DominiPay lança carteira autocustodial e avança com "Self Bank" sob novas regras do Banco Central

Com a nova carteira autocustodial da DominPay, o usuário mantém o controle dos ativos, e a conversão para reais via Pix cabe a parceiros regulados.

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  • Regulação do BC ampliou investimentos em pesquisa e desenvolvimento, diz Leonardo Maximiliano, CEO da DominiPay.
  • Criação da carteira inclui identificação e verificação do usuário, e o time de prevenção a fraudes faz a triagem das operações.

A DominiPay lança carteira cripto autocustodial às vésperas do fim do prazo para que as prestadoras de serviços de ativos virtuais que já atuavam no país peçam autorização ao Banco Central (BC), com base em um modelo intitulado de Self Bank.

No novo produto, a DominiPay desenvolve e provê a tecnologia, o controle dos ativos fica com o usuário, e as etapas reguladas, como a conversão de cripto para reais e pagamentos via Pix, são executadas por instituições parceiras reguladas.

“A regulação reforça nossa tese de autocustódia, mas a principal motivação vem da missão da companhia de desenvolver o modelo Self Bank, no qual o usuário tenha mais autonomia e controle sobre seus ativos”, afirmou Leonardo Maximiliano, CEO da DominiPay, em depoimento exclusivo ao WB3News.

Modelo Self Bank

A DominiPay oferece infraestrutura para empresas e profissionais gerenciarem pagamentos e movimentarem recursos em reais e ativos digitais. Até o lançamento da carteira, a empresa concentrava a atuação na integração entre Pix, Bitcoin e stablecoins.

A tese do Self Bank parte do princípio de promover a desintermediação e a transparência, reduzindo a dependência de instituições financeiras, explica Maximiliano:

“A Domini nasceu, impulsionada pela DSEC Holding, do princípio ‘não confie, faça você mesmo’. Essa visão orienta o desenvolvimento de tecnologias que permitam verificar como o sistema funciona e reduzir a dependência de confiança cega.”

O Self Bank reúne serviços financeiros tradicionais, trilhos em blockchain e autocustódia na mesma operação.

Entre janeiro e junho de 2026, a autocustódia respondeu por R$ 65 bilhões dos R$ 283 bilhões em operações com criptoativos no Brasil, segundo dados da Receita Federal.

“Durante muito tempo, a escolha era entre diferentes bancos ou fintechs", afirma Maximiliano no comunicado de lançamento. "Com os ativos digitais, surge também a possibilidade de escolher quem mantém a custódia de cada recurso e é essa flexibilidade que queremos trazer para dentro da plataforma", acrescenta o executivo.

Credenciais ficam só com o titular

A carteira está disponível desde 20 de outubro, integrada ao aplicativo da DominiPay, com suporte às redes Bitcoin, Solana, Tron e Polygon. Através dela, o usuário pode enviar e receber ativos, consultar o histórico de transações e fazer transferências on e off ramp via Pix pela rede Polygon.

Na conversão dos ativos da carteira para reais, a rota é escolhida entre os parceiros disponíveis, explica Maximiliano:

“Conforme o serviço e a rota utilizada, podem participar parceiros como SmartPay, Gowid e BassPago, além de outros provedores. Nossa tecnologia compara as rotas e os preços disponíveis para conectar o usuário à alternativa mais adequada. A conversão dos ativos e o pagamento em reais são executados pelos parceiros responsáveis por essas etapas na rota escolhida.”

As credenciais de acesso ficam exclusivamente com o titular, sem que a DominiPay tenha acesso ou controle sobre os fundos. A carteira é criada e recuperada por meio de uma frase secreta sob responsabilidade do titular, explica Maximiliano:

“Autocustódia muda a lógica porque separa a infraestrutura tecnológica da posse dos ativos. A plataforma viabiliza a operação, mas a decisão e o controle permanecem com o usuário."

Maximilano enfatiza que a DominiPay mantém procedimentos de identificação, compliance e prevenção a fraudes para impedir o uso malicioso da plataforma. O processo de verificação está vinculado à criação da carteira, explica o CEO:

“A criação da carteira inclui a coleta de informações e os procedimentos de identificação e verificação do usuário. Além disso, nosso time de prevenção a fraudes realiza a triagem das operações. Esses controles fazem parte da experiência de utilização, enquanto a movimentação dos ativos permanece sob responsabilidade do cliente e das empresas parceiras que executam os serviços.”

Parceiros executam etapas reguladas no Brasil, afirma CEO

A regulação ampliou os investimentos da DominiPay em pesquisa e desenvolvimento, com foco em tecnologias que preservem a autonomia e a segurança do usuário dentro das novas regras estabelecidas pelo BC, segundo Maximiliano.

A regulação das prestadoras de serviços de ativos virtuais foi estabelecida nas Resoluções BCB 519, 520 e 521, publicadas em 10 de novembro de 2025 e em vigor desde 2 de fevereiro de 2026. As empresas que já operavam em 2 de fevereiro têm até 30 de outubro para protocolar o pedido e podem continuar operando enquanto ele é analisado, desde que não ampliem as atividades. Quem não protocolar terá de encerrar as operações em até 30 dias.

A DominiPay atua como agregadora de tecnologia e integra instituições licenciadas, responsáveis pelas atividades reguladas de cada produto. Os serviços prestados pela empresa não sofrerão alterações depois de 30 de outubro, afirma Maximiliano:

“A DominiPay seguirá atuando como uma empresa de tecnologia que orquestra o acesso a soluções financeiras por meio de instituições parceiras responsáveis pelas atividades reguladas. Nosso papel é desenvolver a infraestrutura que conecta o usuário a esses serviços. A movimentação dos ativos ocorre entre o cliente e os parceiros envolvidos em cada operação.”

A empresa mantém operação no Brasil e no Paraguai, e a divisão de responsabilidades legais entre as duas jurisdições visa atender às novas regras, segundo o CEO:

“A própria Domini, por meio de sua empresa no Paraguai, ficou responsável pela prestação dos serviços, enquanto as etapas reguladas no Brasil são executadas pelas instituições parceiras.”

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