom com a Resolução BCB 339/2023, a obrigatoriedade de adoção do sistema por porte das empresas brasileiras não tem data fixa em lei: o prazo é contado a partir de marcos de interoperabilidade entre as entidades autorizadas, ainda sujeitos a ato específico do Banco Central. A B3 projeta esse início para julho de 2027 (grandes empresas), janeiro de 2028 (médias) e julho de 2028 (pequenas).
A interoperabilidade entre as três casas autorizadas pelo Banco Central a atuar nesse mercado — B3, Núclea e CERC — permite consultar e transferir duplicatas registradas em qualquer uma das plataformas, e vem avançando mais rápido do que o cronograma inicial previa.
O planejamento original previa uma implementação em fases, a cada dois meses. Segundo a B3, os primeiros testes se mostraram mais efetivos do que o esperado, e deve permitir a antecipação do pleno funcionamento do sistema.
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