Caldeira OTC e Urban se fundem após movimentarem R$ 21 bilhões em 2026

Nova Urban reúne liquidez institucional, tecnologia e pagamentos internacionais enquanto prepara pedido de autorização ao Banco Central, com prazo até 30 de outubro

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  • Empresas somaram mais de R$ 21 bilhões em operações neste ano, mas não divulgaram quanto desse volume corresponde a cada atividade.
  • Fusão reúne uma mesa institucional de criptoativos e infraestrutura de pagamentos internacionais em meio à implementação das novas regras do BC.


O Grupo Caldeira OTC e a Urban anunciaram uma fusão que reúne duas operações com mais de R$ 21 bilhões transacionados em 2026. A nova empresa, que manterá a marca Urban, combinará uma mesa de negociação de grandes volumes de criptoativos com tecnologia própria para pagamentos internacionais, passando a oferecer liquidez e infraestrutura operacional a fintechs, instituições financeiras e tesourarias corporativas.

A fusão ocorre às vésperas do prazo para prestadoras de serviços de ativos virtuais solicitarem autorização ao Banco Central (BC), em 30 de outubro. A Urban ainda prepara seu pedido para atuar como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV). Segundo as empresas, a negociação começou pela complementaridade das operações, embora as novas exigências regulatórias tenham reforçado a importância da integração.

O volume informado corresponde às operações das duas empresas antes da fusão. Não há detalhamento sobre quanto foi movimentado em negociação de criptoativos, fornecimento de liquidez ou pagamentos internacionais. A receita e os valores envolvidos na transação também não foram divulgados.

A combinação reúne o Grupo Caldeira OTC, fundado por Caroline Caldeira e Yago Carvalho, que atua em operações institucionais, market making e arbitragem, com a Urban, fundada por Cristian Tolosa, Israel Lujan e Rafael Steinfeld, que desenvolveu tecnologia própria para ativos virtuais e pagamentos globais.

A nova empresa terá sede em São Paulo e presença operacional no Rio de Janeiro. A fusão foi idealizada pela UP TO Capital, assessora estratégica da operação, e teve assessoria jurídica do Demarest Advogados.

Fusão ocorre durante prazo de autorização do BC

As Resoluções BCB nº 519, 520 e 521 estabeleceram novas regras para prestadoras de serviços de ativos virtuais, incluindo exigências de capital, governança, controles internos e requisitos para operações internacionais.

As empresas que já atuavam no mercado antes da entrada em vigor da regulamentação têm até 30 de outubro para protocolar o pedido inicial de autorização. O requerimento permite que a instituição seja analisada dentro do regime de transição, mas não equivale à concessão da licença.

Em 1º de outubro, o BC também ampliou de 360 para 540 dias o prazo máximo para decidir sobre determinadas mudanças societárias envolvendo SPSAVs, incluindo fusões, incorporações e transferências de controle. A alteração não modifica a data-limite para os pedidos iniciais.

A Urban ainda não informou se a integração societária foi formalmente concluída. Segundo as empresas, as negociações começaram a partir da identificação de competências complementares, e não exclusivamente em resposta às exigências regulatórias.

“O mercado brasileiro de ativos digitais entrou em uma nova etapa de maturidade. Para continuar evoluindo, é necessário combinar escala, tecnologia sólida, liquidez, especialização operacional e uma estrutura de governança compatível com a complexidade do setor. A união foi construída para reunir essas competências em uma plataforma institucional mais completa para os clientes”, afirma Cristian Tolosa, CFO da nova Urban, em comunicado.

Liquidez e pagamentos internacionais na mesma operação

A nova Urban concentrará três atividades: fornecimento de liquidez institucional, pagamentos internacionais com ativos virtuais e Crypto as a Service, modelo em que empresas utilizam infraestrutura de terceiros para desenvolver e oferecer serviços relacionados a criptoativos.

A Urban atenderá principalmente fintechs, instituições financeiras e tesourarias corporativas. Seus serviços também poderão chegar ao varejo por meio das empresas clientes.

Nos pagamentos internacionais, a Urban informa realizar transferências para Estados Unidos, Europa e Ásia. A companhia não detalhou quais ativos virtuais são utilizados nessas operações, os sistemas de liquidação envolvidos ou os custos e prazos das transferências.

A Resolução BCB nº 521 incluiu determinadas operações internacionais com ativos virtuais no tratamento regulatório aplicável ao mercado de câmbio e capitais internacionais. As regras abrangem pagamentos e transferências internacionais, com condições que variam conforme a natureza da operação e as instituições envolvidas.

Bancos também reorganizam negócios com criptoativos

A fusão ocorre enquanto instituições financeiras tradicionais estruturam suas operações para o mercado de ativos virtuais. Em outubro, o WB3News mostrou que Itaú, Santander e Inter registraram sociedades específicas para esses serviços, embora a regulamentação permita que determinadas instituições financeiras já autorizadas pelo BC atuem sem constituir uma SPSAV separada.

Outra mudança está prevista para 6 de novembro, quando entram em vigor restrições para instituições financeiras e de pagamento realizarem ou viabilizarem operações com prestadoras de ativos virtuais que não estejam autorizadas a funcionar no país, observadas as exceções regulatórias.

A regra também alcança determinadas contas e transações de pagamento utilizadas para viabilizar essas operações.

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